• Pedro Guerreiro

Procuram agora que a ONU branqueie a operação de ocupação de facto que se prepara
Os abutres

Cavalgando na ânsia e no cálculo da aproximação do desfecho da primeira fase da agressão dos EUA e da NATO ao povo líbio, eis que, apesar dos sistemáticos esforços para o ocultar, começa a vir à tona o sórdido negócio da guerra, isto é, a consumação do assalto aos recursos do povo líbio.

Sobre seis meses de ininterruptos bombardeamentos dos EUA e da NATO, que causaram milhares de vítimas – homens, mulheres e crianças mortas e feridas –, a destruição das infra-estruturas e a fragmentação de um país, eis que os agressores se lançam avidamente na divisão dos despojos.

«Um terço dos ataques da NATO contra Kadahfi, um terço do petróleo», nada mais, nada menos... Foi com esta clara aritmética que o canal televisivo I-Télé (Canal Plus) nivelou a ambição das grandes petrolíferas francesas, anunciando que o governo francês já teria garantido 35% do petróleo da Líbia e que o grupo francês TOTAL já teria iniciado a assinatura de «contratos» com o auto-proclamado «Conselho Nacional de Transição» (CNT), durante as últimas semanas. Uma autêntica corrida à rapina onde se posicionam igualmente as grandes petrolíferas italianas, norte-americanas e britânicas.


Depois de terem bombardeado e destruído metodicamente as infra-estruturas da Líbia e de terem colocado em causa a resposta às necessidades mais básicas do povo líbio, os EUA e os seus cúmplices na agressão lançam-se igual e cinicamente no frio e chorudo negócio da «reconstrução» e da «ajuda humanitária». Como já denunciado, o seu cálculo é simples, os EUA e os seus cúmplices tencionam apoderar-se de grande parte do fundo soberano da Líbia para oferecer milhares de milhões de dólares aos seus grandes grupos económicos e financeiros e para financiar a continuação da ingerência e da agressão.

Obviamente que os EUA e os seus cúmplices procurarão apresentar o seu sórdido negócio de guerra como se de «ajuda» se tratasse. Por isso, depois de terem utilizado o Conselho de Segurança das Nações Unidas para branquear a sua agressão, procuram agora que a ONU branqueie a operação de ocupação de facto que se prepara

Daí que, sem surpresa, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, venha uma vez mais cumprir o seu «papel», afirmando, no preciso momento em que a NATO intensificava os seus bombardeamentos e massacrava Tripoli, que «estamos a viver um momento de esperança, mas também de riscos» e que «as Nações Unidas estão prontas a dar ajuda em todos os domínios importantes», como a coordenação do dito «apoio internacional», a segurança, o funcionamento do Estado, a reconstrução, a redacção de uma Constituição e a organização de eleições. Para completar o quadro, a NATO prontifica-se a «apoiar».


Para a tentativa de dissimulação da agressão dos EUA e da NATO à Líbia vale tudo, desde o branqueamento assegurado pelo secretário-geral e pela resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas ao constante esforço para a encobrir sob o manto de uma «guerra civil». David Cameron, primeiro-ministro britânico, explica: «tentámos aprender as lições do passado em termos de fazer as coisas legalmente (??), através da ONU, sem o recurso a tropas terrestres e sem forças invasoras (??)». Traduzindo, «fazer as coisas», isto é, a guerra, de forma dissimulada e através da orquestração e encenação de uma autêntica provocação.

No entanto, após seis meses de bombardeamentos por parte dos EUA e da NATO e do bloqueio político, económico e financeiro que lhe foi imposto, a Líbia resiste, demonstrando que apesar das ambições, artimanhas, ânsias e cálculos do imperialismo, que apesar do imenso desequilíbrio de forças que se confronta no terreno e do desfecho imediato dos acontecimentos, as genuínas aspirações de liberdade e soberania do povo líbio, hoje tão agredidas pelos EUA e a NATO, encontrarão o seu caminho.



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