Editorial

«Os trabalhadores saíram massivamente à rua enfrentando a política de direita e o famigerado pacto de agressão»

VALE A PENA LUTAR

Há cinquenta anos, os trabalhadores portugueses, enfrentando as forças repressivas do fascismo, ergueram o mais poderoso 1.º de Maio até então realizado. As comemorações estenderam-se a todo o País, atingindo maior dimensão e força em Lisboa, onde mais de cem mil pessoas ocuparam as ruas e, durante várias horas, responderam às cargas da polícia e às rajadas de metralhadora com pedras arrancadas do pavimento e com postes de sinalização, dispersando num lado para se reagruparem noutro, numa notável demonstração de coragem e determinação. As forças policiais, em brutais cargas repressivas, provocaram milhares de feridos e assassinaram o jovem operário comunista Estêvão Giro.

As históricas comemorações do 1.º de Maio de 1962 tiveram continuidade imediata, durante todo o mês, na igualmente histórica conquista da jornada de trabalho de oito horas pelos assalariados rurais da zona do latifúndio.

Tratou-se, assim, de um dos momentos mais altos da luta da classe operária e dos trabalhadores contra a exploração, a opressão e a repressão fascistas; tratou-se, como sublinhou Álvaro Cunhal no Rumo à Vitória, de «um marco fundamental na história da luta do proletariado português pela sua libertação do jugo do capital».

Lembrando hoje esses acontecimentos, importa retirar deles duas ilações fundamentais. Em primeiro lugar, eles confirmam a necessidade e a importância da luta, sejam quais forem as circunstâncias e sejam quais forem as suas consequências. Em segundo lugar, eles evidenciam liminarmente que, ao contrário do que apregoam os propagandistas do grande capital e da política de direita, a luta vale a pena e só com ela é possível assegurar a defesa dos interesses e direitos das massas trabalhadoras e populares face à exploração e à opressão capitalista.

 

Cinquenta anos passados, o 1.º de Maio foi comemorado em grandiosas manifestações, em dezenas de localidades, assumindo expressão assinalável em Lisboa e no Porto. Os trabalhadores saíram massivamente à rua enfrentando a política de direita que, de há um ano para cá, tem vindo a ser impulsionada pelo famigerado pacto de agressão – um pacto que, nunca é demais relembrar, foi assinado pela troika ocupante (FMI/BCE/UE) e pela troika colaboracionista (PS/PSD/CDS), com os aplausos do Presidente da República e de outras figuras gradas da política de direita praticada nos últimos trinta e seis anos.

Os alertas lançados pelo PCP aquando da assinatura do pacto de agressão estão a ser confirmados todos os dias e, como sublinhou o Secretário-geral do PCP no comício de Caldas da Rainha, esse pacto de agressão, e o seu programa de ingerência, empobrecimento, declínio e amputação da soberania e da independência nacional, «constitui a maior ofensiva contra os interesses do povo e do País desde os tempos do fascismo».

Propagandeado como um «programa de ajuda», ele confirmou-se como um autêntico e sinistro programa de extorsão do património e dos recursos do País e de exploração dos trabalhadores e do povo. E se ajuda há e h! para o grande capital, em especial para a Banca que, essa sim, tem milhares de milhes de razes para estar satisfeita

Como afirmou Jerónimo de Sousa, estes quase doze meses de aplicação do pacto de agressão pelo Governo PSD/CDS, com a cumplicidade do PS, traduziram-se na crescente regressão da economia portuguesa; no desemprego a crescer todos os dias; no violento ataque aos direitos dos trabalhadores; na brutal degradação do poder de compra das populações em consequência do corte e congelamento de salários, dos roubos nas pensões e reformas, do aumento dos impostos e dos preços de todos os serviços e bens essenciais, do roubo nos subsídios de Natal e de férias (cujo prolongamento até 2018 o Governo anunciou agora) – o que, com as dificuldades crescentes no acesso ao direito à Saúde, à Educação e à Segurança Social, se traduz num agravamento brutal das condições de vida de milhões de portugueses, da imensa maioria dos portugueses, espalhando a pobreza, a miséria e a fome.

 

Foi contra este pacto de agressão, contra esta política antipatriótica e de direita ao serviço exclusivo dos interesses do grande capital, e por uma política patriótica e de esquerda ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País que, neste 1.º de Maio, as massas trabalhadoras saíram à rua e, ali, manifestaram a sua inequívoca determinação de prosseguir e intensificar a luta. Uma luta que, como aqui temos sublinhado, é difícil, mas que, como a vida e a experiência nos ensinam – e como a memória dos acontecimentos de Maio de 1962 nos recorda – a luta vale a pena. E vai continuar, cada vez mais participada, cada vez mais forte, cada vez mais confiante, cada vez mais próxima dos seus objectivos.

No próximo dia 4, será a vez de os camponeses, respondendo à convocatória da CNA, se deslocarem a Lisboa, protestando contra a política de favorecimento dos interesses dos mesmos de sempre, os grandes senhores da agricultura, e de desprezo pelos interesses dos mesmos de sempre, os pequenos e médios agricultores.

E no dia 12, em Lisboa, e no dia 26, no Porto, é o PCP a mobilizar as massas trabalhadoras e populares para as manifestações de rejeição do pacto de agressão e de exigência de um novo rumo para Portugal.

E a estas, muitas outras lutas se somarão, convergindo num amplo movimento popular que, à escala nacional, há-de ver concretizado o seu objectivo de impedir o afundamento do País pelas troikas e de salvaguardar os interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal.


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