Editorial

«O Congresso foi a afirmação inequívoca da identidade comunista do Partido»

O NOSSO GRANDE COLECTIVO PARTIDÁRIO

A intervenção de encerramento do XIX Congresso, proferida pelo Secretário-geral do PCP – reeleito por unanimidade pelo Comité Central acabado de eleger – espelha de forma luminar o que se passou no decorrer daqueles três dias.

Mais do que isso, e tão importante quanto isso: na sua incisiva intervenção, o camarada Jerónimo de Sousa relembrou o processo de construção do Congresso, iniciado em Fevereiro deste ano, sublinhando a importância da participação de largos milhares de militantes em mais de um milhar de reuniões e assembleias, valorizando as cerca de duas mil propostas e sugestões que constituíram relevantes contributos para o enriquecimento dos dois documentos em debate – com tudo isso acentuando o facto, singular em relação a todos os congressos de todos os partidos políticos portugueses, de as conclusões aprovadas pelos mais de mil delegados no último dia do Congresso consubstanciarem não apenas as opiniões dos delegados ali presentes, mas igualmente a opinião de muitos milhares de militantes. A diferença entre este método de trabalho e o que é seguido pelos outros partidos é notória e nunca é demais insistir em referenciá-la, na medida em que ela ilustra exemplarmente a superioridade do funcionamento democrático do PCP.

Registe-se, também, a diferença entre os delegados ao Congresso do PCP e os outros: em vez das salas vazias, com a maioria dos delegados cavaqueando nas imediações, muitos com as preocupações mediáticas e de estrelato que dão acesso aos chorudos jobs, razão exclusiva da sua «militância», em vez disso, a sala sempre cheia, com mais de mil e duzentos delegados atentos, intervindo ou ouvindo as intervenções produzidas, cumprindo dignamente o mandato que lhes foi conferido pelos que os elegeram.

E a estes há que acrescentar os convidados, que ocuparam durante os três dias o espaço que lhes estava reservado – espaço que foi pequeno para todos os que ali queriam marcar presença – também eles, de alguma maneira, parte integrante do Congresso e que intervindo com os seus aplausos participaram desse modo nas conclusões finais.

No Congresso esteve presente o País real, o País devastado pela política predadora das troikas ao serviço do grande capital, contra a qual os trabalhadores não desistem de lutar, com a consciência de que derrotando essa política abrirão o caminho a um futuro de desenvolvimento, de progresso, de justiça social. Ali ouvimos falar das lutas, de todas as lutas travadas nos últimos tempos de norte a sul do País e contadas na primeira pessoa, contadas pelos que foram seus protagonistas – e ali garantiram que a luta continua.

Na presença de 59 delegações de partidos comunistas e outras organizações progressistas vindas de vários países da Europa, América, Ásia e África, o Congresso reafirmou a solidariedade dos comunistas portugueses com a luta dos trabalhadores desses e dos restantes países do planeta, numa manifestação de internacionalismo proletário, componente essencial da identidade do PCP.

E o Congresso aplaudiu – de pé, longamente e com emoção revolucionária – o vídeo sobre a vida e a obra do camarada Álvaro Cunhal e a referência às comemorações do centenário do seu nascimento. Era «o nosso grande colectivo partidário» a homenagear aquele que foi o mais relevante obreiro desta admirável obra colectiva que é o Partido Comunista Português. Era «o partido leninista definido com a experiência própria» a afirmar a sua determinação de prosseguir a caminhada rumo ao socialismo e ao comunismo.

Em resumo: um Congresso assim construído, só poderia ser o que este foi: a expressão concludente da força da militância revolucionária nascida de uma elevada consciência de classe, política e partidária; a afirmação inequívoca da identidade comunista do PCP e a firme determinação dos comunistas de hoje de prosseguirem o caminho traçado pelas sucessivas gerações que os antecederam – a lição aprendida da disponibilidade para a luta sejam quais forem as circunstâncias existentes em cada momento.

Ou, como afirmou o Secretário-geral do PCP, «por aqui perpassou a confiança. Numa situação dura como punhos, quando os trabalhadores, o povo português e o País sofrem o vendaval destrutivo e arrasador da política de direita deste Governo, nós afirmamos: nada está perdido para todo o sempre. Quando os trabalhadores e as populações intensificaram e alargaram a luta, o Governo abanou. Se essa luta crescer, o Governo será derrotado. E contem com este Partido que, com ou sem eleições, nos momentos mais difíceis, lá estará, sempre e sempre, como força de combate, como força portadora da esperança e da alternativa, com a convicção de que sim, é possível uma vida melhor num Portugal com futuro»

Bem podem os comentadores & analistas de serviço espremer as meninges na tentativa de diminuir e desvalorizar o Congresso, fingindo não ter visto o que lá se passou e escrevendo e falando sobre o que lá não se passou - e ridicularizar-se no recurso à estafada e roufenha cassete do «comunismo moribundo». Bem podem os «repórteres» frustrados, de lunetas assestadas e em jeito policiesco, procurar – em vão - entre congressistas as conclusões que previamente tiraram. Bem podem, todos eles, desdobrar-se em comparações entre o Congresso do partido da classe operária e os congressos dos partidos do grande capital e sempre puxando para o lado do patrão – que não anulam a realidade: este Congresso mostrou e confirmou que os partidos não são todos iguais. Ou, se quisermos ser mais precisos, mostrou e confirmou que o PCP é diferente dos que são todos iguais.

 

 


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