Editorial

«A realidade confirma a justeza das prevenções do PCP quando da assinatura do pacto de agressão»

TEMPO DE LUTAR, TEMPO DE VENCER

O agravamento constante da situação económica e social confirma todos os dias o rumo de desastre nacional imposto pela política das troikas a Portugal e aos portugueses – e confirma, por isso, que a intensificação e o alargamento da luta de massas constitui, no quadro actual, a questão maior para os trabalhadores e para o povo. Porque é na luta das massas trabalhadoras e populares que se encontra o caminho que porá termo ao afundamento do País e conduzirá à solução dos graves problemas criados por trinta e seis anos de política de direita, o último dos quais sob o comando directo da troika ocupante e do seu pacto de agressão.

E que ninguém se iluda: os «sinais positivos» que os responsáveis pela dramática situação existente anunciam, não passam de propaganda visando criar condições para prosseguirem a política antipatriótica e de direita que estão a impor aos trabalhadores, ao povo e ao País.

O mesmo deve dizer-se da apregoada «austeridade inteligente» e dos milagres provenientes da adenda ao tratado orçamental, com o qual o PS pretende, apenas e só, iludir os trabalhadores e o povo, escondendo-lhes que tal «adenda» significará mais do mesmo: menos crescimento, mais falências, mais desemprego, mais injustiças sociais, menos soberania, mais exploração. E só uma colossal hipocrisia pode levar dirigentes desse partido a virem falar de «crescimento e emprego», num momento em que se tornaram cúmplices na aprovação de um código do trabalho que aponta para o regresso a condições de trabalho e de exploração iníquas e, em vários aspectos, remontando ao tempo que em Abril, Abril venceu.

Em resumo: de mãos dadas durante os trinta e seis anos de execução da política de direita, PS, PSD e CDS permanecem nessa postura com o objectivo de darem continuidade a essa política, agora sustentados pelo famigerado pacto de agressão por todos eles subscrito e cuja aplicação todos eles apoiam.

 

Por tudo isso, vale a pena relembrar, tantas vezes quantas as necessárias, que a realidade confirma, sem margem para dúvidas, a justeza das advertências do PCP quando da assinatura do pacto de agressão. Com efeito, um ano depois desse acontecimento fatídico, aquilo a que assistimos é a uma continuada recessão económica com o PIB a recuar para níveis de antes de 2005 – devorando milhares de empresas e ameaçando outras tantas; com o desemprego a crescer, atingindo dimensões de tragédia social – e ameaçando não parar; com as injustiças sociais a atirarem para a miséria, a pobreza e a fome milhões de portugueses – e ameaçando vir a agravar-se ainda mais; com aumentos sucessivos e brutais dos bens de consumo, dos serviços, dos combustiveis, dos transportes, de tudo o que é indispensável à vida das pessoas – e com os responsáveis por tudo isso a dizerem que «o pior está para vir»; com a independência e a soberania nacionais entregues nas garras do grande capital nacional e internacional – e com a democracia cada vez mais carenciada de conteúdo democrático e cada vez mais longe do 25 de Abril.

Tudo isto confirmando igualmente a justeza das propostas apresentadas pelo PCP, quer na altura da assinatura do pacto de agressão, quer no decorrer da sua aplicação, designadamente aquelas que se apresentam com imperativo carácter de urgência: a rejeição desse pacto de extorsão do País e do povo e a consequente renegociação da dívida – condições indispensáveis para o relançamento do desenvolvimento de Portugal, para uma política de defesa dos sectores produtivos, para a potenciação da produção nacional, do emprego e da elevação das condições de vida dos trabalhadores e das populações – como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa na intervenção de abertura das Jornadas Parlamentares realizadas em Leiria, no princípio da semana, e no decorrer das quais ficou uma vez mais demonstrado que a política patriótica e de esquerda proposta pelo PCP é a única alternativa à política de afundamento nacional do pacto de agressão – e que com a luta essa alternativa será alcançada.

 

Neste contexto, assumem particular significado e relevância as acções de massas convocadas pela CGTP-IN para os dias 9 e 16 de Junho, no Porto e em Lisboa.

Trata-se de jornadas de luta que, dando continuidade às expressivas manifestações e greves gerais dos últimos meses, bem como às inúmeras lutas travadas nas empresas e locais de trabalho, constituirão pontos de passagem para futuras iniciativas, engrossando a vaga de descontentamento e de protesto, tornando mais forte a exigência de um novo rumo para Portugal, criando melhores condições para enfrentar e rejeitar, nas empresas, a aplicação do sinistro Código do Trabalho.

Vale a pena recordar que os trabalhadores portugueses protagonizaram, nas últimas décadas, algumas das mais expressivas lutas levadas a cabo em toda a Europa. Lutas que, numa primeira fase, conduziram às memoráveis conquistas da Revolução de Abril e que, numa segunda fase, enfrentaram a poderosa ofensiva da contra-revolução, num combate longo, difícil, desgastante, só possível de levar a cabo graças a uma elevada consciência política e de classe. Lutas que prosseguirão no futuro e às quais o PCP continuará a dar todo o seu apoio – quer dando o seu contributo para o êxito das acções promovidas no plano unitário, quer através de iniciativas próprias como a manifestação do próximo dia 26, do Cais do Sodré para os Restauradores, pela rejeição do pacto de agressão e por um Portugal com futuro.

Sábado é dia de luta. Porque é de luta o tempo que vivemos. E lutando venceremos.

 


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