A Síria acusa a Liga Árabe de cumprir a agenda imperialista
Imperialismo cria condições para nova intervenção
Sírios defendem unidade e soberania

Milhares de pessoas de todos os credos e idades manifestaram-se, domingo, na capital da Síria, em defesa da unidade nacional e contra a ingerência externa nos assuntos do país e o terrorismo.

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A ameaça de expulsão da Síria do grupo de nações árabes foi repudiada pela multidão concentrada no centro de Damasco, estimada em pelo menos um milhão e meio de pessoas. Protestos massivos foram realizados no mesmo dia em cidades como Aleppo, Hasakeh e al-Raqqa (Norte), Latakia e Tartous (Oeste), Sueida, Deraá e Quneitra (Sul), Homs (Centro), Deir Ezzour e Idleb (Noreste) e Hama (Centro-Oeste), reportou a Telesur.

Na noite anterior, muitos milhares de sírios já se haviam concentrado frente às embaixadas do Qatar e da Arábia Saudita no território, acusando os governos daqueles países de serem peões do imperialismo norte-americano e europeu.

No sábado, a Liga Árabe adoptou uma resolução que dá quatro dias ao governo Sírio para acatar o cumprimento do acordo celebrado a 2 de Novembro. O texto promovido pelo Qatar, país que assume a presidência da Liga, omite, no entanto, que o referido acordo vem sendo cumprido pelo executivo liderado por Bashar Al-Assad, assim como vêm sendo implementadas reformas políticas, económicas e sociais substantivas.

Entre as exigências e sanções da organização pan-árabe estão igualmente a cooperação do regime com as ONG e com a ONU, e a imposição de restrições económicas e políticas nas relações bilaterais.

Tomando partido pela chamada «oposição síria», alguns estados árabes decidiram ainda retirar os respectivos representantes diplomáticos do território e receber a cúpula de contestatários sírios agrupados no Conselho Nacional Sírio (CNS).

Para ontem estava agendada uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Liga Árabe em Rabat, capital da «democrática» monarquia marroquina, com o objectivo de avaliar o cumprimento das coacções por parte da Síria. Não obstante, o governo de Damasco já considerou nulo o rol de medidas adoptadas, já que não foi aprovado unanimemente por todos os estados-membro, como determinam os estatutos da organização.

O governo sírio acusou ainda alguns membros da Liga Árabe de estarem a cumprir um guião ordenado pelos imperialistas norte-americanos e europeus, e lembrou que o cumprimento dos acordos de 2 de Novembro não dependem apenas da sua acção. Pacificar o país depende, sobretudo, da vontade dos bandos armados suportados e dirigidos a partir do exterior, defendem.

 

Guião repetido

 

A repetição, no fundamental, da tragédia líbia é uma hipótese plausível. O CNS, cópia síria do CNT líbio, também exige que a Liga Árabe peça ao Conselho de Segurança da ONU a imposição de uma zona de exclusão aérea.

Tal como no processo que conduziu à destruição do território norte-africano, também a televisão síria já se encontra proibida nas grandes potências, abrindo caminho à repetição, sem direito ao contraditório, do alegado saldo de 3500 vítimas civis desde o início dos protestos no país.

Outros canais televisivos, como a Telesur ou a PressTV, vão, no entanto, informando com repórteres no terreno, os quais têm apurado os factos junto das populações e das autoridades, fazendo sobressair as acções de milícias que operam a partir da Turquia cometendo actos considerados terroristas em qualquer parte do mundo, como ataques a esquadras e instalações do exército, alvejamento de multidões populares, sequestros e emboscada de militares, operações de minagem de regiões inteiras (incluindo zonas urbanas) e colocação de bombas.

Em paralelo com a Líbia, ainda as sanções económicas e financeiras levadas a cabo pelos EUA e a UE, que mensalmente geram danos na ordem dos 450 milhões de dólares.

Os governos da Rússia, China, Venezuela, Cuba, Nicarágua, Irão, entre outros, têm-se oposto firmemente a uma intervenção militar da chamada «comunidade internacional», mas a Alta Comissária da ONU para os Direitos humanos, Navi Pillay, já foi avisando que «onde quer que os direitos humanos sejam espezinhados e as reivindicações pacíficas sejam respondidas com repressão brutal, existe o direito à rebelião contra a tirania. Ocorreu na Líbia e poderá ocorrer na Síria».



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