Editorial

«O voto em Francisco Lopes foi um voto de confiança para aprofundar a luta»

O FUTURO É DE LUTA

No decorrer da campanha eleitoral insistimos repetidas vezes na afirmação de que, contados os votos, a luta de massas continuaria e que nós, comunistas, lá estaríamos, ocupando a primeira fila.

Com isso, sublinhava-se o papel decisivo da luta das massas trabalhadoras e populares como resposta à situação a que 34 anos de política de direita conduziram o País – luta da qual a batalha eleitoral constituía parte integrante; luta na qual o PCP, enquanto partido da classe operária e dos restantes trabalhadores, desempenha um papel determinante.

Foi esse, aliás, o sentido essencial da campanha da candidatura de Francisco Lopes, uma verdadeira campanha política de massas, que trouxe para o debate eleitoral as questões cruciais do momento: a dramática situação económica e social em que o País se encontra; a denúncia da política causadora dessa situação e dos seus responsáveis; os caminhos necessários para lhe pôr termo – onde avulta como factor decisivo a luta de massas e a sua necessária intensificação.

Tratou-se de uma campanha sem paralelo no contacto directo com os eleitores, na mobilização, no esclarecimento. Uma campanha só possível de concretizar com o envolvimento empenhado nela do colectivo partidário comunista, a começar pelo Secretário-geral do Partido; dos jovens da JCP; dos nossos aliados do PEV e da ID e de muitos cidadãos independentes – uma campanha à qual o candidato, camarada Francisco Lopes, com um desempenho notável, conferiu uma elevação e um conteúdo assinaláveis.

 

A campanha e os resultados destas eleições presidenciais confirmam, como sublinha o comunicado aprovado pelo Comité Central na sua reunião de terça-feira, a importância da decisão do Partido de intervir com voz própria e autónoma no debate e esclarecimento sobre a situação do País e os seus responsáveis; sobre o papel e poderes exigidos ao Presidente da República; e sobre a imperiosa necessidade de uma ruptura com a política de direita capaz de abrir caminho a um Portugal mais desenvolvido, justo e soberano.

Na realidade, a candidatura de Francisco Lopes assumiu-se como a alternativa – de facto, a única alternativa – a Cavaco Silva e à política de direita com a qual o Presidente da República, agora reeleito, está profundamente comprometido.

Valorizando o trabalho, os trabalhadores e os seus direitos; sublinhando a importância da produção nacional e da justa repartição da riqueza produzida; apontando incisivamente a exigência da subordinação do poder económico ao poder político; sinalizando como questão básica a afirmação da independência e da soberania nacionais, a candidatura de Francisco Lopes, distinguindo-se de todas as outras, desempenhou o papel singular que dela se esperava.

Por tudo isso, a votação obtida pelo nosso candidato – mais de 300 mil votos e 7,14% – constituindo uma inequívoca afirmação de combatividade e de exigência de uma profunda mudança na vida nacional, afirma-se como o mais sólido apoio ao necessário prosseguimento e intensificação da luta contra as injustiças e o processo de declínio nacional para o qual PS, PSD, CDS/PP e Cavaco Silva arrastaram o País.

Com efeito, o voto em Francisco Lopes reveste-se de um significado e um conteúdo muito especiais: é o voto consciente de quem sabe o que quer, de quem sabe que a luta é o caminho, de quem está disponível para lutar – foi, por isso, um voto de confiança para aprofundar a luta.

E são esses, certamente, o aspecto e a consequência mais relevantes da batalha que acabámos de travar.

Na situação actual – com um Governo que não pára na sua política de flagelação das condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses e com a reeleição de um Presidente da República perito na avalização dessa política – é na luta de massas, no seu desenvolvimento, na sua intensificação e na sua ampliação, que se situa a resposta necessária.

 

De tudo isto emerge, como questão crucial, a importância decisiva e a imperativa necessidade do reforço do PCP – reforço orgânico, interventivo e ideológico, no prosseguimento da acção «Avante! Por um PCP mais forte», tornando-o maior e mais forte com o recrutamento de novos militantes e com o aumento da militância; com a responsabilização, acompanhamento e formação de quadros; com o alargamento e intensificação da sua ligação às massas e aos seus problemas, anseios e aspirações; com o desenvolvimento da sua acção nas empresas e locais de trabalho; com a sua intervenção na mobilização e na organização da luta de massas; com a preparação dos quadros e militantes para uma eficaz intervenção na luta ideológica.

E sendo verdade que todo o tempo é tempo de reforçar o Partido – e que esse reforço deve constituir permanente preocupação colectiva – mais assim é neste ano em que comemoramos o 90.º aniversário do Partido e, simultaneamente, os 80 anos de existência do Avante! e os 70 anos de publicação ininterrupta do órgão central do PCP.

Daí o apelo do Comité Central a todas as organizações e militantes no sentido de, em torno destas comemorações, levarem por diante um vasto conjunto de iniciativas – iniciativas que, ligadas à vida e à luta dos tempos actuais, façam chegar aos trabalhadores, aos jovens, às mulheres, aos intelectuais, a todo o povo, o conhecimento real da história do Partido, da sua luta heróica ao longo do tempo, em todas as circunstâncias, reafirmando-lhes que podem contar com este Partido: confiante, determinado e combativo no cumprimento do seu papel na ruptura com a actual política, por uma política patriótica e de esquerda, na construção de uma democracia avançada e do socialismo.


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