Editorial

«Deste Congresso sairemos mais fortes e melhor preparados para as lutas que nos esperam»

O CONGRESSO E A LUTA

Para um partido que tem na luta das massas trabalhadoras e populares a sua principal forma de intervenção e a sua arma fundamental, a realização de um congresso constitui um acontecimento particularmente relevante. Isso porque o congresso de um partido revolucionário – que o é porque tem como objectivo supremo a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados e para o alcançar luta com todas as suas forças, fazendo da ligação às massas uma das suas fontes de força essenciais e assumindo-se como vanguarda da classe operária e das massas trabalhadoras – tem sempre como meta primeira criar as condições necessárias para o reforço desse partido, visando a intensificação da sua intervenção e o aumento da sua influência.

Por isso, essa meta esteve necessariamente presente em todo o processo de preparação do XIX Congresso do PCP, desde que, no princípio do ano, se avançou para a primeira fase preparatória e foi preocupação do colectivo partidário em todas as fases subsequentes – e estará bem viva nos três dias de duração da reunião do órgão supremo do Partido.

Por tudo isso, são muitas e muito fortes as razões para estarmos confiantes em que esses três dias do próximo fim-de-semana constituam não apenas o ponto de chegada de uma exaltante caminhada, mas também o ponto de partida para novos grandes avanços em matéria de reforço orgânico, interventivo e ideológico do Partido – reforço que conduzirá ao aumento da sua influência social, política e eleitoral, condição indispensável para dar a volta a isto...

Deste XIX Congresso – ele próprio um factor de fortalecimento do Partido e cuja construção é exemplo da notável capacidade do «nosso grande colectivo partidário» – sairemos mais fortes e melhor preparados para as lutas que nos esperam, porque dele sairemos com a firme determinação de aplicar colectivamente as medidas e as linhas de orientação que definimos e aprovámos colectivamente.

 

Como aqui temos vindo a sublinhar, os militantes comunistas, ao mesmo tempo que levavam por diante a construção do Congresso do seu Partido, davam o seu contributo indispensável para a intensificação da luta das massas trabalhadoras e populares contra a política antipatriótica e de direita das «troikas», ao serviço dos interesses do grande capital, e por uma política patriótica e de esquerda, ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Uma luta que, encabeçada pela CGTP-IN e travada de Norte a Sul do País, tem abrangido todas as áreas de actividade – envolvendo centenas e centenas de milhares de homens, mulheres e jovens – e se tem traduzido numa impressionante multiplicação de gigantescas, grandes, médias e pequenas acções, levadas a cabo nas empresas e locais de trabalho, nas localidades, nas ruas e nos campos. Uma luta que assumiu dimensões memoráveis nas impressionantes manifestações de massas de âmbito nacional e em poderosas greves gerais, como a de 14 de Novembro – a maior, a mais participada e a mais forte de sempre.

Uma luta que ainda anteontem juntou milhares de trabalhadores frente à Assembleia da República, votando contra esse sinistro instrumento predador dos interesses dos trabalhadores e do povo que é o Orçamento do Estado para 2013.

Uma luta que prosseguirá até alcançar os seus objectivos, para o que terá de conquistar – e conquistará – o apoio e a adesão de novos segmentos da sociedade portuguesa, de muitos e muitos mais portugueses fustigados pelas ofensivas constantes contra as suas condições de trabalho e de vida, pelos roubos brutais das suas pensões e reformas, pelos atentados sucessivos aos seus direitos mais elementares.

 

E, repita-se, os militantes comunistas estiveram em todas estas lutas: para todas elas, e para o êxito que tiveram, deram o seu precioso contributo, quer através da intervenção dos camaradas dirigentes e delegados sindicais, quer através da acção dos militantes organizados por local de residência, quer por efeito da entusiástica acção da Juventude Comunista. Ao mesmo tempo que, insista-se, davam andamento ao processo de construção do XIX Congresso: debatendo os projectos de Teses e de Alterações ao Programa; elegendo os delegados ao Congresso; elaborando e fazendo chegar as suas propostas de alterações e aditamentos aos dois documentos em debate – num número de propostas que «foi o maior dos últimos três congressos», como informou o Secretário-geral do Partido na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Comité Central do último fim-de-semana.

Tudo isto faz do PCP um partido singular no quadro partidário nacional. E tudo isto está estreitamente ligado à sua história heróica, aos seus mais de noventa anos de vida caracterizados por uma intervenção constante na defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, em todos os momentos e em todas as circunstâncias, ora enfrentando a ditadura fascista e abrindo o caminho para a liberdade e a democracia; ora impulsionando de forma decisiva os avanços sociais, políticos, económicos, culturais, civilizacionais da Revolução de Abril; ora encabeçando a resistência à contra-revolução, nestes 36 anos de luta contra a política da «troika» nacional e da «troika» ocupante – sempre tendo no horizonte o seu objectivo supremo de construção de uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração, a sociedade socialista e comunista.

E é tudo isto que estará presente nas decisões e orientações que o XIX Congresso aprovará – decisões e orientações que farão do PCP um partido cada vez mais forte e com melhores condições para cumprir o papel que historicamente lhe está destinado.


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