Editorial

«A rejeição do pacto de agressão é um objectivo primordial da luta»

UMA LUTA PARA VENCER

Mostra a experiência dos últimos trinta e seis anos que, no que toca à prática de malfeitorias, tudo é expectável da parte dos governos da política de direita – e, para o caso, do Governo PSD/CDS que actualmente cumpre o seu turno de serviço a essa política. Também no que respeita aos métodos utilizados, diz-nos essa mesma experiência que a adopção pelos sucessivos governos da modalidade do vale-tudo, afasta liminarmente qualquer hipótese de surpresa nessa matéria – com o actual Governo a mostrar que é tão mau como os piores e que em nada fica atrás de nenhum dos que o antecederam.

Assim, não são motivo de espanto, nem os sucessivos ataques movidos por esses governos a tudo o que a democracia de Abril trouxe de progressista, de avançado, de positivo para os trabalhadores, o povo e o País, nem as formas que esses ataques assumiram – sempre afrontando a democracia e os seus princípios e valores; sempre espezinhando direitos e interesses dos trabalhadores e das populações; sempre mandando às urtigas as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos; sempre roubando futuro à juventude; sempre roubando aos que trabalham e vivem do seu trabalho para encher os cofres dos que nada fazem e vivem à custa do trabalho dos outros; sempre desprezando a independência e a soberania nacionais; sempre violando a Constituição da República Portuguesa, lei fundamental do País. E sempre identificando o interesse nacional com o interesse do grande capital opressor e explorador, do qual esses governos, todos, foram, são, e serão enquanto existirem, fidelíssimos servidores.

Tão longe foram os governos PS/PSD/CDS na sua feroz e brutal ofensiva contra a democracia de Abril que bem se pode dizer que, em aspectos fundamentais, Portugal está hoje mais próximo do 24 do que do 25… E muito pior estaria se essa ofensiva não tivesse sido enfrentada, com determinação e coragem, pela luta das massas trabalhadoras e populares – essa luta que, prosseguindo, intensificando-se, ampliando-se e tornando-se cada vez mais forte, acabará por derrotar essa política antipatriótica e de direita e conquistar uma política patriótica e de esquerda, inspirada nos valores de Abril.

 

Entretanto, a troika ocupante – BCE, UE, FMI – representante do grande capital internacional, desloca-se uma vez mais ao nosso País com o objectivo de fiscalizar a aplicação do pacto de agressão que há um ano assinou com a troika colaboracionista PS, PSD, CDS – e, não o esqueçamos, com os aplausos entusiásticos do Presidente da República.

Trata-se da «quinta avaliação», nas palavras dos media e dos habituais analistas de serviço, os quais se desunham em análises e conjecturas sobre o que há a esperar desta visita – análises e conjecturas que mais não são do que formas folclóricas de desviar as atenções daquilo que é essencial, a saber, e como afirmou o Secretário-geral do PCP, na terça-feira, em Guimarães: o grande problema, o problema de fundo que se coloca a Portugal e aos portugueses, continua a ser precisamente o pacto de agressão. O PCP alertou e preveniu, há um ano, que a aplicação do pacto de agressão iria conduzir ao afundamento do País – e a realidade aí está a demonstrar inequivocamente que é isso que tem vindo a acontecer de então para cá.

Na verdade, enquanto esse brutal instrumento de extorsão de Portugal e dos portugueses não for rejeitado – definitivamente rejeitado – o que há a esperar é a acentuação da ofensiva contra a democracia de Abril, com mais ataques à independência e à soberania de Portugal, mais austeridade, mais desemprego, mais ataques aos direitos dos trabalhadores, mais roubos aos trabalhadores e ao povo, mais ataques à independência e à soberania de Portugal, mais injustiças sociais, mais dramas para a imensa maioria das famílias, mais dificuldades, mais pobreza, mais miséria, mais fome, mais inferno para milhões de portugueses.

E, no contexto actual, tudo isto faz da rejeição do pacto de agressão um objectivo primordial da luta das massas trabalhadoras e populares.

 

Assim sendo, e conhecido que é o papel desempenhado pelo PCP na situação política nacional, são grandes e prementes as tarefas que se colocam ao colectivo partidário comunista.

De há umas semanas a esta parte, temos vindo a sublinhar aqui, como uma dessas tarefas, a construção da Festa do Avante! –, toda a imensa intervenção colectiva que isso implica e que, nesta última semana, nos obriga a todos a um redobrado esforço no sentido de assegurar o êxito daquela que é a maior e a mais bela iniciativa política e cultural realizada no nosso País. Para isso, é necessário – para além de assegurar a construção da Festa no terreno e o preenchimento dos turnos de serviço durante os três dias – intensificar a sua divulgação e promoção junto do maior número de possíveis visitantes, lembrando-lhes, ou mostrando-lhes, o que é a Festa, incentivando-os a adquirir a EP, organizando as excursões que hão-de garantir as suas deslocações até à Quinta da Atalaia.

Com a consciência e a certeza de que construir e erguer a Festa do Avante! é, também, dar mais força à luta – porque a Festa é, ela própria uma importante jornada de luta e porque dela, e do seu êxito, sairemos com as baterias recarregadas, com as forças renovadas para a luta que temos que prosseguir no futuro imediato. Uma luta que há que prosseguir até à derrota do sinistro pacto de agressão e da sua política de direita e à conquista de um futuro de progresso e desenvolvimento para Portugal. Por isso, uma luta para vencer.


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