Editorial

«O reforço eleitoral da CDU é o único caminho seguro para dar a volta a isto»

MUITO TRABALHO, MUITA CONFIANÇA

Da vastidão de promessas, vãs promessas e declarações de intenções de que é feito o Programa Eleitoral do PS, emerge como promessa de facto a de que, se ganhar as eleições e formar Governo, José Sócrates prosseguirá a política dos últimos quatro anos. Outra coisa não era de esperar de um partido que, ao longo de trinta e três anos, tem vindo a desempenhar um papel fulcral enquanto construtor da política de direita e de um primeiro-ministro que logrou superar pela negativa todos os que o antecederam como responsáveis na aplicação dessa política – feito difícil se tivermos em conta o que foi a prática governativa desses antecessores de Sócrates, desde Mário Soares a Durão Barroso, passando por Cavaco Silva e António Guterres.
Daí que o eleitoralíssimo Programa fuja à abordagem de todas as questões centrais que hoje se colocam a Portugal e aos portugueses e que constituem as grandes preocupações que percorrem a sociedade portuguesa. Sabendo o que a casa gasta, é fácil de concluir que, na hipótese de o PS voltar a ser governo, teríamos mais do mesmo em relação a problemas como o desenvolvimento económico e a defesa do aparelho produtivo; o emprego; a repartição da riqueza – e tudo o mais que tem caracterizado a política do actual Governo.

Também na campanha de propaganda que tem acompanhado a divulgação do Programa, há uma evidente fuga à análise das causas da situação actual. A ideia, posta a correr, de que não vale a pena falar do passado, vamos mas é falar do futuro, reflecte bem a consciência que têm os que tal dizem do mal que fizeram e o medo que os assalta de que o eleitorado, em 27 de Setembro, lhes faça pagar a factura das suas malfeitorias.
É ainda essa consciência e esse medo que estão na origem da patranha, igualmente muito difundida por Sócrates e pelos seus propagandistas, de que até à crise estava tudo bem, depois veio a crise e ficou tudo mal. É falso: no caso de Portugal, o que a realidade inequivocamente mostra é que a crise global do capitalismo – grave, gravíssima, sem dúvida - veio agravar ainda mais a crise que por cá já era muito grave: o desemprego, a precariedade, os baixos salários, as pensões e reformas de miséria, os salários em atraso, o código do trabalho, a repressão sobre os trabalhadores, o abandono das micro, pequenas e médias empresas e dos agricultores (produtores de arroz, de azeite, de leite), enfim, a situação dramática em que vive a maioria dos portugueses – e que decorre, essencialmente, da política de direita praticada por sucessivos governos do PS e do PSD, sozinhos, de braço dado, ou cada um deles contando com o colaboracionismo do CDS/PP.

É claro que esta campanha falseadora da realidade e carregada de demagogia, não é património exclusivo do PS/Sócrates. Os restantes partidos da política de direita não lhe ficam atrás: o PSD fingindo nada ter a ver com a situação, assobiando para o lado em relação aos anos todos em que foi Governo, disfarçando-se de «alternativa», de «mudança», de «oposição ao PS», para tentar esconder os reais intentos de, se voltar ao Governo, prosseguir a política de direita comum aos dois; o CDS/PP, igual a si próprio: «criticando» a política que sempre apoiou e apoia para capitalizar votos com essa «crítica» e vender esses votos ao que der mais – seja o PS seja o PSD - num futuro Governo.
Quanto ao Bloco de Esquerda, prossegue com o seu mais do mesmo: o discurso «radical» enfeitando as vestes social-democratas, o foguetório, a demagogia e, acima de tudo, os altos favores da comunicação social dominante.
Nesse aspecto, estavam equivocados os que pensavam que esses favores dos média do grande capital ao BE tinham atingido o máximo na campanha para o Parlamento Europeu.
Como se lê, ouve e vê, o BE está todos os dias nos jornais, nas revistas, nas rádios, nas televisões, em notícias laudatórias sobre o que fez, o que pensa fazer, o que talvez venha a fazer, o que faria se..., o que de todo não fará mas se fizesse…; sucedem-se as entrevistas à maneira e à medida; abundam as «sondagens» e os «barómetros» que nem de encomenda – com tudo isto ficando sempre a pairar a pergunta sobre o que é que leva o grande capital a pôr os seus média inteiramente ao serviço deste partido de «extrema esquerda»…

Do outro lado de tudo isto – ou seja: do lado do combate, de facto, à política de direita ao serviço do grande capital e das propostas visando, de facto, uma política de esquerda ao serviço dos trabalhadores, do povo e do interesse nacional – está, ocupando o seu lugar de sempre, o PCP, que na próxima terça-feira fará a apresentação pública do seu Programa Eleitoral; está todo o trabalho de formação e apresentação de listas para os diversos órgãos autárquicos e de iniciativas públicas relacionadas com as eleições legislativas, envolvendo milhares de activistas da CDU por todo o País; está a construção da Festa do Avante! com a mobilização para as jornadas de trabalho voluntário e o esforço necessário para a venda das EP’s; está, enfim, a intensa e participada intervenção da CDU. Uma intervenção que a comunicação social dominante faz questão de silenciar ou de menorizar ou de deturpar, numa prática que, sendo normal e esperada, atinge agora níveis nunca antes vistos. O que se percebe: eles sabem das potencialidades de crescimento da CDU, e sabem que o reforço eleitoral da CDU é o único caminho certo e seguro para provocar a ruptura com a política de direita e dar a volta a isto. Daí tudo fazerem para impedir que isso aconteça.
Aos activistas da CDU cabe, com muito trabalho e muita confiança, trocar-lhes as voltas.


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