• José Casanova

Tempo de <i>rentrées</i>

É hábito, por esta altura do ano, os media dedicarem parte (por vezes grande) do seu espaço àquilo a que chamam a rentrée – ou seja o regresso dos partidos políticos à sua actividade, após as férias.

E assim fez, fiel à tradição, a revista Visão, no seu último número, numa peça assinada por Sónia Sapage.

Diz ainda a tradição que nessas peças de rentrée o tratamento dado ao PCP é, em regra, o mesmo que lhe é dado durante todo o ano...

E assim fez a referida revista, no referido número, na referida peça – sempre fiel à referida tradição.

Ainda de acordo com a tradição, a rentrée do BE é a que mais espaço ocupa e é tratada com os tradicionais desvelos maternais, dando-nos a conhecer todos os passos e passinhos de Louçã mal reentré.

Do PCP é-nos dito: «Sem novidades, também o PCP já reservou a Quinta da Atalaia para a 35.ª edição da Festa do Avante!, para os dias 2, 3 e 4 de Setembro». Ponto final.

Repare-se: «sem novidades», deixando no ar a ideia difundida durante todo o ano de que do PCP nada de novo há que esperar... a não ser a Festa do Avante!, que «faz parte da tradição», como o confirma o facto, sublinhado pela jornalista, de os comunistas até já terem «reservado a Quinta da Atalaia»...

Percebe-se a dificuldade revelada pela jornalista na abordagem da rentrée dos comunistas. Percebe-se que não tenha espaço nem vocação para falar, por exemplo, dos milhares de militantes que «reservam» todos os anos a Quinta da Atalaia para aí, no seu tempo de férias, em trabalho voluntário, procederem à construção da maior e mais bela iniciativa política, cultural, desportiva, convivial, de massas, realizada no nosso País. Ou, outro exemplo: das inúmeras iniciativas políticas levadas a cabo pelas organizações do PCP em todo o País, nas quais participam membros da direcção do Partido – e, em grande parte delas, o Ssecretário-geral do PCP.

Enfim, percebe-se a dificuldade em falar de uma coisa que, afinal, não existe: é que o PCP não tem rentrée, pela simples razão de que não fecha para férias – e quando os outros partidos chegam de rentrée, já ele cá está. Porque nunca de cá saiu.



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