Breves
Marrocos

Milhares de pessoas apelaram ao boicote eleitoral em manifestações realizadas, domingo, em diversas cidades do país. As «eleições» estão agendadas para o próximo dia 25 de Novembro, mas o povo contesta o processo acusando a monarquia e o seu séquito de perpetuarem o regime espoliador.

De acordo com a Reuters, cerca de três mil marroquinos foram impedidos pela polícia antimotim de chegarem ao parlamento, no centro da capital, Rabat. Iniciativas de massas ocorreram em outras grandes cidades, como Casablanca, Tânger ou Fez.

O rei Mohammed VI prometeu um sufrágio livre e justo, mas os marroquinos não acreditam em mais promessas do tirano, particularmente desacreditado depois de ter promovido recentemente um conjunto de reformas qualificadas de superficiais e insuficientes.


Egipto

Dez mil polícias exigiram a demissão do ministro do Interior num protesto realizado segunda-feira, no Cairo. Segundo uma edição online local, os uniformizados acusam Mansour El-Eissawy de não ter cumprido nenhuma das promessas feitas há dez meses, nomeadamente o aumento dos salários e a igualdade das remunerações para os profissionais do mesmo escalão, um estatuto de carreira que garanta a lisura dos processos de promoção e a implementação de um sistema de saúde.

Os manifestantes contestaram ainda o Conselho Supremo das Forças Armadas, o qual, acusaram, é responsável pela eventual convocação pelas forças da ordem de uma greve geral por tempo indeterminado.


Somália

Bombardeamentos dos EUA e França mataram 95 pessoas em duas operações levadas a cabo, segunda-feira, no Sul do país. Norte-americanos e gauleses alvejaram pretensas bases da milícia al-Shabab na ilha de Kudhaa.

No domingo, a marinha francesa já havia bombardeado o Sul da Somália, ataque considerado fundamental para o avanço das tropas quenianas na região, cujo objectivo é conquistar o porto marítimo de Kismayo e a estratégica cidade de Afmadow.

O Quénia envolveu-se abertamente nas operações imperialistas a pretexto do rapto de quatro colaboradoras de uma organização humanitária europeia.


Argentina

Cristina Kirchner foi reeleita com 53,8 por cento dos votos expressos nas eleições de domingo. Esta foi a vitória mais expressiva de um candidato à presidência desde a democratização do país, com a actual presidente a deixar a cerca de 8 milhões de votos o segundo candidato mais votado, Hermes Binner.

No mesmo sufrágio, a Frente para a Vitória, liderada por Kirchner, reforçou a maioria no Parlamento e no Senado argentinos.


Haiti

A contestação popular à Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah, na sigla inglesa) fez-se ouvir, a meio da semana passada, na capital, Porto Príncipe. Os haitianos voltaram a acusar a força multinacional de ser responsável pela propagação da cólera, epidemia que já matou cerca de 6600 pessoas e infectou meio milhão no espaço de um ano.

A Médicos Sem Fronteiras alertou recentemente que a Cólera permanece incontrolável no país, onde se registaram mais de ¾ dos casos identificados no mundo em 2011.

Os manifestantes exigiram ainda indemnizações para os contaminados e familiares das vítimas, e repudiaram a renovação do mandato da Minustah por parte do Conselho de Segurança da ONU, aprovado dia 14 de Outubro.

Desde Agosto que diversas organizações sociais e políticas haitianas realizam marchas contra a presença dos militares estrangeiros no território. No passado dia 14, centenas de haitianos exigiram a retirada imediata da Missão. Na ocasião, o rastilho da revolta popular foi a alegada violação de uma jovem por um militar uruguaio. O protesto, frente ao palácio presidencial ainda em ruínas, foi reprimido pelas autoridades com recurso a gás lacrimogéneo.


Colômbia

Estudantes universitários rejeitaram nas ruas a reforma educativa proposta pelo governo, acusando o executivo liderado por Juan Manuel Santos de pretender entregar o sector à exploração privada.

Em vários pontos da capital, Bogotá, os jovens expressaram, quinta-feira, 20, a sua firme oposição ao projecto. Iniciativas semelhantes foram também realizadas em Bucaramanga e Santander, assegurou um participante ouvido pela Telesur.