Editorial

«Nesta fase da luta, a preparação da greve geral coloca-se como questão crucial»

EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS

Na intervenção proferida no comício comemorativo do 91.º aniversário do PCP, o camarada Jerónimo de Sousa disse a dada altura: «Vivemos um tempo de vigorosos combates e os comunistas portugueses estão onde sempre estiveram: ao lado dos trabalhadores e do povo, porque a sua história, em toda a sua existência, desde esse longínquo ano de 1921, confunde-se e funde-se com a história da luta do nosso povo».

Trata-se de verdades incontestáveis, mas que nem por isso devem deixar de ser sublinhadas neste tempo marcado por mentiras que de tanto repetidas e de tão amplamente difundidas tendem a transformar-se em verdades absolutas...

Com efeito, mostram os factos que a história do PCP é uma história de luta – luta travada sempre ao lado dos trabalhadores e do povo, em todas as situações e circunstâncias.

Foi assim logo nos primeiros anos de vida do Partido e assim continuou a ser durante o quase meio século de ditadura fascista – nesse tempo em que o PCP, num quadro de feroz ofensiva anticomunista e de brutal repressão, e pela acção de um geração notável de militantes comunistas, nasceu como partido marxista-leninista de facto, ou como «partido leninista construído com a experiência própria», nas palavras do mais destacado dos seus construtores, o camarada Álvaro Cunhal; nesse tempo em que o PCP, enquanto grande partido da resistência e da unidade antifascistas, era o alvo primeiro da repressão e os seus militantes eram perseguidos, presos, torturados, muitas vezes assassinados, pela sua entrega à luta contra o odioso regime fascista, pela defesa dos interesses dos trabalhadores, pela democracia, pela liberdade.

 

Foi também assim – com os comunistas na primeira fila da luta – no período que se seguiu ao derrubamento do governo de Marcelo Caetano e à subsequente liquidação do regime fascista, nesse período exaltante dos grandes avanços revolucionários que viriam a culminar na aprovação da Constituição de Abril, texto fundador da mais avançada democracia alguma vez existente em Portugal.

E assim tem sido nos 35 anos de política de direita, desta política que, praticada em serviço combinado pelos três partidos do costume – PS, PSD e CDS – se alimenta, e alimenta os grandes grupos económicos e financeiros, do ódio à Revolução de Abril e às suas conquistas económicas, sociais, políticas, culturais, enquanto rouba direitos fundamentais aos trabalhadores e ao povo.

É tudo isto – mais o muito que poderia acrescentar-se ao que acima é dito – que os militantes comunistas assinalam nas inúmeras iniciativas levadas e a levar a cabo em todo o País, celebrando o 91.º aniversário do PCP – iniciativas que, reforçando em todos o legítimo orgulho de integrarem o grande e fraterno colectivo partidário comunista, reforçam a disponibilidade de militância e de entrega às múltiplas tarefas impostas pela situação actual, das quais emergem, como as mais relevantes e prioritárias do momento, a construção do XIX Congresso e a preparação da greve geral convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 22 de Março.

 

Sobre a luta, nunca é demais insistir na valorização da grandiosa manifestação de 11 de Fevereiro, no seu significado, nos seus ensinamentos, nas potencialidades que evidenciou. Não é fruto do acaso, aliás, o facto de ela ter sido tão maltratada, tão silenciada, tão menosprezada pelos media dominantes, propriedade do grande capital...

Na verdade, essa histórica jornada de luta, marcando de forma inequívoca uma nova e mais avançada fase da luta contra a política de direita, constituiu um poderoso impulso ao desenvolvimento da acção das massas trabalhadoras e populares. De então para cá, multiplicou-se as lutas nas empresas, nos locais de trabalho, nos sectores, nas localidades, nas ruas, envolvendo amplas camadas da população, tudo convergindo para a greve geral de 22 de Março, que, tudo o indica, será uma muito forte jornada de luta com fortes possibilidades de vir a desempenhar um importante papel estratégico no quadro da actual situação e nas perspectivas futuras. Por isso, a preparação da greve geral coloca-se aos trabalhadores portugueses e às suas estruturas de classe como a questão crucial nesta fase da luta. Há todo um trabalho a fazer, um imenso trabalho de esclarecimento, de fundamentação das razões e da importância da greve geral, de combate à ofensiva ideológica do conformismo, da resignação, das inevitabilidades e dos medos, de convencimento e mobilização – todo um trabalho que é indispensável para que a jornada de luta de 22 de Março venha a constituir a grande acção de massas que a situação actual exige e que a defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores, do povo e do País impõem.

E podem os trabalhadores portugueses estar certos de que, para assegurar o êxito da greve geral, contarão com o contributo, sempre decisivo nesta matéria, do combativo colectivo partidário comunista.

Porque, e voltando às palavras do Secretário-geral do PCP no comício da Voz do Operário, neste tempo em que aos trabalhadores e ao povo a luta se coloca como o caminho essencial de resposta à política de direita – pois só a luta poderá travar o rumo de desastre nacional traçado pelas troikas e pela sua política -; neste tempo de vigorosos combates, em que as massas trabalhadoras e populares afirmam a sua determinação de resistir à política antipatriótica e de direita e construir uma política patriótica e de esquerda; neste tempo de luta intensa, os comunistas portugueses ocupam o lugar que foi o seu ao longo dos 91 anos da história do seu Partido: a primeira fila da luta, ao lado dos trabalhadores e do povo.

E assim será sempre. Em todas as circunstâncias.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: