Editorial

«É este ambiente de convívio fraterno que, no essencial, faz da Festa o que ela é»

A FESTA E A LUTA

Foi a maior e a mais bela de sempre. Isto é: foi tudo o que esperávamos que fosse, mais tudo o que, de novo, a criatividade dos seus construtores e dos seus visitantes lhe acrescentou em relação às edições anteriores.

Mas isso ainda é dizer pouco, como sabem todos os que lá estiveram e viram como foi – porque os que apenas sabem o que a comunicação social dominante lhes disse, sabem pouco, muito, muito pouco…

Mais uma vez, para além da excelência do seu conteúdo cultural, artístico, político, a Festa foi um espaço imenso de convívio. E essa é, cada vez mais, a sua mais marcante singularidade, já que se trata, não de um convívio de circunstância, espartilhado pelas regras e convenções definidas pela ideologia dominante, mas de um convívio de novo tipo, feito de fraternidade e solidariedade e, por isso, carregado de futuro.

Com efeito, quando, muito justamente, dizemos que não há Festa como esta – constatando uma realidade evidente e reconhecida por todos os que por ali passam - não estamos a referir-nos, apenas, ao número de visitantes que durante três dias fazem a Festa, mas sim, e essencialmente, à forma como a fazem; ao tipo de relacionamento que ali constroem; à alegria nova que espalham por toda a imensa cidade da Atalaia; ao ambiente ali criado e vivido.

A verdade é que, de ano para ano, multiplica-se o número dos que ali se conhecem, firmam amizades e se despedem com um «até para o ano»; dos que se sentem na obrigação de, para o ano, trazer consigo amigos e familiares que «não sabem o que isto é»; dos que, a um ano de distância, marcam na agenda o primeiro fim-de-semana de Setembro com uma simples palavra: «Festa» - e é tudo isto que dá à Festa aquele conteúdo de futuro, confirmado pelo número crescente de carrinhos de bébé que, empurrados por pais e avós, conferem à Festa uma tranquilidade e uma serenidade únicas em iniciativas com tal dimensão.

 

É este ambiente de convívio fraterno que, no essencial, faz da Festa o que ela é. São muitos os visitantes, especialmente entre os que ali vão pela primeira vez, que, surpreendidos e agradados, destacam esse ambiente como valor maior e mais atractivo da Festa.

Ora, como é sabido, este ambiente não cai do céu – e, já agora, acrescente-se: nem é susceptível de existir em qualquer iniciativa de qualquer outro partido nacional, todos pouco vocacionados para tais «ambientes», antes pelo contrário.

Na realidade, o ambiente da Festa é construído na base de um conjunto de elementos onde avulta a militância revolucionária dos milhares e milhares de camaradas de todas as organizações do Partido e da JCP, e que, trazendo consigo milhares de amigos, são, de facto, os principais artífices da Festa. E é essa militância revolucionária, inspirada no mais belo de todos os ideais - o ideal comunista de liberdade, justiça social, paz, fraternidade, solidariedade – e portadora dos mais eminentes valores humanos, que cria o ambiente vivido no espaço novo da cidade do futuro que é a Festa do Avante! – um ambiente por isso mesmo propício a aprendizagens: à aprendizagem, por exemplo, da palavra camarada, por vezes começando por ser utilizada em tom de brincadeira, mas, pouco a pouco, ganhando a sua verdadeira forma e o seu concreto e específico conteúdo.

A Festa deste ano teve de tudo isto em doses familiares, digamos assim, marcando uma evolução significativa em relação às suas edições anteriores: nessa matéria, foi como que um grande passo em frente, impulsionado pelos muitos passos dados ao longo dos anos. E a anunciar novos avanços no futuro.

Já foi dito, mas nunca é demais repetir, que a Festa do Avante! é, durante três dias, «o espaço com maior índice de fraternidade por metro quadrado existente em Portugal».

Quem lá vai, confirma. Quem quiser confirmar, passe por lá no próximo ano.

 

É sabido que, todos os anos, a Festa se insere na luta das massas trabalhadoras, da qual é parte integrante. Assim aconteceu, uma vez mais, este ano: a Festa constituiu também uma grande jornada de luta contra a política de direita e por um novo rumo para Portugal – e foi um carregar de baterias e um ponto de passagem para as importantes lutas que aí vêm.

Os problemas que - por efeito de 34 anos de política de direita, agravados pela devastadora prestação do Governo PS/Sócrates - flagelam os trabalhadores, o povo e o País, foram tema tratado em múltiplas iniciativas.

Com a consciência assumida do papel decisivo da luta de massas, e da necessidade imperiosa da sua intensificação e alargamento para dar a volta a isto.

Nos pavilhões das organizações regionais, da Juventude, das mulheres, dos emigrantes e imigrantes, enfim, em todo o lado, tivemos notícias das lutas dos trabalhadores e das populações em defesa dos seus direitos e interesses: lutas concretizadas e a concretizar no futuro imediato – com destaque para a grande jornada convocada pela CGTP-IN para 29 de Setembro.

E é de luta o tempo que aí vem – luta, mais do que necessária, indispensável, e que se quer cada vez mais participada e mais forte.

Por isso, o secretário-geral do Partido, camarada Jerónimo de Sousa, na intervenção proferida no grandioso comício de encerramento, dirigindo-se aos trabalhadores e ao povo, incitou: «Não se resignem! Engrossem a corrente de luta que dê uma forte resposta à ofensiva que aí está e, ao mesmo tempo, lutem pela afirmação de uma verdadeira alternativa patriótica e de esquerda para o País».

É esse o caminho. E a Festa do Avante! foi um importante contributo para que ele seja seguido.


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