Editorial

«O PS retomou o falso discurso “anti-neoliberal» e de “esquerda”»

MAIS DO MESMO

As consequências do continuado assalto às condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses constituem o dado mais relevante e de maior gravidade da situação actual. Trata-se da mais brutal ofensiva desencadeada nas últimas décadas contra direitos sociais e laborais; uma ofensiva que tem vindo a roubar aos trabalhadores e ao povo importantes  conquistas alcançadas na sequência da Revolução de Abril; uma ofensiva carregada de desprezo pelos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País - a ofensiva de uma política de classe que, pelo seu conteúdo e pelos seus efeitos imediatos, se assemelha cada vez mais à política praticada pelos governos do antigamente.

E as perspectivas futuras não são de molde a alimentar esperanças em alterações positivas na situação. Pelo contrário: novos e mais gravosos passos são anunciados para os meses que aí vêm, configurando um cenário de ainda maior deterioração de tudo o que já está por demais deteriorado, com o consequente agravamento da já gravíssima situação que pesa sobre os portugueses.

Com efeito, é nesse sentido que agem os partidos da política de direita: prosseguindo na aplicação dessa velha política e pretendendo fazer crer aos trabalhadores e ao povo que a solução para os problemas existentes se encontra na continuação da política velha que está na origem desses problemas.

A representação a que o PS e o PSD têm vindo a entregar-se – repetindo a farsa com que há 34 anos ofendem a inteligência dos cidadãos - é bem elucidativa do objectivo comum aos dois de assegurar continuidade à política de direita: o PSD apoiando essa política, e sempre disponível para que ela avance com os seus efeitos devastadores - mas fingindo ser seu encarniçado opositor; o PS aceitando os apoios do PSD mas fingindo-se seu adversário - e, agora, como temos visto, retomando o falso discurso «anti-neoliberal» e de «esquerda», o tradicional mais do mesmo com o qual finge «profundas divergências» com o PSD e tenta conquistar o apoio daqueles que são as principais vítimas da política que PS e PSD fazem e querem continuar a fazer.

 

Como o PCP tem insistentemente sublinhado, a luta de massas constitui a única resposta a esta situação. O caminho para a ruptura e a mudança necessárias está no desenvolvimento, na intensificação e no alargamento da luta dos trabalhadores dos sectores público e privado; das populações; dos jovens; dos homens e mulheres da cultura; dos reformados e pensionistas; dos micro, pequenos e médios empresários - de todos sobre os quais recaem as consequências gravosas da política de direita, que são, nunca é demais repetir, a imensa maioria dos portugueses.

Trata-se de uma luta difícil, como a realidade nos mostra todos os dias através dos múltiplos obstáculos que contra ela são erguidos pelo poder dominante, que não olha a meios para alcançar os fins que pretende – que, em flagrante desrespeito e afrontamento da Constituição da República, recorre às ameaças, às chantagens, às represálias sobre os trabalhadores; que, através dos propagandistas de serviço, leva por diante uma poderosa ofensiva ideológica amplamente difundida pelos média dominantes – propriedade do grande capital - e com a qual procura espalhar o medo, o conformismo, a ideia da «inutilidade da luta», a aceitação passiva das chamadas «inevitabilidades» - sendo que, para esses propagandistas, «inevitabilidades» são todas as medidas que servem os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.

Trata-se, portanto, de uma luta prolongada, de um combate a exigir grande determinação, grande convicção, grande coragem, grande diversidade de acções, grande fôlego, como insistentemente tem sublinhado o Secretário-geral do PCP – e, por tudo isso, trata-se de um processo cujo êxito não depende apenas de uma dessas acções – seja ela qual for e tenha ela a dimensão e o alcance que tiver – mas da sucessão multiplicada de todas as grandes, médias e pequenas lutas pelos mais diversos objectivos, nos mais diversos locais e com as mais diversas participações.

 

A importante acção nacional convocada pela CGTP-IN e levada a cabo no passado dia 8 é bem o exemplo de uma iniciativa que se insere nessa perspectiva de luta. Através de diversificadas formas de luta – plenários, greves, concentrações, manifestações – milhares e milhares de trabalhadores, por todo o País, numa demonstração de profunda compreensão da situação actual e de elevada consciência social e política, construíram uma jornada de luta, relevante por si própria mas também porque assumida como elo de ligação aos novos combates que a situação exige.

O tratamento dado pelos média dominantes à acção nacional do dia 8 foi o que se esperava: silenciando-a, uns, menorizando-a, outros, cumpriram a tarefa de que estavam incumbidos – uns e outros, no entanto, fracassando no objectivo de minar a determinação de luta dos trabalhadores e das suas estruturas representativas.

É nesse mesmo quadro de avaliação da luta que devem ser vistas as iniciativas organizadas pelo PCP, designadamente as inseridas nas 500 acções contra o PEC. As realizações do fim-de-semana, na Guarda, na Covilhã e em Cantanhede (por iniciativa das mulheres do Porto), encontram-se entre as muitas que, confirmando o reforço do Partido e as potencialidades de esse reforço se consolidar e aumentar, confirmam igualmente a disponibilidade de luta dos trabalhadores e das populações – confirmações dignas de registo sabendo-se que o reforço do Partido é directamente proporcional ao reforço da luta de massas. E vice-versa.


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