A austeridade e as troikas «dão-nos cabo da vida»
Grande concentração nacional
CNA quer travar o desastre

No dia 4, a CNA realizou em Lisboa uma grande manifestação contra o «programa de desastre nacional», acordado entre as troikas e o Governo, e por melhores políticas agrícolas.

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Mais de três mil agricultores, vindos dos diferentes distritos, mobilizados pelas associações filiadas na Confederação Nacional da Agricultura, reuniram-se desde cerca das 14.30 horas, no Príncipe Real, e foram depois deixar as suas reclamações na residência oficial do primeiro-ministro e na Assembleia da República. Durante o mês de Abril foram realizadas algumas dezenas de reuniões e outras iniciativas, a nível regional.

A defesa da produção nacional, a melhoria dos preços e o combate à especulação dominada pelas grandes marcas comerciais já estavam entre os objectivos da manifestação de dia 4, mas ganharam especial actualidade com a «operação Pingo Doce» e as notícias sobre as consequências que poderá ter a breve prazo. Mas são mais amplas e mais profundas as preocupações da CNA e dos agricultores, e as consequentes exigências que apresentam ao Governo e à AR, face à grave situação da agricultura familiar e do mundo rural.

Na manifestação da passada sexta-feira, destacou-se a reclamação de aumento dos preços pagos aos produtores e de medidas legislativas que regulem com justiça o circuito comercial da produção até ao consumidor. João Dinis, dirigente da CNA, salientou que é notório o desequilíbrio de forças entre quem produz e quem domina o comércio. Falando junto à AR, defendeu que só por via legislativa será possível acabar com a ditadura comercial e os abusos colossais das grandes superfícies e dos seus donos, de modo a garantir escoamento à produção nacional. Assim se poderá ainda reduzir as importações e salvaguardar a soberania e a qualidade alimentar no País.

Por exemplo, referiu João Dinis, os hipermercados poderiam pagar à produção melhor e a tempo e horas, que continuariam a ter margem de lucro para baixarem os preços ao consumidor. Por outro lado, já deveriam ter sido pagos pelo Governo aos agricultores mais de cem milhões de euros, soma que inclui seis milhões relativos à sanidade animal e quase 80 milhões de uma parcela de 20 por cento das ajudas directas de 2011. A dívida tem efeitos ainda mais graves por causa dos prejuízos da seca.

Nos cartazes, faixas e palavras de ordem, foram expressas fortes críticas à ministra Assunção Cristas e à política do Governo, que aumenta os custos de produção e os impostos.

Paula Santos e Paulo Sá, deputados do PCP, foram até junto dos agricultores expressar solidariedade e dar conta da acção desenvolvida pelos comunistas na Assembleia da República a favor das reivindicações expressas na manifestação.



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