A Lusa não pode estar submetida a outro órgão de comunicação
PCP defende capital exclusivamente público
<i>Lusa</i> tem que ser independente

A Agência Lusa, pelo importante papel de prestadora de um indispensável serviço público, deve ser independente dos restantes órgãos de comunicação social, incluindo da RTP, defendeu, terça-feira, o PCP.

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Num comunicado do seu Gabinete de Imprensa, o PCP reafirmou a defesa da independência da Lusa. Os comunistas rejeitam assim a intenção do Governo, já anunciada, de levar a cabo um processo que visa a junção da Agência Lusa à RTP, SA, invocando razões «puramente de ordem financeira».

Para o PCP, tal medida corresponde a uma «estratégia de definhamento do serviço público no sector da comunicação social e o seu aprisionamento a objectivos contrários aos da liberdade de informação e ao pluralismo na comunicação social». Trata-se, acrescenta, de um processo que está a ser conduzido de forma «opaca, à margem dos representantes dos trabalhadores, sem consideração do interesse público e numa lógica de tentativa de imposição de factos consumados».

No comunicado, o PCP defende ainda a recuperação para as mãos do Estado da totalidade do capital social da Lusa, sendo que actualmente mais de 40 por cento está nas mãos da Global Notícias e do grupo Impresa. Este é, garantem os comunistas, um «factor determinante para a sua independência na relação com os diferentes órgãos de comunicação social, tanto mais que este é um sector com elevado nível de concentração e dominado por um restrito grupo de empresas».

O PCP pretende ainda que seja garantida a independência da Agência Lusa, incluindo em relação à RTP, SA. Entende o Partido que o papel e as competências da agência nacional de notícias portuguesa «impõem que não esteja submetida a nenhum outro órgão de comunicação social». Foi esta a opinião transmitida aos representantes dos trabalhadores da Lusa que se encontraram na passada semana com o PCP (ver página 20) e que deram conta das suas justas preocupações quanto às consequências deste processo na qualidade do trabalho desenvolvido pela agência e na salvaguarda dos postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores envolvidos.

Exigindo do Governo uma «cabal explicação deste processo e dos seus objectivos», o PCP afirmou ainda que intervirá no sentido de garantir a efectiva independência da Agência Lusa no cumprimento do seu papel de prestadora de um indispensável serviço público no sector da comunicação social.



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