Editorial

«A batalha das presidenciais, importante frente da luta contra a política de direita»

MAIS DO MESMO, PARA PIOR

Está a chegar ao fim mais um episódio da cegada montada pelos partidos da política de direita tendo como tema o Orçamento de Estado para 2011. Como desde o início se sabia, o dito Orçamento foi aprovado por quem sempre o quis e jamais duvidou da sua aprovação.

Tratou-se, como afirmou o secretário-geral do PCP, na VIII Assembleia da Organização Regional de Aveiro, de «um conflito para encenar profundas divergências que não existem, nem agora que acabaram de anunciar o acordo, nem antes quando esgrimiam esses dramáticos duelos verbais para criar a ilusão de que estávamos perante projectos alternativos», num recurso ao «velho truque para credibilizar o rotativismo governativo que nestas últimas três décadas afunilou o país num único sentido, no sentido do desastre e do declínio nacional».

Nos tempos que aí vêm – para além do prosseguimento da encenação do desacordo e da divergência que dura, não o esqueçamos, há 34 anos – com a aplicação do OE, os portugueses vão ter mais do mesmo para pior; «vão ver a sua vida a andar para trás»; vão sentir na pele o agravamento brutal das condições de trabalho e de vida da imensa maioria; vão sofrer as trágicas consequências do afundamento a que esta política está a conduzir o País. E os grandes vão encher-se cada vez mais, pois para eles foi feito este OE.

Para tudo isto, só há uma resposta que passa pela intensificação e pelo alargamento da luta das massas trabalhadoras – luta pela ruptura com a política de direita ao serviço do grande capital e por uma política de respeito pelos interesses e direitos dos trabalhadores, do povo e do País; luta que traga às ruas a voz dos que têm uma palavra decisiva a dizer; luta que faça das acções de 6 e 20 de Novembro e da Greve Geral do dia 24, momentos altos da afirmação da vontade dos trabalhadores e do povo; lutas que, constituindo uma vitória da coragem e da insubmissão contra a resignação e o conformismo que os ideólogos do capital espalham, serão igualmente novos pontos de partida para as indispensáveis batalhas do futuro.

 

Digna de registo é, igualmente, a faceta representação do Presidente da República nesta encenação de desacordos, de divergências e de histéricos gritos de falso alarme.

Pode dizer-se, mesmo, que a exacerbada representação dos dois farsantes foi ouro sobre azul para o recandidato Cavaco Silva , permitindo-lhe exibir, uma vez mais, os seus dotes de comediante. Na cegada, ele representou  o papel de «moderador», a abarrotar de «bom senso» e de «sentido patriótico e de Estado», do «genial criador do consenso» - o consenso em torno «das medidas que provocam o desemprego, a precariedade, o congelamento e redução de salários, os cortes dos apoios sociais, do subsídio de desemprego, do abono de família, as medidas que provocam retrocesso, recessão, mais défice e maior dependência», como observou, em certeira observação, o candidato do PCP, camarada Francisco Lopes.

Ao mesmo tempo que protagonizava esta cena, Cavaco Silva apresentava a sua recandidatura à presidência de República, num cenário de descarada hipocrisia e de ridícula presunção e sempre passando a utilitária esponja sobre as suas responsabilidades directas no estado a que o País chegou, por efeito dos seus dez anos como primeiro-ministro e do lustro como PR, caracterizados pelos elevados favores prestados ao grande capital e pela  acção implacável de flagelação dos interesses e dos direitos dos trabalhadores e do povo.

Nas presidenciais, a pedra de toque que permite aferir com rigor o sentido de cada uma das candidaturas, é a postura de cada uma delas face à política de direita e ao Orçamento do Estado que a representa.

E também nesse aspecto, a análise do candidato do PCP é por demais clarificadora: «Cavaco Silva não só aceita como patrocina o Orçamento. Manuel Alegre diz que o melhor é que este Orçamento seja aprovado e Fernando Nobre vai pelo mesmo caminho. É a inevitabilidade. Foi assim com as privatizações, com a União Europeia, com o tratado de Lisboa. É assim sempre em relação às questões essenciais quanto ao futuro».

 

Para o colectivo partidário comunista, a batalha das presidenciais constitui, no momento actual, uma importante frente da luta contra a política de direita, por uma política alternativa e por uma alternativa política. E é necessário que a candidatura do PCP, nascida dessa luta e integrando-a, se desenvolva e cresça numa ampla e forte campanha política de massas que dê mais força à luta dos trabalhadores e das populações, dos jovens e dos agricultores, dos reformados e das mulheres, e que transmita aos portugueses os objectivos da candidatura e o que a distingue das restantes.

Para isso torna-se indispensável o envolvimento empenhado de todas as organizações e militantes do Partido, imprimindo à candidatura do camarada Francisco Lopes a força e a dinâmica que a projectem como candidatura dos que não desistem de lutar, dos que não se rendem nem capitulam, dos que assumem como referência essencial os valores e os ideais de Abril.

Sendo certo que, como a propósito afirmou o camarada Jerónimo de Sousa, «o camarada Francisco Lopes fará mais que a parte que lhe compete! Façamos nós a nossa parte, a parte do nosso grande colectivo partidário, em conjunto com outros democratas e patriotas».

Com a consciência de que esta candidatura, a acção desenvolvida na sua divulgação, o conteúdo da sua intervenção, são parte integrante da acção «Avante!Por um PCP mais forte», visando o reforço orgânico, interventivo e ideológico do Partido – questão que continua a colocar-se como decisiva e determinante.


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