Aconteu
Protesto pela Cinemateca

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O crescente sufoco financeiro e perda de autonomia da Cinemateca estiveram na base do protesto que reuniu na Barata Salgueiro, em Lisboa, há uma semana, cerca de uma centena de cinéfilos. Constituídos há meses em «Movimento de Espectadores», estão preocupados com as dificuldades que têm vindo a ser impostas àquela instituição e que levaram já, entre outras restrições, ao cancelamento de sessões (59 no total em Março e Abril), ao fecho de uma das suas duas salas e ao empobrecimento da informação relativa à programação mensal.

Alertam ainda para os riscos que pairam sobre o trabalho de conservação do património cinematográfico nacional em depósito no Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM). Contestada, por outro lado, é a legislação (Portaria n.º 4-A/2001) que veio impedir a Cinemateca de decidir de forma autónoma sobre o seu funcionamento, fazendo-a depender de procedimentos burocráticos e autorizações do Ministério das Finanças incompatíveis com a pronta e eficiente resposta às necessidades de gestão e à resolução de problemas.


César Príncipe lança poesia

Foi apresentado na Livraria Lello, no Porto, dia 30, o mais recente livro do jornalista César Príncipe. Trata-se de «uma colectânea de poesia de rua sobre assuntos de primeira necessidade e de primeira página», como ele próprio o define, tendo por título Poemas de Megafone.

Uma obra que, segundo o autor, se insere numa linha poética «ao mesmo tempo popular e culta» mas também «exigente e directa».

César Príncipe afirma que os poemas desta sua obra remetem para um universo em que avultam nomes como «Bocage, Junqueiro, Aleixo, Brecht, O’ Neill e Ary» e outros «porta-vozes do verbo contra a verba» e também «contra o vazio de ideias e ideais».

É um livro, por isso, que recupera «uma certa herança dessas fontes de contestação e protesto», já presente, também, no que César Príncipe diz ser «a poesia portuguesa original», com muito «escárnio e maldizer».

Poemas de Megafone tem a chancela da editora portuense Seara de Letras e conta com ilustrações de Acácio de Carvalho.


Roubo do abono de família

Cerca de 70 mil crianças perderam o abono de família em Março, o que eleva para 645 mil o número dos que em seis meses deixaram de ter acesso àquela prestação social, segundo dados da Segurança Social divulgados na passada semana.

Este é o resultado das alterações às regras de atribuição do abono de família, com início em Novembro do ano passado, que afectaram milhares e milhares de famílias que de um momento para o outro perderam ou viram reduzido este subsídio.

Com a eliminação dos dois últimos escalões da prestação e do pagamento adicional de 25 por cento a famílias com rendimentos mais baixos, deixaram de ser pagas num primeiro momento (em Novembro) mais de 384 mil prestações, número que se alargou ligeiramente em Dezembro (817 crianças) para voltar a disparar em Janeiro, mês em que foram excluídos mais de cem mil beneficiários. Com o processo de reavaliação extraordinária de rendimentos, esta tendência manteve-se em Fevereiro e Março, com o abono de família a deixar de ser processado, respectivamente, a 88 mil e perto de 70 mil crianças.


Morreu David Lopes Ramos

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Morreu no dia 29 de Abril, aos 63 anos, o jornalista David Lopes Ramos. O funeral realizou-se no cemitério do Alto S. João, onde o corpo foi cremado, depois de ter estado em câmara ardente na igreja de São Tomás de Aquino.

Sobre o desaparecimento de David Lopes Ramos, um dos mais conceituados críticos de gastronomia e vinhos do País, disse José Quitério, seu parceiro de métier, que «era ouro de lei», recordando-o como «um modelo de competência, honestidade, quer na sua vida profissional quer na sua vida pessoal».

Nascido a 26 de Janeiro de 1948 em Pardilhó, Estarreja, David Lopes Ramos iniciou-se no jornalismo na revista Vértice, em 1971, em Coimbra, onde estudou direito e se envolveu no movimento estudantil.

Integrou a redacção do Diário de Notícias, foi fundador de O Diário, em 1976, e do Público, em 1989, matutino onde escreveu até à sua recente passagem à reforma.


Pobreza infantil

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A taxa de pobreza infantil no nosso País atinge os 16,6 por cento, valor que é superior à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (12,7 por cento) e que o coloca na oitava maior posição do grupo.

Os dados são da própria OCDE e foram revelados no dia 27 de Abril na sequência de um estudo onde se conclui que Portugal apresenta a oitava maior taxa de pobreza infantil entre os 34 países que integram aquela organização, atrás de Israel, México, Turquia, Estados Unidos, Polónia, Chile e Espanha.

Segundo o relatório «Doing better for families», que se reporta a dados da última década, a Dinamarca, a Noruega e a Finlândia têm as menores taxas de pobreza infantil, com 3,7 por cento, 4,2 por cento e 5,5 por cento, respectivamente.

A taxa de mortalidade infantil, por seu lado, caiu em quase todos os países da OCDE, com Portugal a apresentar neste capítulo um bom desempenho ao registar (graças ao Serviço Nacional de Saúde) a descida mais acentuada desde 1970.

 



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