• Gustavo Carneiro

A Festa foi construída ao mesmo tempo que se preparavam as eleições
Jerónimo de Sousa saudou voluntários na Atalaia
Construtores do futuro
Jerónimo de Sousa esteve na Quinta da Atalaia, no sábado, a saudar os mais de mil voluntários que naquele dia ajudavam a erguer a Festa do Avante!. Para o Secretário-geral do Partido, o seu empenho, a sua entrega e a sua militância são os valores «mais nobres» que há na política.
Foram mais de mil os militantes e simpatizantes do PCP – centenas dos quais jovens – que estiveram no sábado na Quinta da Atalaia a construir a Festa do Avante!. Alguns, pela natureza das tarefas partidárias que desempenham, têm uma considerável notoriedade mediática, mas a grande maioria nunca apareceu num noticiário ou nas páginas dos jornais. Nem a tal aspira.
Mas são todos eles (e muitos mais que ali não estavam) que garantem a construção da Festa e o seu funcionamento, durante os três dias. E, o que é ainda mais importante, asseguram, quotidianamente, a acção e a intervenção do Partido.
Depois de uma manhã atarefada e de um almoço retemperador, os construtores ficaram pelo átrio do restaurante da Festa a aguardar a intervenção de Jerónimo de Sousa, chegado momentos antes de uma acção de campanha da CDU. E foi precisamente aos construtores da Festa que o dirigente comunista dedicou as suas primeiras palavras, para valorizar a presença de «muitos comunistas, muita juventude comunista e muitos amigos do Partido».
Para o Secretário-geral do PCP, a forma como a Festa do Avante! é construída demonstra que o Partido «está em condições de assumir todas as responsabilidades que o povo lhe entenda atribuir». Sempre com a «presença ímpar» da militância e da generosidade, do «resgatar daquilo que é mais nobre na política – servir os interesses dos trabalhadores e do povo e não nos servirmos a nós próprios». «Aqui está o exemplo, hoje, nesta festa em construção. Assim será no País.»
Jerónimo de Sousa considerou ainda «espantoso e impressionante» que o colectivo partidário tenha a capacidade de construir a Festa – de uma forma que considerou «ímpar, única no mundo» – ao mesmo tempo que são constituídas as listas, elaborados os programas e definidos os calendários.
Esta será, prevê o dirigente do PCP, «uma Festa diferente num ano excepcional». Que demonstrará o entusiasmo e a convicção dos comunistas, bem como a sua «força e capacidade de mobilização».

Coragem para mudar de rumo

Para o futuro, Jerónimo de Sousa realçou a necessidade de prosseguir na linha de «mobilização e empenhamento». As batalhas futuras assim o exigem. A primeira delas – as eleições legislativas – é de «grande importância, pois irá determinar muito da evolução do País nos próximos anos».
Recusando reduzir estas eleições a uma disputa entre o PS e o PSD, o dirigente comunista lembrou que não está em causa a eleição de um governo ou de um Primeiro-ministro, mas sim de 230 deputados. Resumir tudo a esses dois partidos, acrescentou Jerónimo de Sousa, é um «falso dilema», pois «se há questão nova nestas eleições é a CDU afirmar-se como força alternativa para executar uma política de esquerda».
A possibilidade de mudar de política, de «romper com esta caminhada para o desastre» e realizar a «mudança necessária na procura de uma vida melhor para Portugal e para os portugueses» é precisamente a «grande questão» a estar em causa a 27 de Setembro, garantiu o dirigente comunista.
Lembrando as afirmações de José Sócrates no congresso do PS, após a estrondosa derrota sofrida a 7 de Junho, de que não mudaria de rumo, Jerónimo de Sousa afirmou: «se quer manter o rumo e a política, não é preciso ser bruxo nem adivinho para imaginar que os resultados não vão ser diferentes.» Sócrates, prosseguiu o Secretário-geral do PCP, «resolveu penalizar os mais fracos mantendo intocáveis os grandes lucros». Algo que, garante, «não custa nada». «A grande coragem é enfrentar os poderosos, é lutar contra os seus privilégios e mordomias.»
PS e PSD, acusou, falam de apoiar as pequenas empresas, os trabalhadores e os reformados, «mas não dizem onde vão buscar o dinheiro». É que para haver essa ajuda, clarificou, é preciso tirar aos que «ficam com as mais-valias e com os lucros». Nos últimos quatro anos, lembrou Jerónimo de Sousa, as três principais empresas energéticas (Galp, EDP e REN) amealharam mais de 7 mil milhões de euros de lucros. Já os quatro maiores bancos privados somaram mais de 6 mil e 900 milhões.
Revelando que um pouco por todo o País «se confirma o respeito e a admiração em relação à CDU», Jerónimo de Sousa destacou que em alguns locais onde, há anos, «quando se falava em comunistas as pessoas se benziam três vezes, hoje há muita gente, muita juventude, a juntar-se à CDU e a fazer parte das suas listas».
A terminar, o Secretário-geral do Partido confessou estar convicto de que, «apesar destas múltiplas tarefas, para as quais temos que trabalhar acima das nossas possibilidades, com este esforço generoso que estão aqui a demonstrar, vamos ter uma grande festa e um grande resultado nas eleições». Depois do Avante Camarada e de A Internacional, como sempre cantadas emotivamente e a uma só voz, os voluntários voltaram ao trabalho.


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