Editorial

«O XII Congresso da CGTP-IN foi uma muito forte, uma poderosa jornada de luta»

TERREIRO DA LUTA<br>TERREIRO DO POVO

O fim-de-semana que passou ficou marcado pela realização do XII Congresso da CGTP – Intersindical Nacional.

Tratou-se de um êxito notável dos trabalhadores portugueses, da sua Central Sindical, do movimento sindical unitário.

Um êxito tanto mais de realçar quanto, como sabemos, o Congresso se realizou num quadro extremamente grave e penalizador para os trabalhadores portugueses: por um lado, sofrendo na pele, e de que maneira, os efeitos da mais grave situação económica e social do pós-25 de Abril, flagelados por sucessivas medidas de austeridade e por uma brutal ofensiva contra os seus direitos por parte do grande patronato e do Governo que o representa; por outro lado, sendo alvo de uma poderosa ofensiva ideológica, massivamente veiculada pelos media propriedade do grande capital, visando menorizar e desacreditar os sindicatos de classe –

Tratou-se, por isso, de um acontecimento maior da vida nacional e, porque foi uma jornada de luta e de confiança, com previsíveis incidências no que respeita ao reforço do movimento sindical e ao necessário desenvolvimento e intensificação da luta de massas.

Pelo Congresso, durante os dois dias da sua duração, perpassou a história da grande central sindical dos trabalhadores portugueses, desde o nascimento da Intersindical, em 1970, enfrentando com coragem o regime fascista, até ao momento actual – passando pelos tempos exaltantes da Revolução de Abril e pela longa e heróica resistência face à ofensiva contra-revolucionária.

 

Ali se analisou a situação decorrente da aplicação da política de direita, particularmente na sua fase actual, caracterizada pelas consequências dramáticas do pacto das troikas na vida dos trabalhadores e do povo.

Ali se desmascarou e deu combate a esse outro pacto de agressão aos trabalhadores, cozinhado por essa outra troika patronato/governo/UGT, esse «acordo inadmissível», essa «monstruosidade económica e social», a que é necessário dar a resposta adequada.

Ali estiveram cerca de novecentos delegados – homens, mulheres, jovens – analisando com lucidez, seriedade e inteligência a situação dramática em que a política de direita afundou o País e afirmando a sua firme determinação de, com a luta, dar a volta a isto – e discutindo e aprovando os dois importantes documentos que são a Carta Reivindicativa e o Programa de Acção.

Ali estiveram presentes, a par de muitos jovens dirigentes sindicais forjados nas lutas mais recentes, muitos outros com uma história feita de décadas de luta intensa, desgastante, contra um inimigo que não olha a meios para alcançar os seus fins, todos dando sequência a um exemplar processo de renovação, não apenas em relação ao Secretário-geral mas também no que respeita ao Conselho Nacional, à Comissão Executiva – e dali saíram, todos, com forças renovadas para as muitas e duras batalhas do presente e do futuro.

Enfim, foi a CGTP-IN que ali esteve, foi a grande central sindical dos trabalhadores portugueses, central sindical de classe, unitária, de massas, independente e democrática, por isso, sempre ocupando o seu lugar ao lado dos trabalhadores e dos seus interesses e direitos, sempre combatendo o grande patronato explorador e opressor. Sempre – no passado como no presente – assumindo a sua inequívoca postura de classe, exemplarmente sintetizada por Arménio Carlos, o novo Secretário-geral, na intervenção de encerramento do Congresso, quando afirmou: «Nós somos os explorados, eles são os exploradores» – afirmação que tanto desagradou e irritou os analistas de serviço. Pudera!...

 

O XII Congresso da CGTP-IN foi o que se esperava que fosse: a reunião máxima de uma verdadeira central sindical com provas dadas na sua intransigente defesa, em todas as circunstâncias, dos direitos e dos interesses das massas trabalhadoras.

Foi a resposta, uma grande e convicta resposta, à situação política, económica e social decorrente da política de direita.

Foi, por tudo isso, uma muito forte, uma poderosa jornada de luta – de uma luta que, nas próximas semanas e nos próximos meses, terá a sua continuidade nas empresas e locais de trabalho e assumirá grandiosa expressão de massas na manifestação nacional convocada para o dia 11 de Fevereiro e cujo processo de preparação, já em marcha, constitui, para o colectivo partidário comunista, a tarefa prioritária do momento.

Dia 11 é dia de todos os atingidos pelas malfeitorias da política de direita das troikas saírem à rua a manifestar o seu protesto; a dar combate e derrotar o pacto de agressão; a dar combate e derrotar o «acordo social»; a exigir uma mudança de rumo na política – a impor o fim da política de direita violadora dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, e a sua substituição por uma política patriótica e de esquerda, ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Dia 11 – porque é dia de luta contra a exploração, contra o desemprego, contra a ofensiva anti-laboral – é dia de fazer do Terreiro do Paço o Terreiro da Luta dos Trabalhadores.

Dia 11 – porque é dia de luta contra as sucessivas medidas de austeridade; contra os roubos nos salários, nas reformas e pensões; contra os aumentos desumanos dos preços dos bens essenciais; contra a celerada proposta da «lei dos despejos»; contra a liquidação de serviços públicos indispensáveis… – é dia de enchermos de povo o Terreiro do Paço e dele fazermos o Terreiro do Povo.


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