Editorial

«Para que, em 2012, possamos viver um Natal livre da acção predadora das troikas»

REJEITAR O PACTO DE AGRESSÃO

Está aí o Natal, dia da família, segundo reza a tradição, com a festa, os presentes, a consoada, a alegria, o conforto…, mas que, para a imensa maioria das famílias portuguesas, será, este ano, um dia sombrio, de privações, de tristeza, de ansiedade.

Na verdade, as troikas – representadas pelo Governo PSD/CDS-PP – agindo ditatorialmente e roubando aos trabalhadores e ao povo direitos humanos essenciais por estes conquistados, roubaram-lhes, por arrasto, o Natal.

Assim, para as famílias dos desempregados (a maior parte dos quais sem subsídio, porque o Governo o roubou), não haverá Natal. Nem para as dos trabalhadores com vínculo precário, postos entre a espada do desemprego e a parede dos ordenados de miséria. Nem para as dos trabalhadores com vínculo efectivo (se é que isso ainda existe...), flagelados com crescentes ataques às suas condições de trabalho e salariais. Nem para as dos reformados e pensionistas, esbulhados dos legítimos direitos adquiridos ao longo de décadas de trabalho e de descontos.

Acresce que para todos estes – desempregados, precários, efectivos, reformados e pensionistas – o Governo das troikas reservou mais uma avalanche de «presentes de Natal»: os aumentos brutais da electricidade; das consultas nos hospitais e centros de Saúde; do gás; dos transportes; das portagens; dos bens essenciais… mais a liquidação de serviços públicos essenciais indispensáveis à vida das pessoas… mais o roubo no subsídio de Natal… tudo isto para além da ameaça constante, diária (e sempre concretizada) do agravamento das condições de vida.

Porque, como eles não se cansam de ameaçar, «o pior está para vir».

 

E é no cumprimento dessa ameaça que o Governo Passos Coelho/Paulo Portas prossegue e intensifica a sua acção devastadora, a sua ofensiva brutal contra das condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses, num processo contínuo de agravamento como mostra a revisão do memorando anunciada há dois dias.

Fá-lo em nome de um pretenso «combate à crise» – um combate que, segundo diz, exige um sinistro rol de «inevitabilidades», todas elas no mesmo sentido, todas elas recaindo cirurgicamente sobre quem trabalha e vive do seu trabalho; e sobre quem já trabalhou e tem direito a reformas e pensõess dignas; e sobre quem quer trabalhar e apenas depara, à sua frente, com intransponíveis obstáculos - enfim, sobre os trabalhadores e o povo.

Fá-lo portanto, em nome dos sacrossantos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, os quais, felizes e satisfeitos, abençoam as troikas, aplaudem a política do Governo e pedem bis, arrecadam os lucros – e preparam o Natal. Com a consoada, os presentes, a festa, o conforto, como reza a tradição…

Nunca, depois do 25 de Abril, os trabalhadores e o povo viram os seus direitos e interesses assim desprezados e espezinhados. Nunca sobre eles pesou uma tão violenta vaga de injustiças de todo o tipo. Nunca as famílias portuguesas tiveram um Natal como o que este ano lhes é imposto.

«É a crise», dizem os responsáveis por tudo isso, e repetem, em coro, os seus propagandistas.

Não, não é a «crise»: é a política de direita, essa política com a qual o PS, o PSD e o CDS/PP vêm, há trinta e cinco anos, liquidando a Revolução de Abril – e as suas históricas conquistas económiicas, políicas, sociais, culturais, civilizacionais – e entregando a independcia e a soberania nacionais nas garras do grande capital nacional e internacional.

Foram os três partidos da política de direita que fizeram chegar Portugal à dramática situação a que chegou; foram eles que chamaram a troika FMI/BCE/UE; foram eles que, de joelhos, submissos, assinaram o antipatriótico pacto das troikas – esse pacto de agressão que rouba os trabalhadores e o povo, que rouba o Natal a milhões de portugueses.

 

Por tudo isto, a rejeição do pacto de agressão coloca-se como questão central da actualidade, porque só rejeitando-o é possível abrir caminho à criação de condições para iniciar a resolução dos muitos e graves problemas que afligem os trabalhadores, o povo e o País; só rejeitando-o é possível encontrar um outro rumo para Portugal; só rejeitando-o é possível construir uma política patriótica e de esquerda.

Assim, rejeitar inequivocamente o pacto de agressão é a grande tarefa que, na situação actual, se apresenta aos trabalhadores, aos reformados, aos jovens, aos intelectuais e quadros, aos micro, pequenos e médios empresários, aos democratas, aos homens e mulheres de esquerda, a todos os que sentem na pele as consequências da política das troikas, a todos os que, de uma forma ou de outra, se sentem identificados com os princípios, os valores e os ideais de Abril.

Nesse sentido, é fundamental o desenvolvimento e a ampliação da luta das massas trabalhadoras e populares.

Na sequência da histórica greve geral de 24 de Novembro passado, importantes acções foram levadas a cabo, designadamente a semana de luta que, convocada pela CGTP-IN, ocorreu e 12 a 17 de Dezembro, e muitas outras estão previstas para o futuro imediato – lutas que assumem particular relevância quando ocorrem no interior das empresas e locais de trabalho; lutas pequenas, médias e grandes e que são, cada uma, um ponto de passagem para a seguinte, procurando atrair segmentos das massas trabalhadoras mais recuados, dando-lhes mais força, tornando-as mais eficazes.

No que lhe diz respeito, o PCP tudo fará, hoje como sempre, para dar mais força à luta. Para isso, o colectivo partidário comunista continuará a dar o seu contributo, que é decisivo.

Como muitas vezes dizemos – e é necessário repetir sempre – a luta é o caminho.

Para darmos a volta a isto.

Para que, em 2012, possamos viver um Natal livre da acção predadora das troikas.


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