Aconteu
Redol e Fonseca lembrados na SPA

Os escritores Alves Redol e Manuel da Fonseca, cujos centenários do nascimento se comemoram este ano, foram o tema de uma conferência, promovida, dia 22, pela Sociedade Portuguesa de Autores.

«Redol e Fonseca: Que neo-realismo? Que poéticas? Que interesse em ler estes autores hoje?», foi o título da conferência proferida pela professora da Faculdade de Letras de Lisboa, Maria Alzira Seixo, autora de uma vasta obra ensaística e este ano distinguida com o Prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora.

António Alves Redol (1911-1969) foi precursor do neo-realismo português ao escrever o romance Gaibéus (1939). Alguns anos mais tarde, Manuel Lopes Fonseca (1911-1993), enriqueceu este movimento na literatura com o romance Cerromaior (1943). Ambos os escritores, que foram militantes do PCP, deixaram uma importante obra cuja actualidade é reforçada nos dias que correm pela crise e o aumento das injustiças sociais.


Aristides Pereira um lutador pela liberdade

Aristides Pereira, líder histórico do movimento de libertação nacional dos povos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, faleceu, dia 22, aos 87 anos, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), onde estava internado desde o início de Agosto.

Numa mensagem de condolências enviada ao Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), o Secretariado do Comité Central do PCP recorda que «Aristides Pereira, companheiro de sempre de Amílcar Cabral, foi um dos fundadores do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que conduziu a luta dos povos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau contra o colonialismo e à conquista da sua independência».

O primeiro Presidente da República de Cabo Verde, foi «um lutador pela causa da emancipação dos povos africanos, pela conquista da sua soberania e independência, pelo progresso social e o seu desenvolvimento e um amigo do povo português», lê-se ainda na missiva do PCP, que enviou uma delegação à embaixada de Cabo Verde em Lisboa, onde o corpo de Aristides Pereira esteve em câmara ardente.


Júlio Resende pintor do povo

O pintor Júlio Resende, um dos grandes nomes do neo-realismo português, faleceu, dia 21, em Valbom, Gondomar, aos 93 anos. Nascido no Porto, a 23 de Outubro de 1917, frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e de Paris, iniciando a sua actividade como ilustrador na imprensa.

As primeiras pinturas retratam cenas de trabalho no Alentejo, mas a temática social atravessa grande parte da sua obra, onde mais tarde se revelam influências de Francisco Goya e Pablo Picasso, pintores que conhece numa viagem pela Europa.

Fez inúmeras exposições individuais em Portugal e em numerosos países, e os seus trabalhos podem ser vistos em vários edifícios públicos, como o Palácio da Justiça de Lisboa, a sede do Banco de Portugal ou a estação de Sete-Rios do metro de Lisboa. O painel Ribeira Negra, executado em 1968 por encomenda da Câmara Municipal do Porto, é considerado como um dos melhores painéis cerâmicos contemporâneos. Enquanto ilustrador, colaborou com vários autores, designadamente com Eugénio de Andrade e Sophia de Mello Breyner Andresen.


Adeus a José Niza

José Niza, o compositor de «E Depois do Adeus», faleceu em Lisboa, dia 23, aos 73 anos de idade.

Com uma destacada actividade em várias áreas, deixou na música portuguesa uma marca indelével, sendo autor de muitas canções interpretadas por Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Vitorino, Fausto, entre outros. Depois de já ter ganho o Festival RTP da Canção em 1972, repete a proeza em 1974 com a canção «E Depois do Adeus», interpretada por Paulo Carvalho, que foi uma das senhas da revolução dos Cravos.

Como responsável pela produção dos Discos Orfeu, cabe-lhe o lançamento de alguns dos nomes mais importantes da música popular portuguesa: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, Vitorino, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Manuel Freire, Carlos Mendes e José Calvário, entre outros.


TC acusado de falta de isenção

A decisão do Tribunal Constitucional (TC), dia 23, de recusar a inconstitucionalidade das normas da Lei do Orçamento do Estado de 2011 que reduziram as remunerações pagas por verbas públicas, foi vivamente contestada por sindicatos e juristas.

Ana Avoila, coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, acusou o TC de «falta de isenção» por ser um «órgão político».

Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, considerou «lamentável» o facto de que «as decisões do TC, de há algum tempo a esta parte, se tornaram demasiado previsíveis».

Posição equivalente tomou o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, prestando «homenagem» aos três juízes conselheiros que votaram vencidos contra o acórdão do TC, por se terem baseado em argumentos «estritamente jurídicos».

Já Paulo Otero, especialista em Direito Constitucional e em Direito Administrativo lembrou que a maioria dos juízes do TC é nomeada pela Assembleia da República e isso faz com que «de alguma forma» esteja «refém dos dois grandes partidos parlamentares».



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