• Vasco Cardoso

Terceira vaga

Anunciadas que estão medidas como o roubo nos salários, o aumento dos preços, os cortes em prestações sociais, o encerramento de serviços ou a privatização de importantes empresas públicas, o próximo passo que PS e PSD pretendem dar nesta escalada de desastre nacional é o de um novo ataque aos direitos dos trabalhadores, seja por via de alterações na legislação laboral, seja através do aprofundamento de dispositivos já hoje admitidos pelo actual Código do Trabalho.

O objectivo é, tal como alguns vêm reclamando, o de aproveitar todas as possibilidades abertas pela ofensiva que está em curso (também no plano ideológico), para ir mais longe na exploração dos direitos dos trabalhadores. A crise é apenas o pretexto para impor mais sacrifícios e agravar a exploração de quem trabalha.

Apoiado em compromissos e nos planos do grande capital, embalado pelos encontros e acordos com Sócrates, acarinhado pelos elogios de Soares ou de Belmiro, embriagado por sondagens e «boa imprensa», coube a Passos Coelho dar um passo em frente a partir do último encontro que teve com o primeiro-ministro na terça-feira que passou. A tese é velha mas apresentou-a como sendo nova: mais «flexibilidade», mais contratos a prazo, mais precariedade, logo, menos desemprego.

Nada mais falso! Mas não contemos com a comunicação social dominante para desmentir o óbvio: nunca o País teve tanto desemprego – quase 800 mil trabalhadores – como agora e tantos trabalhadores com vínculo precário – mais de 1 milhão e 200 mil.

Mais precariedade é não só mais desemprego como mais despedimentos, mais carga horária e, claro está, menos salário.

Na verdade, facilitar os despedimentos, alargar os contratos a prazo, nada tem a ver com o combate à crise mas, sim, com a satisfação dos interesses das classes dominantes que querem continuar a concentrar e a acumular riqueza. São medidas que, tal como outras já tomadas, por aprofundarem a exploração capitalista, por acentuarem as contradições do sistema, agravam a própria crise do capitalismo.

Depois do PEC e do pacote de «austeridade», eis a nova vaga de medidas (leis laborais) que está em curso, em Portugal como nos restantes países da Europa, confirmando que estamos perante uma violenta, profunda e prolongada ofensiva de classe e que exigirá, no seguimento da histórica manifestação de 29 de Maio, a intensificação da luta para a derrotar.



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