Editorial

«A luta continuará até à derrota do pacto de agressão e da política das troikas»

LUTAR, LUTAR SEMPRE

As expressivas manifestações ocorridas no sábado passado, em vários pontos do País, trazendo às ruas a indignação e o protesto de milhares e milhares de pessoas, constituíram uma demonstração inequívoca da rejeição e do repúdio veemente da política das troikas e do negregado pacto de agressão pela sociedade portuguesa e do isolamento crescente do Governo Passos/Portas. Mostraram, também, a disponibilidade de luta dos trabalhadores e do povo português, fartos de serem explorados, de verem os seus direitos e interesses espezinhados, durante décadas, por sucessivos governos PS/PSD/CDS ao serviço dos interesses do grande capital. Um grito uníssono de revolta ecoou em dezenas de cidades do País: basta de roubos nos salários, nos subsídios, nas pensões e reformas; basta de desemprego e de precariedade; basta de leis laborais de escravatura; basta de afundamento do País; basta de troikas. Acima de tudo, essas grandiosas manifestações confirmaram a justeza da luta incessante, determinada e corajosa travada ao longo dos anos pelas massas trabalhadoras e populares, pelos que em todos os momentos – sempre, sempre, sempre – não desistiram nem desistem de lutar, de dizer «não!» à política de direita e de exigir para Portugal o rumo de justiça social que a Revolução de Abril nos mostrou ser possível.

Se é certo que muitos dos que se manifestaram no sábado eram rostos conhecidos (e vozes conhecidas…) de activistas da luta de todos os dias nas empresas e nas ruas, muitíssimos mais eram os que ali faziam a sua iniciação na luta popular de massas, dando (assim o desejamos) o primeiro passo na intervenção activa contra a política de direita causadora da situação dramática em que o País está mergulhado E, se assim for, esse é o dado de maior relevância a extrair das massivas manifestações que, por todo o País, disseram «não!» à nefasta política das troikas.

Derrotar essa política e substituí-la por uma política ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País não é objectivo fácil de alcançar e exige muitas e muitas jornadas de luta, muita perseverança, muita determinação, muita combatividade, muita coragem.

Bom será que os manifestantes que, no sábado passado, deram esse primeiro passo, não dêem por terminada a sua tarefa. Glosando Brecht: sair à rua um dia é importante, sair à rua dois dias é ainda mais importante, mas sair à rua tantas vezes quantas as necessárias para alcançar o objectivo pretendido, é, mais do que importante, indispensável. Que esses recém-chegados à luta prossigam no combate para pôr termo à política das troikas, designadamente juntando a sua voz às vozes dos que, ao apelo da CGTP-IN, a grande central sindical dos trabalhadores portugueses, se manifestarão no próximo dia 29, em Lisboa. Para que a luta seja mais forte e mais eficaz.

Desta vez, os media dominantes – televisões, jornais e rádios, públicos e privados – trataram as movimentações de massas com inegável originalidade: foram, primeiro, divulgadores activos das manifestações, mobilizando para elas os seus telespectadores, leitores e ouvintes; e foram, depois, divulgadores a tempo inteiro das grandes acções de massas realizadas, acompanhando-as em directo, escolhendo os melhores ângulos de filmagem, enaltecendo-as, valorizando-as – o que não deixa de ser surpreendente vindo de quem, por obrigação, convicção e hábito, usa tratar com os pés as manifestações de massas, silenciando-as ou menorizando-as. A ver vamos se este critério se manterá no dia 29…

Já não surpreendeu o facto, também digno de registo, de esses media terem sido iguais a si próprios em matéria de escolha de entrevistados, ouvindo quem quiseram ouvir e não ouvindo quem não queriam que fosse visto nem ouvido; dando visibilidade e palavra aos fotogénicos do costume e a mais uns recém-chegados à corte da mediática família, e ignorando e silenciando outras: por exemplo, os muitos sindicalistas, entre os quais o Secretário-geral da CGTP e os vários deputados e dirigentes comunistas presentes nas manifestações. Enfim, são os media do grande capital a cumprir o papel que lhes compete – um papel onde, por detrás do foguetório pseudo informativo, assoma sempre, ainda que muito disfarçado e escondidinho, o tradicional apoio à política de direita, razão de ser da sua existência.


A
o colectivo partidário comunista – depois do êxito notável que foi a Festa do Avante!, cujas repercussões continuam a fazer-se sentir em todo o Partido e não só – colocam-se desde já novas e grandes exigências, designadamente as que se prendem com a construção do XIX Congresso do Partido. Momento alto da vida do Partido, o Congresso é, por isso mesmo, um tempo de ampla e intensa intervenção colectiva, de afirmação do funcionamento democrático do Partido, de definição colectiva das orientações que colectivamente serão levadas à prática.

Entretanto, insistamos, a luta continua – tendo como objectivo imediato preparar a grande manifestação do próximo dia 29 em que os trabalhadores e o povo virão à rua, em massa, dizer que chega de roubos, de desemprego, de exploração, de miséria; exigir a ruptura com o pacto das troikas e defender uma política patriótica e de esquerda. E até lá prosseguir a luta nos sectores, nas empresas, nos locais de trabalho, nas localidades, nos campos, em todo o lado onde as consequências nefastas da política de direita se façam sentir. E a luta continuará até à derrota dessa política e à conquista de um novo rumo para Portugal – um rumo de justiça social, de progresso, de desenvolvimento, de paz, de independência nacional.


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