«É muito o que devemos ao Companheiro Vasco»
Homenagem ao General Vasco Gonçalves
Defensor dos ideais de Abril

Os cinco anos da morte do general e primeiro-ministro de quatro governos provisórios Vasco Gonçalves, figura maior da Revolução de Abril, cuja memória ficará para sempre nos corações dos trabalhadores e do povo português, foram assinalados, sexta-feira, com uma romagem à sua campa, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa. Esta iniciativa, momento de grande confiança e combatividade, onde estiveram cerca de três centenas de pessoas, contou com as intervenções, que transcrevemos na íntegra, de José Casanova, director do Avante!, do Coronel Nuno Pinto Soares e de Maria João Gonçalves, filha do Companheiro Vasco.

 

José Casanova

 «Vasco, amigo, o povo está contigo»

 

Há cinco anos estivemos aqui e aqui deixámos o nosso imenso adeus ao general Vasco Gonçalves, ao Companheiro Vasco: um imenso adeus feito de muita amizade e muita admiração; feito de sentida tristeza e de profunda saudade – um imenso adeus feito da justiça social, da liberdade, da fraternidade, da solidariedade que são parte constitutiva dos ideais de Abril.

Hoje voltamos aqui com a mesma amizade e admiração, com a mesma tristeza e saudade, e sempre tendo como referência esses mesmos ideais, dos quais não só não prescindimos como deles fazemos bandeiras da luta por Abril que todos os dias continuamos.

E aqui recordamos e saudamos a memória do Companheiro Vasco, o seu exemplo de dignidade e de verticalidade, de frontalidade e de lealdade, de coragem e de patriotismo, de inteligência e de cultura, de modéstia e de vontade de saber, de lucidez e de coerência – características e qualidades que ele sempre complementou com uma postura de fraterna solidariedade.

Vasco é nome de Abril.

Na verdade, da memória do 25 de Abril de 1974 construído pelos heróicos capitães de Abril – desse tempo novo de povo feliz nas ruas conquistando as liberdades através do seu exercício e dando os primeiros passos no caminho do processo revolucionário que fez da Revolução de Abril o momento mais luminoso e de maior modernidade da nossa história colectiva – emerge, límpida e transparente, a figura ímpar de Vasco Gonçalves, como o mais puro e fiel intérprete dos ideais libertadores e transformadores de Abril.

Os quatro governos provisórios de que, durante 14 meses, foi primeiro-ministro por decisão do MFA, corresponderam ao período mais exaltante, inovador, criativo e avançado do processo revolucionário.

Certamente porque, com Vasco Gonçalves, com o Companheiro Vasco, pela primeira e única vez Portugal teve um primeiro-ministro que se identificava totalmente com os interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Certamente porque, com o primeiro-ministro Vasco Gonçalves, os trabalhadores, os mais desfavorecidos, os mais injustiçados, viram os seus legítimos direitos respeitados e as suas condições de vida significativamente melhoradas.

Certamente porque, com esse primeiro-ministro, se avançou para as grandes conquistas da Revolução: as nacionalizações, o controlo operário, a reforma agrária, a descolonização.

Certamente porque, com Vasco Gonçalves como primeiro-ministro, se deram os primeiros grandes passos para a construção da democracia de Abril: uma democracia amplamente participada – como nunca antes havia existido e nunca depois voltou a existir – em que a opinião dos trabalhadores e dos cidadãos era estimulada, ouvida, considerada - e, por isso, contava.

Certamente, porque o sentido e o conteúdo da política dos governos presididos por Vasco Gonçalves estão impressivamente presentes na Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976, também ela uma conquista de Abril – e que é um dos mais belos textos da língua portuguesa e o mais fiel retrato da Revolução.

 

Imensa dívida de gratidão

 

Todos sabemos que é muito o que devemos ao Companheiro Vasco, todos sabemos que temos para com ele uma imensa dívida de gratidão – que é tanto maior quanto maiores são as diferenças entre esse tempo novo de Abril que Vasco Gonçalves protagonizou e o tempo velho de hoje, tempo de impiedoso ajuste de contas com os ideias de Abril e as conquistas da sua Revolução.

E as diferenças são bem visíveis: à política dos governos presididos por Vasco Gonçalves, que tinha como referência e preocupação primordiais o respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal, sucedeu, desde há mais de três décadas, desde o primeiro governo PS/Mário Soares até hoje, a política que tem como único e exclusivo objectivo servir fielmente os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros; à política que visava a eliminação das desigualdades e injustiças sociais, sucedeu esta política actual, que acentua e agrava essas desigualdades e injustiças; à política patriótica de defesa da soberania nacional, contrapõe-se, hoje, a política de sujeição servil aos ditames das grandes potências, de venda a retalho de parcelas significativas do nossa independência; à política de paz, que pôs termo às guerras coloniais e proclamou a solidariedade com todos os povos, sucedeu esta política de envolvimento de Portugal em criminosas guerras de ocupação colonialista que tornam os governos que a executam co-responsáveis no assassinato de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.

Isto é: a democracia de Abril, moderna, progressista, participada, do povo e para o povo, virada para o futuro, e da qual Vasco Gonçalves foi um dos grandes construtores, foi substituída por uma democracia velha, de fachada, de faz-de-conta, cada vez mais carenciada de conteúdo democrático, de costas viradas para Abril e de olhos postos no passado de exploração e de opressão; o regime democrático nascido de Abril e moldado de acordo com os interesses da imensa maioria dos portugueses, foi substituído por este regime de política única nascido da contra-revolução, moldado ao sabor dos interesses da imensa minoria dos portugueses, ou seja, do grande capital explorador e opressor.

Por tudo isso – pela sua vida, pela sua obra, pelo seu exemplo - o general Vasco Gonçalves ganhou lugar, para sempre, na memória e no coração dos trabalhadores e do povo português – e, pelas mesmas razões, é objecto do ódio dos grandes e poderosos e dos seus servidores, que não lhe perdoam ter sonhado e lutado por um Portugal de justiça social e de liberdade.

Por tudo isso, ele foi admirado por figuras maiores da cultura portuguesa, grandes artistas e escritores; por poetas que o cantaram – entre eles, Eugénio de Andrade, falecido dois dias após o falecimento do General, e de quem aqui quero recordar o belíssimo poema «O Comum da Terra».

 

«Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.

Quem conheça o sul e a sua transparência

também sabe que no verão pelas veredas

de cal a crispação da sombra caminha devagar.

De tanta palavra que disseste algumas

se perdiam, outras duram ainda, são lume

breve arado ceia de pobre roupa remendada.

Habitavas a terra o comum da terra, e a paixão

era morada e instrumento de alegria.

Esse eras tu: inclinação da água. Na margem

ventos areias mastros lábios, tudo ardia»

 

Por tudo isto, grandes políticos, com papel preponderante na resistência ao fascismo e na Revolução de Abril, manifestaram profundo reconhecimento pelo seu papel – entre eles, Álvaro Cunhal, que a morte levou também dois dias depois de nos ter roubado o Companheiro Vasco, e que dele disse, referindo o fim do V Governo Provisório, com a exoneração de Vasco Gonçalves do cargo de primeiro-ministro e de efectivas responsabilidades militares:

«Conseguiram arredar do poder aquele contra o qual, utilizando os mais indignos meios e campanhas, tinham movido uma guerra sem quartel.

Sem quartel, porque, firme e corajoso, durante mais de um ano Primeiro-Ministro nos tempos cruciais da revolução, deu tudo de si próprio para que em Portugal fosse criada uma sociedade mais justa e melhor.

«Sempre com o povo, que o aclamava “força, força, companheiro Vasco/nós seremos a muralha de aço”.

«Afastaram o general, afastaram o Primeiro-Ministro. Não afastaram o “companheiro Vasco” do coração de muitas e muitas centenas de milhares de portugueses e portuguesas para quem a gratidão não é uma palavra vã.»

Por tudo isto, o general Vasco Gonçalves era, é, será para sempre, o que a linguagem certeira do povo decidiu que seja: «Vasco, amigo, o povo está contigo»; ou «Companheiro Vasco»; ou simplesmente «o general»; ou, talvez ainda mais sentidamente, apenas e só «Vasco» - Vasco, nome querido entre os mais queridos; Vasco nome nosso entre os mais nossos - por isso nome que se escolhe para dar aos filhos. Vasco, nome de Abril. Sempre.

 

Maria João Gonçalves

«Homenageamos o nosso pai»

 

Estamos muito, muito gratos a todos os presentes. É com profunda emoção que vos agradecemos estarmos juntos aqui nesta homenagem ao nosso pai, Vasco Gonçalves, hoje, no quinto aniversário da sua morte.

Falar sobre o pai não é fácil. Um pai que teve uma dimensão pública que, como ele disse várias vezes, « (...) um militar que a coragem e o patriotismo dos nosso jovens oficiais fizeram sugerir para o cargo de primeiro-ministro (...)» e que, nessa qualidade, se manteve igual a si próprio, igual ao homem que conhecemos como nosso pai: os mesmos princípios morais e políticos o nortearam, a ética, o espírito de missão, a seriedade, o rigor, a frontalidade, a transmissão do conhecimento, o debate de ideias, o diálogo, firmeza, a capacidade de decisão. E, sempre, sempre, acalentando o enorme sonho de transformação da sociedade e da vida dos portugueses!

O 25 de Abril foi para ele a expressão dos ideais que abraçara na sua juventude: o derrube da ditadura fascista e a transformação do País numa sociedade mais justa, livre e democrática, onde a distribuição da riqueza criaria melhores condições de vida para os mais desfavorecidos, os trabalhadores teriam direitos proporcionais à sua participação na criação dessa riqueza, acesso ao ensino, à cultura, onde o homem teria, verdadeiramente, a possibilidade de se realizar.

Ao tornar-se militar, fê-lo consciente da contradição existente entre integrar as Forças Armadas, então ao serviço da ditadura, e o possível papel que estas poderiam desempenhar no seu derrube.

Por outro lado, os princípios militares fundamentais, designadamente a honra, o espírito de missão, a lealdade, a camaradagem, entre outros, coincidiam com os valores com que fora educado pelo nosso avô Vitor e pelo seu professor, Carlos Alberto de Figueiredo, também ele oficial do exército, e que aqui é justo, pela influência que teve na sua formação intelectual e opção militar, bem como pela imensa amizade que nosso pai lhe dedicava.

Na Engenharia, como ele mesmo disse,«(...) encontrava a conciliação perfeita entre a ciência e a técnica (...)». Contudo, é fundamental referir que isso não significava nenhum dualismo entre «(...) o civil e o militar. Para mim nunca houve essa dualidade. Houve sempre o predomínio de um ideal que juntava a paixão pelo conhecimento, pela matemática, pela minha profissão de engenheiro militar, com o desejo de transformação da sociedade(...)».

 

Contribuir para a ditadura fascista

 

Resolveu aquela contradição no dia a dia da sua vida de engenheiro militar, através de uma profunda dedicação ao trabalho, através do rigor e da exigência com que se empenhava na sua execução, e, na enorme dedicação aos soldados. Uma das escolas da sua formação foi, precisamente, a vida militar, a tropa e a vida com os soldados. Pelas suas palavras «( ...) Esse contacto directo tornou-se também determinante para a formação das minhas ideias políticas, porque eu conheci concretamente o povo português que era ali o povo fardado. Eu ensinava tudo aos meus soldados, desde noções básicas de comportamento moral e cívico até simples regras de higiene como tomar banho, etc, procurando contribuir para a sua formação humana e para a sua emancipação. Isto no aspecto da defesa e promoção da dignidade humana dos nossos militares. Depois havia a dimensão cultural: comprava livros que os ajudassem ... Em resumo a minha maior preocupação foi sempre ajudar a formar homens o mais possível livres e responsáveis (…)».

Manteve-se na carreira militar na expectativa de poder vir a contribuir para a queda da ditadura fascista, sustentada pelas Forças Armadas onde ingressara, sabendo que a vida por que optara, iria ser dura, difícil.

E sobre isso logo alertou a que viria a ser a sua terna, firme, corajosa e amorosa companheira: a Aida, a nossa mãe. A jovem beirã, do Fundão, de uma grande inteligência e sensibilidade, mas rebelde, que não queria «ficar dependente de nenhum homem», apaixonou-se pelo Vasco, que defendia com ardor a igualdade de género.

Permitam-nos que lhe prestemos, também hoje, uma homenagem pelo seu valor enquanto mulher, companheira, mãe e avó, e que reproduza as palavras que sobre ela escreveu o actual director do jornal do Fundão aquando da sua morte: «(...) Era sempre uma senhora afável e de grande sobriedade, com uma enorme sensibilidade social que fez sempre da amizade um valor absoluto... recebia todos com um sorriso de afecto e extrema amabilidade e transmitia ao mesmo tempo, uma determinação inabalável que era também a imagem de absoluta serenidade(...)».

A Aida foi um verdadeiro carvalho beirão que ladeou o nosso pai e sempre se lhe dedicou, firme no apoio, no incentivo, na retaguarda de Vasco. Que estendeu, enredou e adubou as raízes da família e dos amigos que envolveram e acompanharam nosso pai.

Quanto a ele, até ao dia 25 de Abril foi sempre um homem amargurado, de semblante carregado, triste. Muito ocupado, trabalhava imenso. Dedicava-se também à engenharia civil, noite adentro, fazendo serões, todos os dias, no escritório que partilhava com o irmão António, igualmente engenheiro, e o grande amigo, José Raimundo, também engenheiro militar e seu companheiro desde a Academia Militar.

Só o domingo era dia de descanso, que aproveitava para ler e estudar. Nas férias grandes, íamos para a praia, mas todos os dias vinha de comboio para Lisboa com o mesmo ritmo de trabalho. Em Setembro, tirava efectivamente duas semanas de férias e levava-nos a conhecer Portugal e a sua história, com o Guia de Portugal debaixo do braço, entrávamos em todos os monumentos, museus, igrejas, palácios, capelas e aguçava-nos o interesse com as fantásticas descrições escritas que lia em voz alta, acompanhando-as com explicações detalhadas dos sistemas construtivos, dos elementos decorativos, e pormenorizadamente enquadrava os acontecimentos e as diferentes épocas históricas.

Percorríamos aldeias, vilas e cidades, detendo-nos na beleza das paisagens, dos conjuntos urbanos, dos pelourinhos, das pontes e das barragens. Nesses passeios, víamo-lo feliz e brincalhão, dedicava-se inteiramente aos filhos. Quando em comissão em Angola e Moçambique, sempre se preocupou em conhecermos os países, contactarmos as gentes e percebemos as culturas.


Instauração de um regime democrático

 

Ao ser nomeado Primeiro-Ministro, aos 52 anos de idade, o nosso pai continuou igual a si próprio, assumindo mais esse cargo como uma missão, na perspectiva do cumprimento dos «(...) deveres indeclináveis do MFA para com o povo português», como um militar, só que desta vez na absoluta concordância de ideais e objectivos, porque membro do Movimento das Forças Armadas.

Incumbido da tarefa de prossecução do Programa Revolucionário do MFA, tinha agora por missão aquilo por que sempre sonhara: contribuir para a instauração de um regime democrático, para a defesa dos interesses dos trabalhadores, para a profunda transformação económica, social e cultural da sua Pátria.

A Pátria que, como ele definia muito objectivamente «(...) não é uma entidade mítica, mas é uma entidade concreta, constituída por todo um povo de carne e osso que vive dia a dia os seus problemas, que sofre e que tem alegrias, que a constrói dia a dia na medida das suas possibilidades(...)».

Assim foi como militar, como político, e como pai. A figura pública em nada diferia da privada. Esteve na política com os mesmos princípios, a mesma postura, modesta, digna, honrada, patriótica e de entrega ao seu povo.

Exigente e rigoroso. Exemplar nos princípios e ideias que defendeu, dando-nos sempre uma perspectiva histórica, filosófica e política dos assuntos de que falava, procurando sempre ensinar-nos os porquês.

Militar com preparação intelectual, cultura política, económica e social, estava habituado a reflectir, a questionar, a ouvir, a estudar, e acima de tudo, imbuído, sempre, de um rigoroso espírito científico, na análise e avaliação dos problemas e situações, na ponderação das soluções e acções a empreender. Apaixonado pela história e filosofia. Apaixonado pelo saber, essa, era, quanto a nós, uma das suas mais marcantes facetas.

O saber, a enorme sede de saber, o espírito aberto ao conhecimento. O saber que permite entender a evolução dos homens e das sociedades, o saber que nos aproxima do entendimento do mundo, que nos torna mais livres, por capazes de raciocinar pelas nossas cabeças. O saber, não para exercermos poder sobre os outros, mas para nos aproximar deles.

O saber e não o ter. O saber que nos prepara e capacita para a vida e nos torna competentes no trabalho. Era uma forma de nos proteger enquanto pai. Muito obrigada pela vossa atenção, pela vossa companhia e pela vossa presença que é a presença de Abril, sempre connosco.

 

Coronel Nuno Pinto Soares

Um exemplo a seguir por todos

 

São hoje 11 de Junho de 2010. Vertiginosamente estão passados cinco anos sobre o desaparecimento precoce de um muito, muito grande amigo. Chamava-se em vida e permanece em espírito, com o nome de Vasco Gonçalves. É por esse desaparecimento que estamos aqui. Tantos outros militares e cidadãos gostariam de estar também. O momento é assim e sempre de consternação pela falta que Vasco nos faz, nestes caminhos que percorria com sorriso e confiança, que a tantos de nós acalentou.

Estaremos hoje aqui para lhe dizer que essa amizade nos marcou e que por ele percorremos os nossos caminhos com o exemplo presente. Dos variados e prestigiados percursos da sua vida, hoje salientamos a consciência com que sempre trabalhou, pondo o culto do dever acima das suas inclinações. Olhou sempre como uma honra, empregar e desenvolver pelo trabalho os seus valores. Trabalhou sempre com moderação e paciência, nunca recuando perante o cansaço e as dificuldades, e sempre com desapego de si mesmo e longe da complacência nos sucessos.

Há 36 anos, quando julgou estar no caminho correcto, lutou com lealdade, desde logo se afastando quando lhe apontaram que o caminho era outro. Afastou-se com verdadeira postura de integridade, acompanhando o percurso que se desenrolou. Posteriormente, no recato da sua casa e amigos, sem ressentimentos.

É esse o exemplo do político (com «P» grande) que nos dias de hoje bem devia ser seguido. Vasco Gonçalves quis esta última morada, no talhão dos combatentes. Não sabia se estaria entre soldados, se entre generais. Não sabia se entre lutadores de causas de esquerda se de direita. Quis tão simplesmente vir para junto de militares, que, por tradição milenar, tiveram que lutar pela pátria.

A gratidão é um fruto de grande cultura: Não se encontra entre gente vulgar. Vasco Gonçalves não precisava de admiradores, mas sim de alguém que lhe desse valor à sua maneira de ser e ao seu carácter.



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