A propósito dos feriados
A crise «aterrou» em Portugal e, apesar das notícias de retoma económica com que o governo e o seu «rebanho» tentam ludibriar a opinião pública, para uma percentagem cada vez maior de portugueses o sacrifício veio para ficar.
Os inúmeros politólogos e economistas de «encomenda» que enchem os blocos noticiosos andam atarefados a tentar encontrar «soluções» que ponham fim a este tormento. Curioso notar que todos, sem excepção, vão beber à mesma fonte onde os sacrificados são, uma vez mais, os trabalhadores. Todos eles seguem a linha da retirada de direitos dos trabalhadores e apontam a contenção salarial, o aumento da carga horária, o lay-off, os despedimentos e, ainda, os benefícios fiscais para as empresas, as privatizações, a venda de património público, etc, etc...
Uma nota. Se são estas as soluções para a crise não deveríamos ter já uma economia forte e robusta?! Portugal não tem feito outra coisa desde o primeiro governo de Mário Soares em 1976. Adiante.
Há, no entanto, uma nova corrente de pensamento revelada pelo Presidente da Associação Empresarial de Portugal que identificou a causa de todos os nossos problemas. A crise pode ter os dias contados. Não, não é a corrupção. Também, não são os salários milionários dos gestores de empresas públicas nem, mesmo, a especulação financeira. A causa da nossa angústia são... os feriados. É verdade! O País atravessa esta crise porque os portugueses em vez de trabalhar passam a vida a festejar feriados. Eu que o diga, no espaço de oito dias passei dois «sem fazer nenhum». Tudo bem que foram os dois únicos feriados que o «tio Belmiro» (epíteto carinhoso do patrão da Sonae) me deu durante o ano. Mas, não deixa de ser um exagero. Um feriado por ano é mais que suficiente. Sim, porque os trabalhadores das grandes superfícies ainda têm dois feriados por ano (Natal e Ano Novo). Muitos são os casos em que os trabalhadores só podem gozar feriados se tiverem folga nesse dia. Mas, não me admirava que o Presidente da Associação Empresarial de Portugal, também, quisesse acabar com as folgas.
Por todas estas razões venho demonstrar o meu «apoio» a esta nova corrente de pensamento. E afirmo: O combate à política de direita não tem feriados nem pausas para descanso. Vamos lutar pelos direitos dos trabalhadores, pelos nossos direitos. Vamos mudar de política. Por Abril. Pelo Socialismo. Por Portugal. Um PCP mais forte.

● Fernando Marques


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