Breves
Madeira
Abusos de entidades patronais depois da catástrofe na Madeira foram detectados pela União dos Sindicatos da Madeira que reclamou a intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho, para fiscalizar empresas cuja laboração parou, que estão a impor salários em atraso e a despedir trabalhadores. O dirigente da união, Álvaro Silva, revelou à Lusa haver empresas que não tiveram prejuízos mas mandaram os trabalhadores para casa, apenas com a garantia verbal de regresso ao trabalho mas sem qualquer documento que o comprove. O sindicato teme que os empregadores os dispensem depois, alegando faltas injustificadas.

Braga
Uma iniciativa dos deputados do PS no distrito de Braga, agendada para dia 4, o mesmo dia da greve nacional na Administração Pública, intitulada «Prioridade ao emprego», levou a União dos Sindicatos de Braga a endereçar uma carta ao deputado socialista eleito pelo distrito, Miguel Laranjeiro, informando que não estaria presente naquela acção por dar total prioridade à greve nacional da Frente Comum. A união fez votos para que daquela iniciativa saissem propostas e decisões de combate ao desemprego e à destruição do aparelho produtivo da região, à precariedade, à violação de direitos, e aos «factores negativos do Código do Trabalho que aprovaram».

<i>Estoril Sol</i>
A intervenção do Presidente da República junto do Governo foi solicitada, segunda-feira, por carta, pela Comissão de Trabalhadores (CT) da Estoril Sol, no propósito de evitar o despedimento colectivo de 112 trabalhadores no Casino Estoril. A carta foi entregue à esposa de Cavaco Silva, durante uma celebração do Dia Internacional da Mulher, naquele casino. A CT vai entregar uma providência cautelar no Tribunal de Cascais, a 14 de Abril, se, naquela data, for concretizada a primeira de três fases de despedimentos, estando as outras duas previstas para 29 de Abril e 1 de Junho. Providência semelhante apresentada no fim de Fevereiro foi recusada pelo mesmo tribunal.

<i>Investvar</i>
A passagem temporária dos trabalhadores da DCB (Grupo Investvar, que até ao final de Fevereiro trabalhava a marca norte-americana de calçado Aerosoles) para a nova empresa Move-on «deve merecer as mais sérias reservas», alertou a Comissão Concelhia de Ovar do PCP. Em comunicado aos trabalhadores, os comunistas apelaram a que estes «não assinem nenhum documento que possa comprometer direitos fundamentais» e que permaneçam «atentos, unidos, exigindo igualmente um maior envolvimento do sindicato». Em vez da transferência temporária, a Move-on não poderia pagar o serviço directamente à DCB? Se esta encerrar, o que acontecerá aos trabalhadores eventualmente transferidos para a Move-on, que só promete trabalho até Abril? Ou estaremos perante «uma manobra englobada na estratégia de deslocalização de toda a produção para a Índia, despedindo centenas de trabalhadores e fugindo ao pagamento das justas indemnizações?» - questiona o PCP.

<i>Tecialgo</i>
A insolvência da Tecialgo, que no último trimestre de 2009 tinha entrado em processo de fusão com a Coelima, numa nova Tintrofa, foi publicada oficialmente a 25 de Fevereiro. A esse propósito, a Direcção da Organização Regional do Porto do PCP assinalou que os trabalhadores foram encaminhados para o desemprego e recordou que a fusão, anunciada a par de financiamentos do «Fundo Autónomo de Apoio à Concentração de Empresas», tinha como fundamento a defesa da viabilidade e a do emprego. A falida, segundo foi tornado público, apresentava um capital próprio de 5,3 milhões de euros, muito superior ao passivo de três milhões. Só em 2002, recorda a DORP, as três empresas agora em fusão tinham recebido mais de 7,5 milhões de euros de verbas públicas.

Corroios
Junto à casa da proprietária da João Baltazar & Andrade, em Corroios, teve lugar no dia 5 um protesto dos trabalhadores, contra o encerramento e a falta de pagamento de salários. A acção contou com a solidariedade do PCP, da Junta de Freguesia e das estruturas sindicais da construção civil.

<i>Cofaco</i>
Vai encerrar dia 15 a fábrica de conservas da Cofaco no Faial. A decisão, anunciada dia 2, numa reunião da administração com representantes do governo regional e da União dos Sindicatos da Horta, da CGTP-IN, deixa no desemprego a maioria dos 42 trabalhadores, uma vez que apenas oito destes acederam à proposta da empresa, de transferência para a unidade fabril instalada na ilha do Pico. João Decq Mota, dirigente da USH, criticou a passividade do poder político neste problema.

<i>Outras Matérias</i>
Uma vigília, à entrada da fábrica de calçado Outras Matérias, em Raiva, Castelo de Paiva, foi iniciada a 7 de Março pelos seus 54 trabalhadores. O patrão, refere a agência Lusa, deu início a um processo de insolvência sem informar os funcionários, que procuram agora evitar o desaparecimento do património da firma. Uma trabalhadora contou que a produção parou há cerca de um mês e o pessoal foi mandado para casa, julgando que seria por uns dias. Mas operários que vivem perto da empresa repararam que um camião esteve ali, a carregar qualquer coisa, e deram o alerta aos camaradas. Em dívida estão os subsídios de férias e de Natal de 2009, os salários de Fevereiro e trabalho extraordinário, que, nalguns casos, chega a 500 horas. Sandra Vieira contou que a empresa, ainda há pouco, recebeu uma encomenda de mais de quatro mil pares de sapatos e o cliente quer saber se vai receber o material, mas não consegue descobrir o patrão.

<i>Oliva</i>
A suspensão da produção da metalúrgica Oliva, de São João da Madeira, deverá terminar amanhã, mas a assembleia de credores decidiu, a 26 de Fevereiro, adiar para 25 de Março uma decisão sobre o futuro da empresa, devido a um requerimento da Segurança Social, que se queixou do desempenho do gestor judicial da insolvência. Todas as terças e quintas-feiras, de manhã, os 184 trabalhadores têm-se concentrado à entrada da fábrica, reafirmando que continuam dispostos a trabalhar e empenhados na defesa da empresa e dos postos de trabalho.