Editorial

«Ano de luta e ano de reforço do Partido: assim será 2010»

O TRIGO DA LUTA E O JOIO DA TRADIÇÃO

Manda a tradição que nesta quadra o primeiro-ministro e o Presidente da República em exercício se dirijam aos portugueses com as suas tradicionais mensagens - de Natal e de Ano Novo, respectivamente.
A primeira foi cumprida por José Sócrates na passada sexta-feira, a segunda sê-lo-á por Cavaco Silva na sexta-feira que aí vem.
Depois, com o ano novo, ambos retomarão as funções correntes de cumprir e fazer cumprir a política de direita.
Porque, como a realidade nos mostra todos os anos, tais mensagens servem, essencialmente, no caso do primeiro-ministro, para louvar a sábia governação do seu Governo; no caso do Presidente da República, para despachar uns quantos sábios conselhos de inaplicabilidade previamente garantida; e no caso de ambos, para ambos se desdobrarem em pias manifestações de carinho, amor e solidariedade para com os mais desfavorecidos – fingindo não saberem que os mais desfavorecidos o são em consequência da política de direita que ambos apoiam e que ambos querem que prossiga.
É assim desde que, há trinta e três anos, o Governo PS/Mário Soares deu início à sinistra cavalgada destruidora que, ao arrepio da Constituição da República Portuguesa – Lei Fundamental do País, que todos eles juraram cumprir e fazer cumprir mas que nenhum deles cumpriu nem fez cumprir - depositou o poder económico nas garras do grande capital e o poder político nas mãos de conselhos de administração dos interesses do grande capital; condenou as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores a graus extremos de exploração; entregou a independência e a soberania nacional ao imperialismo norte-americano e europeu – assim avançando na destruição da mais avançada, progressista e moderna democracia que alguma vez existiu em Portugal.

Os governos de José Sócrates – ele o disse nas últimas cinco mensagens de Natal encomendadas pela tradição – têm sido inexcedíveis em todos os aspectos: «a enfrentar e a resolver os problemas do país»; «a melhorar as coisas», a «controlar as contas públicas», a «não ficar à espera que os problemas se resolvam por si próprios», a ter «confiança nas capacidades dos portugueses» - inexcedíveis, acima de tudo, nos avanços no sentido daquela que é a maior preocupação do primeiro-ministro e a menina-dos-olhos da sua governação: «a modernização do nosso país».
Os efeitos dessa inexcedibilidade e dessa modernização - que têm tantos anos quantos tem a política de direita – são visíveis na destruição do aparelho produtivo nacional; nos mais de 700 mil desempregados e mais de um milhão de vítimas da precariedade; nos baixos salários, pensões e reformas; nos salários em atraso; no ataque brutal aos direitos dos trabalhadores; nos mais de dois milhões de pobres; no empobrecimento crescente do conteúdo democrático da democracia de Abril…
E são visíveis, ainda, na situação dos grandes grupos económicos e financeiros – para os quais, com crise ou sem crise, faça chuva ou faça sol, o Governo assegura sempre lucros maiores.

No ano que agora finda, a classe operária e as massas trabalhadoras ergueram poderosas acções de luta que foram determinantes para impedir a política de direita de atingir todos os objectivos que se propunha.
A luta em geral e as grandes manifestações de massas realizadas durante o ano, trouxeram para a rua o descontentamento de centenas de milhares de trabalhadores e a exigência de uma ruptura com a política de direita como caminho único para resolver os muitos e graves problemas que afectam os trabalhadores, o povo e o País.
E todo esse poderoso processo de luta foi crucial, se não para derrotar definitivamente a política de direita, pelo menos para a enfraquecer consideravelmente com a retirada da maioria absoluta ao Governo PS/José Sócrates, actual executante dessa política.
A confirmar que é esse o caminho – e a indicar que, no ano que aí vem, a resposta necessária à política de direita está na intensificação e ampliação da luta, atraindo a ela novos segmentos das massas trabalhadoras e conferindo-lhe, assim, a força e a dinâmica necessárias.

No que respeita ao Partido e ao seu sempre necessário reforço, o ano que está a chegar ao fim deve ser visto como altamente positivo.
O colectivo partidário, superando as enormes dificuldades e obstáculos que se lhe depararam, levou por diante, com êxito, as três grandes batalhas eleitorais a que foi chamado, participando intensamente nas respectivas campanhas, fazendo chegar a milhares e milhares de cidadãos a mensagem e as propostas do Partido e da CDU – e realizando acções de massas de invulgar envergadura, como foram a Marcha Protesto, Confiança e Luta e os comícios do Campo Pequeno, do Templo de Diana e do Palácio de Cristal.
Ao mesmo tempo, os militantes comunistas, enquanto membros do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, deram o seu contributo indispensável e decisivo na organização e concretização das lutas dos trabalhadores – podendo dizer-se que eles estiveram em todas as lutas realizadas no País durante este ano.
Ao mesmo tempo, ainda, esses mesmos militantes construiram aquela que é a maior, a mais participada e a mais bela realização político-partidária nacional: a Festa do Avante! – só possível de construir na base da militância revolucionária, logo só possível de construir pelo PCP.
A confirmar que, no ano que agora vai chegar, o reforço orgânico, ideológico e interventivo do Partido se apresenta como tarefa primordial para o grande colectivo partidário comunista.
Ano de luta e ano de reforço do Partido: assim será 2010.


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