Os israelitas rejeitam pagar a factura da crise capitalista
Israelitas e palestinianos protestam
Netanyahu sob fogo

Israelitas e palestinianos contestam as políticas do novo governo israelita, os primeiros colocando em causa a «austeridade», os segundos lembrando a catástrofe provocada pelo sionismo e a sua continuação.

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O Orçamento para 2013-2014 aprovado na madrugada de quarta-feira, 14, pelo governo de Benjamin Netanyahu prevê cortes de dois e três por cento em todos os ministérios, exceptuando na Defesa, onde a redução é mais ligeira. Acrescem subidas de impostos, mais pesadas para os rendimentos do trabalho (mais 1,5 por cento) do que para os do capital (mais um por cento). Segundo a Lusa, no total, o executivo pretende, entre Agosto deste ano e o final de 2014, poupar 5,3 mil milhões de euros com a diminuição da despesa pública e arrecadar 2,8 mil milhões de acréscimo de receita fiscal.

O argumento para este novo pacote de «austeridade» é o da inevitabilidade dos cortes com o objectivo de evitar que Israel entre colapso económico, mas a contestação popular às medidas já se faz sentir no território, abalado em 2011 por poderosas movimentações de massas contra semelhantes imposições.

Sábado, 11, pelo menos 10 mil pessoas manifestaram-se em Telavive. Concentrações e marchas de protesto foram realizadas, no mesmo dia, em Jerusalém, Haifa e noutras cidades. «Tirem aos ricos e não a nós», ou acusações de que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, Yair Lapid, são «marionetas dos capitalistas», foram algumas das consignas mais veiculadas, de acordo com os relatos publicados pelo Jerusalém Post, pelo Haaretz e na página do Partido Comunista de Israel (PCI).

A direcção do PCI apelou, sexta-feira, 10, à participação em todas as acções convocadas através das redes sociais. Militantes, dirigentes e eleitos comunistas assumiram protagonismo na mobilização e nas iniciativas de contestação.

As mesmas fontes notam que, contrariamente ao que sucedeu durante o Verão de 2011, os participantes apresentaram contra-propostas com uma base mais progressista do que então. Taxar com maior vigor os grandes grupos económicos em vez de roubar na protecção social, na educação e na saúde, nos salários e pensões de reforma; cortar no financiamento dos colonatos e na política de repressão do povo palestiniano ou resgatar para benefício do povo os recursos naturais, são algumas das exigências.

A «cama voadora»

Para além da indignação para com a factura apresentada, Benjamin Netanyahu e o gabinete que lidera estão debaixo de fogo devido à revelação de dados sobre os respectivos gastos sumptuosos. Centenas de milhares de dólares foram alegadamente desbaratados por Netanyahu e pelos seus mais próximos em cosméticos e roupas de alta costura, alimentação, manutenção e limpeza da residência oficial, e, até, na instalação de uma cama de casal num avião quando o primeiro-ministro se deslocou a Londres para assistir ao funeral de Margaret Tatcher.

O caso da «cama voadora» e conexos, difundidos por agências de informação e meios de comunicação social locais, indicam um aumento de 75 por cento deste tipo de despesas entre 2009 e 2012, mas, sobretudo, podem ser a ponta de uma meada onde se enrolam elementos de corrupção e apodrecimento moral da cúpula do poder. 


65 anos da catástrofe

No mesmo dia em que o governo israelita aprovava um orçamento draconiano, milhares de palestinianos assinalaram os 65.º aniversário da Nakba, a catástrofe provocada pela expulsão de cerca de 760 mil pessoas dos respectivos territórios, executada pelas milícias armadas sionistas na sequência da criação do Estado de Israel.

As manifestações realizadas quarta-feira, 15, em Ramahla, Hebron, Nablus e noutras cidades da Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Leste, mobilizaram alguns milhares de pessoas sob o lema «o regresso é um direito e um desejo do povo», noticiou a agência Wafa.

Segundo os últimos censos, os refugiados palestinianos e os seus descendentes totalizam cinco milhões de pessoas só na Jordânia, Síria, Líbano e territórios autónomos palestinianos. Outros tantos encontram-se espalhados por dezenas de países em todo o mundo.

Paralelamente, os sionistas avançaram com uma série de acções provocatórias procurando incendiar os ânimos nos 65 anos da Nakba. Por várias vezes nos últimos dias, judeus ultra-ortodoxos escoltados por militares invadiram a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, um dos três locais sagrados do Islão. Mais grave ainda, no passado dia 10 de Maio, o gabinete de Netanyahu aprovou a construção de 296 casas para colonos israelitas em Beit El, perto de Ramalah, na Cisjordânia.

Os colonatos são considerados ilegais pelas Nações Unidas. Não obstante, estima-se que, desde 1967, Israel já tenha construído mais de 250 colónias em Jerusalém Leste e na Cisjordânia, nas quais vivem, respectivamente, cerca de 360 mil e 200 mil colonos.



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