Editorial

«Fazer da Marcha de 23 de Maio uma forte afirmação de protesto, confiança e luta»

CONFIANÇA

Não há manobras, esquemas, golpes, enredos, provocações, capazes de anular esta realidade: o 1.º de Maio constituiu uma poderosa manifestação de força, determinação e confiança dos trabalhadores portugueses. Em cerca de meia centena de localidades – com particular destaque para Lisboa e Porto – os trabalhadores vieram para a rua em massa, em defesa dos seus direitos, contra a política de direita do Governo PS/José Sócrates, exigir um novo rumo para o País – e manifestar a sua firme disposição de prosseguir a luta por esses objectivos.
É certo que quem tenha sabido do 1.º de Maio apenas pelo que televisões, rádios e jornais noticiaram, não apenas não se aperceberá da força e da importância destas manifestações, como ficará com uma imagem distorcida e falseada da realidade. É por isso e para isso que o grande capital –beneficiário exclusivo da política de direita - é proprietário dos média dominantes. Todavia, quem lá esteve sabe como foi e, mais importante, sabe porque lá esteve.
A forma como foi «tratado» o incidente que envolveu o candidato do PS ao Parlamento Europeu é por demais significativa: tão rápidas e direccionadas foram as reacções vindas do PS – calúnias, insultos, provocações contra o PCP – e tão de imediato repetidas pelo coro síncrono dos média dominantes, que dir-se-ia ter sido tudo montado na véspera... Com efeito, a pretexto da lamentável atitude de uns quantos manifestantes e da instrumentalização por parte do PS desse incidente, foi desencadeado um despudorado ataque contra o PCP, apresentado como o responsável pelo que ali se passara - sem que ninguém se tivesse dado, por exemplo, ao elementar exercício de se interrogar (e responder) sobre a quem é que tudo aquilo interessou…

Esta operação deve ser vista como parte integrante – provavelmente etapa nova e indiciando novas etapas - da forte ofensiva em curso contra o PCP. Uma ofensiva cujas causas são visíveis a olho nu; na qual o vale-tudo é lei; e que tem vindo a acentuar-se com a aproximação das eleições.
Sabe toda a gente que o PCP é a força política que mais, e mais coerentemente, tem combatido a política do Governo PS/José Sócrates, da qual tem sido, de facto, a verdadeira oposição.
Sabe toda a gente que o PCP está na vanguarda do esclarecimento sobre as causas da grave situação do País e da mobilização das massas populares para a luta por uma política ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País.
Sabe toda a gente que, por isso, o PCP tem vindo a aumentar a sua influência junto das massas trabalhadoras e de todos os que sofrem as consequências dessa política.
Daí os ataques procurando inverter esta situação, provenientes quer dos praticantes da política de direita quer do exército dos seus propagandistas: o PS enveredou decididamente pelo caminho da «vitimização» em que é velho especialista, enquanto os média dominantes transformam em critério «informativo» o silenciamento ou a deturpação das posições do PCP – ao mesmo tempo, promovem, das mais diversas formas, as forças que, ou defendem abertamente a política de direita, ou têm como objectivo prioritário minar a influência social, política e eleitoral do PCP.
Com o mesmo objectivo funcionam as chamadas «sondagens de opinião» - utilizadas não como meios de auscultação das intenções de voto, mas como veículos de influenciação do voto nas forças acima referidas.
Tudo isto, afinal, procurando desviar as atenções da situação dramática a que a política de direita conduziu o País e procurando criar as condições para a prossecução dessa política.

Entretanto, mostra a realidade que, ao contrário do que diz o Governo, a situação se agrava todos os dias e as perspectivas futuras são ainda mais sombrias.
É a própria Comissão Europeia que, agora, o vem confirmar, prevendo maiores recuos para a economia portuguesa e o agravamento da diferença de crescimento entre Portugal e a zona euro.
O que, de facto, está à vista é o agravamento da situação e, em perspectiva, a crise mais profunda e mais duradoura de sempre – uma crise para a qual o Governo só tem uma «solução», a única que sabe e conhece: aumentar a exploração dos trabalhadores em benefício do grande capital, ou seja, «sair da crise» alimentando as causas reais da crise…
Há dias, o presidente da CIP, representante dos interesses do grande capital, avançava cautelares orientações de Bloco Central, demonstrando as naturais convergências de fundo entre os três partidos da política de direita; acenando um natural gesto de simpatia em direcção ao BE – e, naturalmente, apontando o PCP como o inimigo.
Percebe-se: no PCP, o grande capital vê tudo o que não queria que existisse: a defesa consequente dos interesses dos trabalhadores e do País e a luta – luta que o 1.º de Maio mostrou que vai continuar e intensificar-se até alcançar os objectivos pretendidos. Com determinação e confiança, e independentemente de operações provocatórias que aí venham.
No que respeita aos militantes comunistas, essas provocações não os condicionam e muito menos os amedrontam e responder-lhes-ão
como sempre fizeram ao longo da longa história do Partido: com a sua consciência política, de classe e militante, o que na concreta situação actual significa intervir ainda com maior intensidade na campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, levando mais e mais longe a mensagem do PCP, mobilizando para o voto na CDU e fazendo da Marcha de 23 de Maio uma forte afirmação de protesto, confiança e luta.


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