Editorial

«Grande patronato/Governo/UGT: uma nova troika a juntar às outras duas»

A RESPOSTA NECESSÁRIA

Uma vez mais a realidade deu razão ao PCP. Infelizmente, neste caso. Com efeito, olhando para a situação actual, seis meses passados sobre a assinatura, pelo PS, o PSD e o CDS, com os aplausos do Presidente da República, do pacto das troikas – que os comunistas desde logo caracterizaram como um pacto de agressão aos trabalhadores, ao povo e ao País – o que vemos é o rumo de declínio nacional a acentuar-se todos os dias; os direitos e interesses da imensa maioria dos portugueses submetidos a uma brutal devastação; as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo a afundar-se num inferno de problemas, dificuldades e privações – enfim, tudo o que o PCP previu e preveniu que viria a acontecer quando afirmou que o pacto de agressão era o caminho para o desastre.

Não se passa um dia sem que novas medidas, cada uma pior do que a anterior, sejam aplicadas ou anunciadas – e todas, todas sem excepção, no mesmo sentido: o sentido do desprezo pelos portugueses e por Portugal e da submissão aos interesses do grande capital nacional e internacional.

Semanalmente, o Avante! dá notícia dos efeitos concretos dessas medidas: o agravamento dramático das condições de vida de milhões de portugueses, gerado, designadamente, pelos aumentos brutais e sucessivos dos preços dos bens essenciais e pela liquidação de serviços públicos fundamentais.

Semanalmente, o Avante! dá notícia de novas medidas que o Governo se prepara para aplicar: aos aumentos da semana que passou seguem-se os da semana que vem: depois dos combustíveis, são os transportes (agravados com o corte de carreiras); depois da água, do gás, da electricidade, são as taxas moderadoras, que penalizam uma consulta de urgência com o custo de 20 euros, e uma consulta não presencial com três euros, e uma intervenção de um enfermeiro com quatro euros – aumentos que, além disso, constituem um dos vários caminhos visando a liquidação dessa histórica conquista de Abril que é o Serviço Nacional de Saúde e a sua transformação na desumana e macabra perspectiva da alternativa ou pagas ou sofres; ou pagas ou morres…

Tudo isto, para já – visto que, como é costume dizer-se, ainda agora a procissão vai no adro.

 

É neste cenário sombrio – contudo de muito maior dimensão e gravidade do que aquilo que acima se resume – que surge, agora, o chamado «acordo dos parceiros sociais».

Sublinhe-se, em primeiro lugar, que estamos perante o mais violento ataque desferido contra os direitos individuais e colectivos dos trabalhadores portugueses, desde o 25 de Abril – e que, se quisermos encontrar situação comparável a esta, haverá que recuar aos tempos mais negros do mais negro período do fascismo.

Rejeite-se, em segundo lugar, a tese da bondade do «recuo na intenção de aumentar em meia-hora o horário de trabalho»: o recuo deveu-se, essencialmente, à luta dos trabalhadores e à acção esclarecedora e mobilizadora do PCP – sendo verdade, no entanto, que o que foi aprovado pelos chamados «parceiros sociais» constitui uma outra forma de levar a água ao moinho do grande capital, avançando com medidas que, aparentemente diferentes, conduzem ao mesmo objectivo e com idêntica gravidade. Como afirmou o Secretário-geral do PCP, tratou-se de meter pela janela o que não conseguiram meter pela porta: violação de direitos, mais exploração, trabalho escravo e não pago.

Registe-se, em terceiro lugar, a composição do grupo composto pelos chamados «parceiros sociais» que assinaram o «acordo»: o grande patronato, o Governo e a UGT – uma nova troika a juntar às outras duas e, como elas, ao serviço dos mesmos de sempre: os grandes grupos económicos e financeiros; e, como elas, desprezando e violando direitos e interesses dos mesmos de sempre: os trabalhadores.

Não é motivo de surpresa, o facto de a UGT, criação das forças da contra-revolução de Abril, ser parceira de tais parceiros: de facto, foi para isto que ela foi criada e foi por isto que sempre se bateu, com unhas e dentes, em todo o seu tempo de vida. Pelo que, uma vez mais, limitou-se a cumprir a sua tarefa.

Também não surpreende – antes era esperado como coisa natural e inevitável – que os comentadores & analistas de serviço nos media do grande capital tenham saudado e celebrado o «acordo» com luzido foguetório.

Na verdade, como escreveu o Poeta, isto anda tudo ligado

 

Todavia, também ligado a tudo isto, mas do outro lado da barricada, está a força organizada dos trabalhadores, está a firme disposição das massas de, com a luta, dar a este «acordo» a resposta necessária.

E essa é a questão essencial, porque como o PCP não se cansa de repetir, é na luta que está a resposta às brutais medidas do Governo; é na luta que reside o antídoto à política de direita e à sua ofensiva devastadora contra a democracia económica, política, social e cultural; é na luta que está a solução para a rejeição do pacto das troikas – e é pela luta que passa o caminho que conduzirá à imposição de uma política patriótica e de esquerda, ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal.

Mostra a realidade que a luta dos trabalhadores e das populações cresce, amplia-se, intensifica-se, ao mesmo tempo que evidencia enormes potencialidades de desenvolvimento.

Nesse sentido, é tarefa prioritária do colectivo partidário comunista dar o seu contributo para que a manifestação de 11 de Fevereiro, convocada pela CGTP-IN, junte em Lisboa muitos e muitos milhares de pessoas de todo o País, numa demonstração de força, de determinação, de vontade – muitos e muitos milhares de pessoas que, enchendo o Terreiro do Paço, dele farão, nesse dia, Terreiro da Luta e Terreiro do Povo.

 


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