• Albano Nunes
    Membro do Secretariado do Comité Central

«Não há alternativa ao desenvolvimento da luta popular de massas»
As últimas batalhas e o próximo combate

O nosso próximo grande combate, aquele em que temos de concentrar maior atenção e mais energias, são as eleições para a Presidência da República. É necessário transformar a intervenção em torno da candidatura do camarada Francisco Lopes numa grande campanha política de massas.

Não se trata porém de «partir para outra» esquecendo as batalhas mais recentes. Não. Nunca será demais valorizar a grande manifestação anti-imperialista por ocasião da Cimeira da NATO e, mais ainda, a Greve Geral de 24 de Novembro. Greve cuja dimensão histórica o Comité Central sublinhou. Valorizá-las em si mesmas, pela sua grande expressão de massas em torno de objectivos muito avançados. Valorizá-las pelo seu extraordinário significado político, pois trata-se de acções que confrontam directamente a classe dominante e o seu Governo com o próprio núcleo da sua política reaccionária dirigida contra os trabalhadores, o povo e o País. Valoriza-las pelo que representam de coragem e de vitória sobre o fatalismo e o conformismo, instigados por uma avassaladora ofensiva ideológica onde as vozes discordantes do «pensamento único», se não podem ainda ser completamente silenciadas, são já completamente abafadas. Valorizá-las, enfim, pelo poderoso estímulo que representam à necessária intensificação da luta.

Luta em todas as frentes. Desde logo para consolidar posições e colher os frutos da sementeira realizada com estas grandes acções, como aliás de tantas outras de menor dimensão, mas sem as quais não seriam possíveis acções de nível superior; é indispensável examinar as experiências e tirar as lições que permitam fortalecer o movimento da paz e de solidariedade internacionalista e, sobretudo, reforçar o movimento sindical de classe, promovendo a sindicalização, o alargamento do colectivo de dirigentes e delegados sindicais, o enraizamento nas empresas e locais de trabalho.

Depois prosseguindo a organização da resistência em todas as frentes do movimento popular à violenta ofensiva que o Orçamento do Estado traduz e que, tudo o indica, tenderá a agravar-se ainda mais pela acção e imposição articulada entre o grande capital «nacional» e estrangeiro, entre a santa-aliança PS-PSD-Presidente da República e as instituições internacionais do imperialismo, da União Europeia ao FMI.

Por fim, e sem subestimar outras frentes de luta, como a do poder local (também ele gravemente atingido pela ofensiva) ou da Assembleia da República (onde nos aguarda uma duríssima batalha em defesa da Constituição da República), a batalha das presidenciais.

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Alargar e amplificar a campanha

 

A importância destas eleições, ainda mais do que noutras ocasiões, resulta da sua imbricação profunda com a intervenção social e política geral, com a luta pela ruptura e a mudança. Ao considerar a batalha das presidenciais a tarefa fundamental dos comunistas no próximo mês e meio, o curtíssimo espaço de tempo que nos separa de 23 de Janeiro, não estamos a dizer que se trata de uma tarefa à qual tudo o mais deva ser sacrificado. Estamos, sim, a afirmar que, para que avance e se reforce a ampla frente popular de luta contra a ofensiva do grande capital, é necessário realizar uma grande campanha política de massas, concretizar o imenso potencial unitário da candidatura de Francisco Lopes, afirmar com convicção as propostas do PCP para a saída da crise. E como nem mesmo um candidato comunista tem o dom da ubiquidade, programar todo o imenso trabalho a realizar, com base nas forças e possibilidades de cada organização, envolvendo o maior número possível de militantes e amigos do Partido, realizando uma audaciosa campanha de propaganda e agitação e um trabalho militante de proximidade, como nenhum outro partido está em condições de realizar. Fazendo-o, não apenas porque se trata do candidato apoiado pelo PCP, mas porque ela é a única candidatura identificada com os interesses dos trabalhadores e do povo.

Para enfrentar a violenta ofensiva em curso contra os trabalhadores, o povo e o País, não há alternativa ao desenvolvimento da luta popular de massas. Ela é o motor da acção transformadora e revolucionária. Ela é a única linguagem que o capital entende e a única barreira em que detém o seu insaciável apetite explorador e opressor. É ela o talismã que, como a História demonstra, é capaz de transformar em realidade aquilo que ainda ontem parecia impossibilidade. Como mostrou a Revolução de Abril. Como mostram os 90 anos de luta deste Partido que a classe operária portuguesa criou para defender os seus interesses e realizar a sua missão histórica libertadora.



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