Editorial

«O PCP continuará na primeira fila da luta necessária»

FORAM MAIS DE 300 MIL

Foram mais de 300 mil a dizer «Basta!» á política de direita e a exigir um outro rumo para Portugal - e esse é o primeiro aspecto a destacar da histórica manifestação de sábado passado.

Vinda de todo o País, a imensa multidão ocupou o centro de Lisboa durante várias horas, gritando o seu protesto contra uma política que tem como exclusivos beneficiários os grandes grupos económicos e financeiros e faz dos trabalhadores, do povo e do País as suas vítimas preferenciais.

Os milhares de panos e cartazes transportados pelos manifestantes assinalavam cirurgicamente as suas preocupações, os seus objectivos, os seus anseios e aspirações.

Lá estava a recusa enérgica do «PEC do PS/PSD/Capital» e das ainda mais sinistras «medidas adicionais»; a rejeição do roubo nos salários e pensões, do aumento dos preços, dos cortes no subsídio de desemprego e nas prestações sociais; o protesto contra o desemprego, a precariedade, o roubo de direitos; a exigência da contratação colectiva e do pagamento dos salários em atraso; as reivindicações locais de reabertura de postos médicos; o repúdio pelas privatizações que delapidam o Estado e a economia nacional e enchem os bolsos dos capitalistas.

Lá estava a rejeição inequívoca desta política de desastre nacional que há longos 34 anos tem vindo a flagelar a imensa maioria dos portugueses e que, agora, numa escalada sem precedentes, eleva a níveis antes inimagináveis o seu carácter anti-popular, anti-social, antidemocrático.

Lá estava a exigência de liberdade e democracia, do fim dos atropelos aos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos, da reposição dos valores de Abril na nossa vida colectiva.

Lá estava o enérgico repúdio por uma política que, no desrespeito e no desprezo pela Constituição da República Portuguesa, vende a retalho a soberania e a independência nacional e assume um incontestável carácter antipatriótico.

E lá estava a exigência de uma nova política, de esquerda, que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que afectam os trabalhadores e o povo, que sirva o interesse nacional – que é o interesse do povo - e não os interesses exclusivos dos grandes grupos económicos e financeiros.

 

Foi a maior manifestação das últimas décadas, uma das maiores de sempre realizadas no nosso País – e que «ficará como um marco na história do movimento operário e sindical», nas palavras do camarada Jerónimo de Sousa, na entrevista de hoje ao Avante!

E esse é um dado irrefutável para qualquer observador que faça da observação um exercício de seriedade e de verdade.

Coisa que, como a experiência mostra, raramente acontece com os propagandistas da política de direita, mercenários directos ou indirectos do grande capital, cujos critérios de observação correspondem apenas e só à satisfação dos desejos de quem, directa ou indirectamente, lhes paga. Assim aconteceu com alguns desses observadores que se ridicularizaram com elucubrações patetas e patéticas sobre a dimensão e o conteúdo da manifestação. Manifestação que foi, de facto, por muito que isso desagrade a esses observadores, a maior das últimas décadas; que foi, de facto, uma clara e massiva condenação da política de direita; que foi, de facto, e acima de tudo, uma poderosa afirmação da disponibilidade de luta por parte de centenas de milhares de trabalhadores. De uma luta que se sabe ser difícil, complexa, longa, e à qual a manifestação de sábado veio dar um poderoso estímulo; de uma luta que é necessário intensificar e ampliar e de que a manifestação do dia 29 constituiu um novo primeiro passo, já que entre os seus participantes se encontravam muitos e muitos trabalhadores que até agora, por razões diversas, tinham estado afastados da luta. E esse é, sem dúvida, outro dos aspectos relevantes a destacar nesta grandiosa jornada de luta promovida pela CGTP-IN, na medida em que a adesão destes novos sectores das massas trabalhadoras constitui um promissor sinal em relação ao futuro da luta.

 

Insista-se: desta impressionante manifestação da força organizada dos trabalhadores emerge, decisiva, a conclusão de que a luta vai continuar - mais forte porque impulsionada e estimulada pelo impacto da jornada de 29; mais forte porque mais participada; mais forte porque são mais os que, com confiança e convicção, se manifestam disponíveis para combater a política de desastre nacional levada a cabo por PS, PSD e CDS/PP (este, de momento, a representar o papel de fingir que se opõe ao que sempre defendeu e defende).

No que toca ao PCP, ele continuará a assegurar o seu lugar na primeira fila dessa luta necessária.

E fá-lo-á dando o seu contributo, através da acção dos seus militantes no movimento sindical e noutras estruturas representativas dos trabalhadores, para o desenvolvimento e intensificação da luta de massas.

Fá-lo-á através da sua intervenção própria, enquanto partido da classe operária e de todos os trabalhadores, dando continuidade às múltiplas iniciativas em curso no âmbito da campanha nacional «500 acções contra o PEC».

Fá-lo-á através dos desfiles anunciados para as cidades de Lisboa, Évora e Porto, nos próximos dias 17, 18 e 19 de Junho; desfiles em defesa do emprego, da produção nacional, da justiça social, da soberania nacional e por uma política patriótica e de esquerda – objectivos que são, afinal, os mesmos que estiveram presentes na histórica manifestação de sábado.

E que continuarão a estar presentes na luta que aí vem e que prosseguirá - «demore o tempo que demorar» - até à conquista da ruptura e da mudança.


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