Editorial

«O êxito das lutas das últimas semanas é um sinal positivo para as lutas futuras»

REFORÇAR O PCP – REFORÇAR A LUTA

A semana ficou tragicamente marcada pela terrível catástrofe que espalhou a destruição, o sofrimento, a dor, a morte, na Madeira – e ficará também assinalada pela imediata e generalizada solidariedade para com as vítimas da tragédia e pelo exemplo de fraterna entreajuda dado pela população madeirense, fazendo frente à situação e procurando superá-la com determinação e coragem notáveis.
A verdadeira dimensão da tragédia está, porventura, ainda longe de ser apurada, pelo que se impõe o prosseguimento da acção solidária, nela incluído um indispensável programa efectivo de apoio às populações, de forma a não deixar que, a exemplo do que em situações semelhantes tem acontecido, passados os piores momentos e salvaguardadas as aparências, as vítimas sejam esquecidas.
Tudo isso, também, impondo a necessidade de ter presente que, se é certo que as tragédias naturais são inevitáveis, não é menos certo que as suas consequências podem ser consideravelmente atenuadas com medidas preventivas de todos conhecidas, mas que, amiúde, são preteridas pelos negócios próprios de um modelo económico em que prevalece o lucro e a sua rápida acumulação - como este caso confirma inequivocamente.
O Avante!, ao mesmo tempo que expressa o seu pesar às famílias de todos os que perderam a vida nesta tragédia, manifesta a sua solidariedade e saúda fraternalmente a população da Madeira e, de forma muito especial, os militantes comunistas da Região Autónoma.

Outras tragédias ocorrem, entretanto, no nosso País - estas não naturais, mas sim consequência directa da política de direita que há mais de três décadas tem vindo a fustigar os direitos e os interesses dos trabalhadores e do povo e a encher cada vez mais os bolsos dos chefes dos grandes grupos económicos e financeiros.
É assim que, num quadro em que a situação económica e social se agudiza; em que o desemprego cresce – e, pela primeira vez desde que existe a actual série estatística do INE, a taxa de desemprego em termos restritos ultrapassa os 10%; em que essa forma brutal de violação dos direitos humanos que é a precariedade tende a generalizar-se; em que a ofensiva contra os salários dos trabalhadores e a idade da reforma assume contornos perversos e se ensaia o ataque ao 13.º mês; em que o chamado Programa de Estabilidade e Crescimento faz temer novos e profundos retrocessos em matéria de salários e de direitos dos trabalhadores; em que, por tudo isso, se agravam as condições de vida da imensa maioria dos portugueses e a pobreza e a miséria alastram - neste quadro sombrio, a Banca, triunfante, anuncia com insultuoso despudor, que os seus lucros atingem os 5 milhões de euros por dia, e os três partidos da política de direita preparam-se para aprovar um Orçamento de Estado que visa prosseguir e acentuar essa política que é causa essencial da grave situação existente.

O quadro acima exposto coloca cada vez mais na ordem do dia a importância do desenvolvimento e da intensificação da luta de massas, caminho primordial da resposta que se impõe e da conquista da alternativa necessária.
Nesse sentido, as lutas e as acções de massas concretizadas nas últimas semanas constituem um sinal altamente positivo no que respeita às potencialidades existentes.
Com efeito, as grandiosas manifestações dos enfermeiros e dos trabalhadores da Administração Pública, bem como as lutas travadas em dezenas de empresas com significativos graus de adesão, fazem prever êxitos semelhantes para as lutas do futuro imediato, designadamente as acções descentralizadas em curso, promovidas pela CGTP-IN; a greve dos trabalhadores da Função Pública, marcada para a próxima quinta-feira e a manifestação dos jovens trabalhadores, convocada pela Interjovem para 26 de Março – para além, naturalmente, da muito grande jornada de luta que, como tudo faz prever, será a comemoração do 1º de Maio.
Sublinhe-se o facto por demais elucidativo de todas estas lutas serem erguidas a pulso pelos trabalhadores: superando obstáculos e dificuldades gigantescas; enfrentando ameaças, chantagens e represálias; rechaçando corajosamente e com elevada consciência de classe, a teia envolvente da intensa ofensiva ideológica com a qual os propagandistas ao serviço do grande capital pretendem manietá-los, pregando as inevitabilidades, decretando a inutilidade da luta, inventando e instilando a divisão, enfim justificando a exploração e apresentando a sua acentuação como ordem natural das coisas

É neste contexto que o colectivo partidário comunista tem vindo a levar por diante, em todo o País, um vasto e diversificado conjunto de iniciativas, nomeadamente: as acções no âmbito da campanha «Lutar contra as Injustiças, exigir uma vida melhor»; o Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores da JCP; a realização de várias assembleias das organizações; a iniciativa com a qual, em Montemor-o-Novo, se assinalou o 35.º aniversário desse «momento marcante da história do nosso País, em que os assalariados agrícolas do Sul avançaram audaciosamente no caminho da construção concreta da Reforma Agrária e substituíram o desemprego e a miséria pela produção, o trabalho e o pão», como sublinhou o camarada Jerónimo de Sousa.
Iniciativas que os média do grande capital ignoram, levando mais longe do que nunca a sua prática de sectária marginalização do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores.
Tudo isto, mostrando a necessidade de o colectivo partidário dar mais força ao reforço do Partido e de se empenhar ainda com maior determinação na implementação do conjunto de medidas e orientações constantes da acção Avante! Por um PCP mais forte.


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