Afeganistão
Guerra sem sentido

Reagindo ao anúncio, na cimeira de Lisboa, da intenção de retirar as tropas da NATO do Afeganistão entre 2011 e 2014, um suposto comando taliban considerou que tal evidencia «o fracasso da estratégia do governo norte-americano». Para o grupo que resiste à ocupação do país, os invasores estrangeiros deviam retirar-se imediatamente, por isso, esta é uma «decisão irracional» que prolonga «uma guerra sem sentido».

Até 2014, «vários eventos trágicos e batalhas ocorrerão, por conta desta guerra sem sentido, imposta e impossível de ser vencida. Não deveriam adiar a retirada das suas forças por um único dia», afirma o comunicado dos insurgentes colocado na Internet.

«Nos últimos nove anos, os invasores não puderam estabelecer nenhum sistema de Governo em Cabul e também não serão capazes de fazê-lo no futuro», advertem ainda.

O facto é que no terreno a resistência recrudesce, e nem os 150 mil militares estrangeiros que ocupam o território, a maioria dos quais dos EUA, a consegue dominar.

Ainda no passado dia 13, um grupo de homens armados atacou a base dos EUA situada no aeroporto de Jalalabad. A acção, ousada, não é caso isolado. Nos últimos meses a resistência tem acossado os imperialistas com vários ataques directos a unidades militares.

A degradação da situação é igualmente notória quando, segundo o Washington Post, o governo norte-americano decide, pela primeira vez em nove anos, enviar para o Afeganistão tanques de guerra do tipo M1-Abrams, os quais permitem às tropas fazer frente à resistência a maior distância.

No mesmo sentido, informa o Post, as operações punitivas contra os «talibans» triplicaram nos últimos meses, com a força aérea da NATO e dos EUA a lançar mais mísseis que em qualquer outro período da ocupação, iniciada em 2001.

 

Conflito alastra

 

A resistência à guerra no Afeganistão não se fica, no entanto, naquele território, estendendo-se ao Paquistão. No dia em que reuniam em Lisboa os «senhores da guerra», dez camiões cisterna da NATO eram incendiados na cidade paquistanesa de Peshawar. Seis dias antes, do outro lado da fronteira, no Afeganistão, mas na mesma rota de abastecimento, 14 camiões cisterna foram atacados e destruídos na província de Nangarhar.

A par da resistência, também os bombardeamentos dos invasores se têm intensificado no Paquistão. Na segunda-feira, 22, pelo menos cinco pessoas morreram durante um ataque com aviões não-tripulados no Noroeste do país.

De acordo com a cadeia privada DawnNews, este foi o quinto bombardeamento com drones norte-americanos na última semana. Na véspera, outras nove pessoas morreram num ataque semelhante contra uma habitação.

A aposta na mortífera arma que são os aviões sem piloto (desde Setembro, pelo menos 250 pessoas, a maioria civis, já morreram em resultado destes raides) parece ser crescente por parte dos EUA.

Ainda segundo o Washington Post, a Casa Branca terá pedido ao Paquistão para alargar a área de actuação deste tipo de aeronaves. O governo paquistanês, diz o jornal, terá recusado o pedido norte-americano, mas a realidade tem demonstrado que para além da condenação formal, o executivo de Islamabad nada mais tem feito para deter as acções ilegais dos EUA na sua área de soberania.



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