Editorial

«Há muito trabalho a fazer, muitos obstáculos a derrubar, muito caminho a desbravar»

PARA UMA GRANDE
JORNADA DE LUTA

Do vasto e significativo conjunto de iniciativas decididas pelo Conselho Nacional da CGTP-IN para o primeiro trimestre deste ano, emerge, pela sua relevância, a jornada nacional convocada para o próximo dia 16 de Fevereiro.

Trata-se de uma grande jornada de acção e luta, a ter lugar em todos os distritos do País, e que constitui a primeira grande iniciativa de convergência da luta, no plano nacional, no ano agora chegado – como que a sinalizar o ritmo e a amplitude do desenvolvimento da luta de massas no momento actual e como que a apontar caminhos para o futuro imediato.

Subordinada ao lema «contra a exploração e o empobrecimento, trabalho com direitos. Saúde, Educação e Segurança Social para todos», a jornada de 16 de Fevereiro trará para a rua o justo descontentamento das massas trabalhadoras e populares face à gravíssima situação criada pela política das troikas; exigirá a rejeição inequívoca do pacto de agressão; bater-se-á por uma nova política, patriótica e de esquerda, e por um governo capaz de a levar à prática – que são, afinal, as grandes questões que hoje se colocam a Portugal e aos portugueses.

Por tudo isso, é necessário – é imperioso – que a jornada de 16 de Fevereiro venha a constituir uma muito forte acção, uma vibrante e poderosa manifestação da força organizada dos trabalhadores, da sua determinação, da sua disponibilidade, da sua confiança. Para isso, torna-se necessário – mais do que necessário, indispensável – que as estruturas representativas dos trabalhadores, todos os dirigentes e activistas sindicais, todos os que, de uma forma ou de outra, podem dar o seu contributo, iniciem desde já o trabalho preparatório da iniciativa.

Nessa batalha colectiva de mobilização, os militantes comunistas ocuparão o lugar que lhes compete enquanto membros do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores.

E há muito trabalho a fazer, muitos obstáculos a derrubar, muito caminho a desbravar.

Para já, e para além dos esforços visando o desenvolvimento e a intensificação das lutas nos sectores, empresas e locais de trabalho – de que a manifestação dos professores marcada para o próximo dia 26 é claro exemplo – importa levar por diante uma vasta acção de esclarecimento e mobilização que faça chegar aos trabalhadores a consciência da importância decisiva do papel de cada um, e de todos, para o êxito da jornada de luta – e para o impacto e as consequências desse êxito na situação política, económica e social existente, para a mudança da qual a jornada de luta pode vir a constituir um factor decisivo.

Por outro lado, reveste-se de crucial importância o prosseguimento do combate à operação ideológica em curso, através da qual os serventuários da política das troikas – que é a política do grande capital nacional e transnacional – pretendem vender como coisa boa a putrefacta e estafada tese das «inevitabilidades» e da «inexistência de uma alternativa». Tese que conduz em linha recta ao desencanto, à desesperança, à resignação, ao conformismo, ao desânimo, ao não-vale-a-pena e a outros factores de desmobilização. Tese que, numa outra das suas vertentes, pretende espalhar a divisão entre trabalhadores do sector público e do privado – como se a realidade não nos mostrasse que, sendo todos eles trabalhadores, são todos eles alvos preferenciais da ofensiva das troikas. Tese que as massas trabalhadoras estilhaçarão decididamente, demonstrando uma vez mais que é na luta organizada que se situa o segredo essencial para dar a volta à situação criada pela política das troikas e impor a alternativa – que existe – de uma política patriótica e de esquerda.

Neste tempo difícil que vivemos, em que os trabalhadores e o povo todos os dias são confrontados com novos agravamentos da sua situação: novos ataques à legislação laboral; despedimentos individuais e colectivos; falências; lay-off; não pagamento de salários e subsídios; ataques sistemáticos e sucessivos às reformas e pensões; aumentos escandalosos dos preços de bens essenciais… – assim levando a pobreza, a miséria, a fome, a angústia, a milhões de portugueses; neste tempo em que o Governo se apetrechou com um Orçamento do Estado para 2013 que é um verdadeiro atentado de terrorismo social que só encontra paralelo nos tempos do fascismo; neste tempo em que todos os dias o Governo e a troika ocupante – cada vez mais com um comportamento arrogante de dona-disto-tudo – anunciam novas e mais gravosas medidas, como as constantes do relatório do FMI que, em aberto confronto com a Constituição da República Portuguesa, aponta para a destruição de importantes funções sociais do Estado, para o aumento dos custos e a quebra de rendimentos dos cidadãos, para a destruição do emprego público e outros direitos dos trabalhadores, para o aumento da exploração – escancarando todas as portas ao aumento das benesses, dos privilégios e dos lucros do grande capital; neste tempo em que, por tudo isto, a derrota do Governo e da política das troikas se apresenta como questão maior para os interesses dos trabalhadores, do povo e do País – a intensificação, o alargamento e o reforço da luta de massas apresenta-se como questão crucial. Porque, insista-se – e nunca é demais insistir – a luta organizada das massas trabalhadoras e populares constitui a única via para derrotar a ofensiva em curso e o governo que a concretiza e para impor a alternativa rumo a um futuro de progresso, desenvolvimento e justiça social.


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