Contra a limpeza étnica
Palestinianos e israelitas manifestam-se
Cerca de cinco mil pessoas concentraram-se, sábado, 6, em Jerusalém Leste, contra a construção de mais colonatos judeus e a expulsão dos árabes do centro histórico da cidade que, defendem, deve ser a capital de dois estados soberanos e iguais.
Num protesto apoiado pelo Partido Comunista de Israel, os participantes uniram bandeiras palestinianas e israelitas e acusaram Israel de procurar impedir a paz entre os dois povos através da implantação de mais colonatos, a destruição de ícones religiosos e a manutenção da ocupação da cidade.
Nos últimos seis meses, os activistas da paz israelitas têm-se manifestado todas as sextas-feiras contra a expulsão dos palestinianos. No início de Março, os activistas pediram autorização à polícia para se concentrarem no bairro de Sheikh Jarrah, mas as autoridades negaram argumentando que a resistência à desocupação de casas habitadas por árabes israelitas tem resultado em confrontos.
Obrigados a realizarem a iniciativa num campo de futebol rodeado por um muro, os promotores do protesto viram o Supremo Tribunal dar-lhes razão dizendo que «a polícia está a proceder a um retrocesso de 30 anos no direito de manifestação».

Criminalização

Entretanto, Israel anunciou a construção de outras 112 habitações para colonos em Beitar Ilit, na Cisjordânia, violando, deste modo, uma moratória decretada o ano passado que impedia a medida.
Simultaneamente, o parlamento de Telavive aprovou uma lei que proíbe a celebração da Nakba, dia em que os palestinianos assinalam a limpeza étnica levada a cabo por Israel, em 1948, aquando da criação do Estado sionista. Todos os que, no próximo 15 de Maio excedam os limites da manifestação de tristeza e luto impostos pelos legisladores israelitas, serão sancionados.

Diálogo sem futuro

Ainda esta semana, a direcção da Organização de Libertação da Palestina aceitou realizar negociações indirectas com Israel. A chamada retoma do processo de paz, parado há mais de um ano na sequência da agressão israelita contra a Faixa de Gaza, serão mediadas pelos EUA.
A ratificação desta decisão pelo Comité Executivo da OLP não foi, porém, unânime, já que o Partido Popular da Palestina e a Frente Popular de Libertação da Palestina, membros da organização, opuseram-se às negociações indirectas considerando que não existem condições para conversações credíveis e frutuosas enquanto Israel mantiver a política de limpeza étnica, bloqueio, agressão e criminalização da resistência e dom protesto.


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