Editorial

«A campanha em torno da candidatura de Francisco Lopes é a tarefa prioritária»

TAREFA DO MOMENTO

Concretizada com assinalável êxito a grande manifestação pela Paz, contra a NATO, a sua Cimeira, os seus objectivos, a sua existência e a participação nela de Portugal – tudo traduzido na expressiva exigência NATO fora de Portugal, Portugal fora da NATO; concretizada a histórica Greve Geral em que mais de três milhões de trabalhadores disseram «não» à política de direita e exigiram a mudança indispensável para a superação da grave situação económica e social existente – a perspectiva que se coloca aos trabalhadores e ao povo é a da continuação da luta, intensificando-a, alargando-a, dando-lhe mais força, com a consciência de que é esse o caminho que conduzirá à derrota dessa política e a um novo rumo para Portugal.

E esse objectivo será tanto mais depressa conseguido quanto melhor forem tidas em conta as potencialidades de luta evidenciadas pela Greve Geral, desde logo as que decorrem da adesão à greve, pela primeira vez, de milhares e milhares de jovens com contratos precários que, assim, vêm reforçar o movimento de massas e as lutas do futuro.

Mas há mais dados de consideração e análise imperativas, designadamente os que respeitam aos sinais de solidariedade com a Greve Geral e os seus objectivos manifestados por muitos milhares de outros trabalhadores, que só não participaram por medo das represálias – o que atesta bem o estado a que 34 anos de política de direita conduziram o nosso País, também em matéria de democracia política.

 

Aos militantes comunistas, para além da habitual intervenção visando o reforço da luta de massas, colocam-se-lhes outras relevantes tarefas, das quais emerge, como principal e prioritária, a campanha em torno da candidatura do camarada Francisco Lopes às eleições presidenciais.

Trata-se de uma batalha de todo o Partido, da qual o nosso grande colectivo partidário, com a sua intervenção decisiva, fará uma ampla campanha política de massas – uma campanha de esclarecimento sobre o significado desta candidatura, sobre o que a distingue de todas as outras e lhe confere o carácter singular que tem; uma campanha de mobilização para o voto em Francisco Lopes no dia 23 de Janeiro; uma campanha que, pelas suas características e objectivos, é parte integrante da luta contra a política de direita.

Candidatura patriótica e de esquerda; candidatura vinculada aos valores de Abril; candidatura da valorização do trabalho e dos trabalhadores e de identificação plena com a sua luta e os seus objectivos: eis alguns atributos da candidatura de Francisco Lopes que não se encontram em nenhuma das outras candidaturas e que fazem dela um caso singular nestas eleições presidenciais.

 

Com efeito, mostra a evidência que não são, nem podem dizer-se, patrióticas e de esquerda, candidaturas desde sempre ligadas à política de direita, a qual, violando a Constituição da República Portuguesa, tem vindo a depositar a soberania e a independência nacionais nas garras do grande capital nacional e internacional e que faz das desigualdades e injustiças sociais a sua principal imagem de marca.

Nem são, nem podem dizer-se, vinculadas aos valores de Abril, candidaturas emergentes de forças que declararam guerra a Abril, aos seus ideais, às suas conquistas, à sua democracia.

Muito menos são, ou podem dizer-se, identificadas com os anseios e a luta dos trabalhadores, candidaturas todas elas identificadas com o Orçamento do Estado recentemente aprovado e que conduzirá ao afundamento económico do País, ao aumento da exploração, das injustiças e da pobreza – e ao aumento dos lucros do grande capital.

As candidaturas de Cavaco Silva, Manuel Alegre, Fernando Nobre e Defensor de Moura são, cada uma à sua maneira, candidaturas da situação, candidaturas do Orçamento do Estado de desastre nacional.

Registe-se a posição de Cavaco Silva a propósito dos debates na televisão: diz ele, ostentando a sua ética, que não participa em debates sem ter formalizado a apresentação da sua candidatura; e acrescenta, com esperteza saloia, que não sabe ainda quando apresentará a candidatura – entretanto, sem candidatura formalizada, mostra o que é: faz, dizendo que não, intensa campanha eleitoral e põe o cargo que ocupa ao serviço da sua candidatura, sempre acompanhado por todas as televisões, rádios e jornais.

 

Não surpreende, assim, o silenciamento a que os média dominantes – propriedade dos grandes grupos económicos e financeiros, aos quais a política de direita proporciona o aumento escandaloso dos lucros, sempre – submetem a actividade do candidato Francisco Lopes; as iniciativas levadas a cabo pela sua candidatura em todo o País; os muitos e diversificados apoios que lhe têm chegado oriundos das massas trabalhadoras, de dirigentes e activistas sindicais, de organizações e forças de esquerda, de personalidades de várias áreas políticas e ideológicas.

A postura do candidato do PCP, a inequívoca identificação da sua candidatura com os interesses e a luta dos trabalhadores, não cabem nos critérios informativos desses média ao serviço dos mandantes da política de direita.

Por tudo isso, só com a intervenção de todo o colectivo partidário comunista, só com muito esforço e muito trabalho, é possível fazer chegar aos portugueses as propostas e os objectivos da nossa candidatura – de modo a que, no dia 23 de Janeiro, o voto em Francisco Lopes se afirme, pela vontade popular, como um claro sinal de exigência de mudança na vida política nacional e de um exercício de funções presidenciais vinculado à defesa da soberania e independência nacionais e aos valores, direitos e conquistas consagrados na Lei Fundamental do País.


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