Editorial

«Para tornar possível a alternativa, os comunistas não se pouparão a esforços»

A TAREFA: REFORÇAR O PARTIDO

A sessão cultural evocativa de Álvaro Cunhal, realizada no sábado, na Aula Magna, constituiu um momento maior do vasto e rico conjunto de iniciativas que integram o programa das comemorações do Centenário.

Uma assistência que transbordava do amplo recinto, assistiu a um espectáculo de elevada qualidade artística, em que mais de uma centena de grandes intérpretes, apoiados por uma eficaz equipa técnica, prestaram a sua homenagem ao Homem, ao Militante, ao Intelectual, ao Artista. Uma assistência composta por centenas de cidadãos e cidadãs independentes os quais, juntamente com outras tantas centenas de militantes comunistas, sabiam ao que iam e porque iam. Uma assistência que, ao longo de quase quatro horas, foi componente participativa do espectáculo aplaudindo, cantando, gritando as suas palavras de ordem, soltando amiúde as suas lágrimas de emoção – ao mesmo tempo que, com cirúrgica sensibilidade política, sublinhava as breves intervenções que, proferidas pela actriz Fernanda Lapa, pelo Reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa e pelo Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, contextualizaram a sessão.

Foi bonito, muito bonito, de ver, de ouvir e de viver o que ali aconteceu, e que, certamente, perdurará por muito tempo na memória de todos os que viram, ouviram e viveram aquele momento – por muito que os media do grande capital finjam que nada aconteceu, por muito que assobiem para o lado e, com o lápis azul do silenciamento, risquem dos seus serviços ditos informativos o importante acontecimento…

Entretanto, as comemorações do Centenário prosseguem por todo o País – em sessões, debates, conferências, convívios, espectáculos – muitas vezes interligando-se com as comemorações do 92.º aniversário do Partido – porque falar de Álvaro Cunhal é falar do Partido e falar do Partido é falar daquele que foi, ao longo de setenta e cinco anos de militância revolucionária, o seu mais relevante construtor.

E em matéria de realizações de maior dimensão, há que destacar desde já a Exposição que, a partir do dia 27 de Abril, estará patente na Sala do Risco do Pátio da Galé, em Lisboa: o percurso político, partidário, ideológico, teórico, intelectual, artístico, humanista do criador de uma Obra, cujo estudo é uma das principais vertentes estruturantes da formação política e ideológica dos militantes comunistas.

Assim se leva por diante a crucial tarefa de reforçar o Partido – tarefa para a boa execução da qual o XIX Congresso definiu orientações e linhas de intervenção precisas.

Assim: comemorando o Centenário do camarada Álvaro Cunhal e os 92 anos do Partido e juntando a nós nessas comemorações muito amigos e simpatizantes que poderão vir a ser futuros militantes.

Assim: tornando mais forte, mais ampla e mais sólida a ligação do Partido às massas, sua fonte de força essencial.

Assim: assumindo todos os dias e em todo o lado – nas empresas e locais de trabalho, nas localidades, nas ruas, nas instituições – o papel historicamente reservado ao PCP de pugnar, em todos os momentos e em todas as circunstâncias, pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal.

Para o êxito das acções visando o reforço partidário, os comunistas dispõem de um trunfo fundamental: o prestígio crescente do PCP junto das massas trabalhadoras e populares – um prestígio conquistado a pulso e que, construído em 92 anos de luta heróica, está para durar. E para crescer.

Tudo isto enquanto a política das troikas, praticada pelo Governo PSD/CDS – um governo frontalmente fora da Lei Fundamental do País – prossegue a sua acção devastadora e avança com o seu sinistro projecto de esmagamento dos direitos e interesses dos trabalhadores e do povo e de afundamento de Portugal. Um Governo que, temendo o crescente isolamento social a que está condenado – e crescentemente acossado pela força imparável da luta de massas – parece decidido a recorrer à velha manobra de uma «remodelação» que lhe garanta um novo fôlego para continuar a flagelar a imensa maioria dos portugueses.

Tudo isto, enquanto, soprando para o mesmo lado mas fingindo que não, e recorrendo ao foguetório demagógico em que é especialista, o PS tudo faz para tentar esconder os seus reais objectivos: substituir os que lá estão para ir para lá fazer o mesmo que eles fazem.

Tudo isto, enfim, enquanto a vida mostra todos os dias, sem margem para quaisquer dúvidas, inequivocamente, a condição singular do PCP no quadro partidário nacional: lá à frente, lá bem à frente, na primeira linha, na vanguarda do combate ao Governo e à política das troikas e contrapondo a esse governo e a essa política a alternativa necessária: um governo e uma política patrióticos e de esquerda.

E também neste caso, por muito que o tal lápis azul dos media do grande capital tente ocultar a realidade, silenciando-a, ela aí está, forte como punhos fechados, bem visível para quem a queira ver com os seus próprios olhos: a intensa e diversificada intervenção dos comunistas portugueses; a multiplicidade de acções que levam a cabo quer no plano partidário quer dando o seu contributo no plano unitário; a apresentação de propostas concretas visando atenuar os efeitos da devastação das troikas e definindo a alternativa necessária.

Necessária e, sublinhe-se e insista-se, possível – bastando para isso que a luta organizada das massas ganhe a dimensão, a amplitude e a força capazes de fazer valer as justas reivindicações e exigências das massas trabalhadoras e populares.

Para tornar possível a alternativa, os comunistas não se pouparão a esforços.


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