Breves
Japão

A empresa responsável pela central de Fukushima assume a responsabilidade pela situação de catástrofe nuclear após o sismo e maremoto que atingiu o país. A companhia privada admitiu que subestimou o movimento telúrico que contribuiu para fazer colapsar a infraestrutura.

Mais de 200 mil pessoas foram evacuadas da área em torno da central, cujas ligações à rede eléctrica foram concluídas anteontem permitindo o reinício dos sistemas de arrefecimento dos reactores.

Os danos provocados pelas fugas radioactivas ainda estão longe de estar apurados, mas a contaminação da cadeia alimentar é já uma certeza.


Arábia Saudita

Apesar da proibição, os protestos continuam a fazer-se sentir no país. Em Riade, quinta-feira, 17, centenas de sauditas reivindicaram o regresso dos soldados enviados para o Bahrain e exigiram a libertação dos presos políticos, facto que motivou a intervenção das autoridades.


Marrocos

Manifestações em Rabat, Casablanca, Tanger, Agadir e noutras cidades exigiram a democratização do país. Os protestos de domingo, convocados pelo Movimento 20 de Fevereiro, terão reunido dezenas de milhares de pessoas, para quem as promessas feitas por Mohammed VI, a 9 de Março, não são satisfatórias.


Egipto

Um edifício governamental foi incendiado após uma manifestação de polícias que, anteontem, exigiram melhoria dos salários e das condições de vida nas ruas do Cairo. O incidente ocorreu dois dias depois de um referendo constitucional, aprovado por maioria com uma taxa de participação de apenas 40 por cento, mas contestado pelos jovens, que consideram insuficientes e até contrárias à revolução o conjunto de alterações.

Os jovens já haviam demonstrado a sua firmeza ao rejeitar encontrar-se com Hillary Clinton, que dia 16 foi à Praça Tahir numa operação de charme que não conquistou a juventude, para quem o envolvimento dos EUA com a ditadura de Mubarak e as posições no Médio Oriente merecem repúdio.

O desconfiança dos egípcios para com o imperialismo ficou ainda patente no ataque, no dia do referendo, a El Baradei acusado de ser um agente dos EUA e de ter responsabilidades na invasão do Iraque.


Bahrain

Pelo menos seis pessoas morreram durante o assalto da polícia à Praça Pérola, na capital, Manamá, onde se mantinham concentrados os manifestantes antigovernamentais. A investida de quarta-feira, 16, teve como objectivo desalojar os contestatários.

De acordo com informações da BBC, as tendas instaladas no local foram queimadas e alguns dos bairros da cidade foram cercados, assim como os hospitais, onde não entrava nenhum ferido nem saía qualquer médico para assistir os reprimidos.

Órgãos de comunicação social falam em dezenas de detidos, e a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, diz ter em seu poder relatos de prisões arbitrárias, assassínios, torturas, espancamentos de manifestantes e de pessoal médico por parte da polícia, das forças armadas e das tropas sauditas e dos Emirados Árabes Unidos que entraram no início da semana no país.

Já na sexta-feira, 18, milhares de pessoas voltaram às ruas na cidade de Diraz, perto de Manamá, enquanto na Praça Pérola decorriam os trabalhos de demolição do monumento que o povo adoptou como símbolo da revolta, operação desesperada ordenada pelo rei.


Iémen

Pelo menos 52 pessoas morreram e centenas ficaram feridas em confrontos, sexta-feira, 17, entre manifestantes, a polícia e grupos fiéis ao regime nas ruas de Sanaa. Dois dias depois, os funerais das vítimas foram atendidos por milhares de iemenitas, que transformaram as cerimónias em novo protesto contra o presidente Ali Saleh.

Já na segunda-feira, uma multidão voltou a marchar na capital, registando-se a participação de dezenas de oficias das Forças Armadas, instigados pela deserção do general Al Ahmar e do governador de Áden, Ahmad Qaatabi.

Face à pressão das massas, Saleh demitiu o governo e prometeu abandonar o cargo em 2012.

Os EUA não suspenderam a ajuda militar ao país, que nos últimos cinco anos recebeu mais de 200 milhões de euros, e, anteontem, em Moscovo, o secretário da Defesa, Robert Gates, manifestou-se preocupado não com a repressão dos manifestantes mas com os benefícios que o terrorismo pode colher com a instabilidade no país.