• Jorge Messias

O Cinturão Negro do Vaticano

«O Sistema Financeiro Internacional é constituído pelo conjunto de mecanismos financeiros e bancários que permitem a afirmação das trocas económicas com as nações. Actualmente, compõem-no maioritariamente: o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BCE) e o Fórum de Estabilidade Financeira (FEF)» (Prof. João Bosco da Fonseca, «Direito Económico»).

«Penso que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades que exércitos inteiros prontos para o combate. Se o povo americano permitir, um dia, que os bancos privados controlem a moeda, os bancos e todas as instituições que venham a florescer em torno dos bancos, privarão os cidadãos de toda a propriedade; primeiro, através da inflação; depois, por meio da recessão... Até ao dia em que os seus filhos e filhas acordem sem tecto, sobre a terra conquistada por seus pais!... (Thomas Jefferson, 1803, coo-autor da «Declaração de Independência dos E.U.A.» e terceiro presidente da república norte-americana).

«Que exige a justiça social em relação às riquezas? Uma distribuição mais justa da riqueza foi sempre – e continua sendo – o ponto central da doutrina social católica. É necessário que as riquezas, em contínuo incremento com os progressos da economia, sejam repartidas entre os indivíduos ou entre as diversas classes da sociedade, de tal maneira que se salve sempre a utilidade comum». (João Paulo II, «Carta Apostólica»).

Como aqui já foi anteriormente mencionado, na pirâmide que representa a estrutura unitária da Igreja Romana e a nível dos superiores centros de decisão do Vaticano, funciona um grupo consultivo constituído pelas 13 famílias mais ricas do planeta. O núcleo foi inicialmente conhecido como Vaticália (Vatic de Vaticano + Alia de Itália). Mas com o tempo e com a expansão das grandes fortunas e dos volumes dos negócios, é hoje chamado Nobreza Negra. Das antigas funções desta nobreza informal destacavam-se as representações litúrgicas realizadas em certas cerimónias fundamentalistas dos cultos religiosos.

A Nobreza Negra transformou-se, mais tarde, num forte grupo de pressão que a Cúria reconheceu e integrou na doutrina a nível do próprio dogma papal. E pode contribuir para melhorar os níveis do nosso conhecimento, recordar que este grupo prepara os iluminatti mais influentes que comandam os governos e os mercados. Aliás, é voz corrente contribui, no mínimo, com 1% dos seus gigantescos lucros para o Óbolo de S. Pedro (uma instituição que é da exclusiva administração pessoal do papa e que nenhuma grande decisão das políticas da igreja é tomada sem prévio consentimento dessa formação de super-dotados : os iluminatti.

Deste modo se faz o enlace financeiro, a nível de cúpulas, entre os fabulosos tesouros da igreja que se lamenta de ser pobre e se auto-define como igreja dos pobres, e os dividendos recolhidos pelos exploradores e pelos aventureiros que aproveitam a deixa para se ocultarem nas sombras dos offshores cardinalícios. O pacto comercial assim firmado entre grandes patrões e banqueiros tem também como objectivo estabelecer um invisível Cinturão Negro que garanta a segurança dos seus membros. Assim, para zelar pelos seus patrimónios e se integrar no movimento capitalista na fase monopolista, a classe sacerdotal consente em ser parte activa de uma inqualificável degradação moral.

Um outro aspecto central merece ainda a nossa atenção.

O Vaticano, ao entrar neste jogo social com as fortunas que dominam os mercados, está simplesmente a dialogar com os seus iguais. Também ela tem os seus offshores, os seus bancos, as suas multinacionais e as suas associações de classe.

Neste ponto da nossa exposição não poderíamos deixar de referir um excelente e bem fundamentado artigo do camarada César Príncipe, intitulado Tráfico e Corrupção, doença genética do capitalismo. Este é um tema de actualidade a não esquecer, o mesmo se podendo dizer do grafismo de capa desse notável número de O Militante. Dos nomes dos gigantescos grupos económicos aí referidos – Goldman Sachks, Iberdrola, Morgan Stanley, Union des Banques Suisses, Barclays, Alianz, La Caja, EDP, Jerónimo Martins, BPI, Banco Espírito Santo, PT, Galp Enegia – nem um só a imprensa nacional e internacional tem deixado de referir acerca das suas íntimas relações entre os seus capitais e os capitais e negócios da igreja.

É tema a que gostaríamos de acrescentar duas palavras.



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