Editorial

«Depois da greve geral, a luta continua»

GREVE GERAL

Amanhã é dia de greve geral. De uma greve geral que, nas circunstâncias actuais e no quadro da luta geral das massas trabalhadoras e populares, constitui uma jornada de luta de particular relevância e significado. Se é certo que, em quaisquer circunstâncias, a greve geral é sempre uma forma de luta de superior importância, ela é-o ainda mais no momento actual, face à necessidade premente e urgente de pôr fim à política das troikas que conduziu Portugal e os portugueses à dramática situação em que se encontram – e que, se não for derrotada, afundará tudo e todos.

Com efeito, a greve geral de amanhã constitui um novo e mais elevado patamar da luta contra o Governo PSD/CDS e a política de exploração e empobrecimento dos trabalhadores e do povo por ele levada à prática – um novo e mais elevado patamar na força e na dimensão da exigência popular de rejeição do pacto de agressão, de demissão do Governo Passos Coelho/Paulo Portas e da substituição do actual Governo e da actual política por um governo e uma política patrióticos e de esquerda.

Por tudo isso, uma forte adesão à greve geral – quer por parte dos seus participantes directos, quer por parte dos que a apoiam e com ela estão solidários – assume importância crucial.

É necessário – e é possível – que, amanhã, em todo o País, no interior das empresas e locais de trabalho, no sector público e no sector privado, os trabalhadores portugueses mostrem a força da sua determinação, da sua coragem, da sua razão e confirmem a força imparável da sua luta organizada.

É necessário – e é possível – que a jornada de luta de amanhã assuma igualmente uma significativa expressão de rua, juntando nas múltiplas manifestações e concentrações convocadas pela CGTP-IN, não apenas os trabalhadores em greve, mas também muitos milhares de desempregados, de reformados e pensionistas, de todos os que são vítimas da política das troikas.

E é isso que, certamente, irá acontecer, fazendo com que a greve geral, afirmando-se como uma muito forte jornada de luta, venha a traduzir-se num novo passo no caminho da derrota da política de direita e do Governo que, para mal de Portugal e dos portugueses, a executa.

A acção do Governo Passos Coelho/Paulo Portas evidencia todos os dias a justeza e a força das razões que obrigam os trabalhadores a recorrer à greve geral. Com efeito, não se passa um dia em que o Governo não anuncie ou aplique medidas profundamente lesivas dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País – medidas que são, todas elas, registe-se uma vez mais, gravemente feridas de inconstitucionalidade. E não há memória de uma medida governamental – uma única! – de sentido contrário.

Surdo e cego perante a amplitude popular da rejeição da sua política, e numa postura autista face ao isolamento em que se encontra, o Governo prossegue implacavelmente a sua ofensiva destruidora de tudo o que ainda resta das conquistas sociais, políticas, económicas, culturais, civilizacionais alcançadas pelos trabalhadores e pelo povo na revolução de Abril.

Num dia, decide roubar, e rouba, direitos laborais e sociais, salários, pensões e reformas, e atira mais e mais trabalhadores para o desemprego, para a pobreza, para a miséria; no dia seguinte, decide destruir, e destrói, mais e mais serviços públicos e leva o sofrimento e o desespero a milhares e milhares de famílias portuguesas; no dia seguinte, decide adiar, e adia, para Novembro o pagamento do subsídio de férias aos trabalhadores da administração pública… – agindo com crescentes assomos de autoritarismo e prepotência que nos trazem cada vez mais à memória os tempos de má memória de que julgávamos ter-nos visto definitivamente livres em Abril de 74.

Em toda esta brutal ofensiva destruidora, o Governo Passos Coelho/Paulo Portas tem tido, e continua a ter, a seu lado, como fiel apoiante, o Presidente da República – o qual, agindo no desprezo pela Constituição da República Portuguesa que jurou, pela sua honra, cumprir e fazer cumprir, afirma, na prática, a sua cumplicidade activa com essa política de afundamento nacional e de ofensa aos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Tudo isto a conferir maior importância à greve geral de amanhã e a acentuar a necessidade premente de ela se traduzir numa muito forte jornada de luta que, insista-se, dê um contributo decisivo para a construção da política alternativa e da alternativa política que a situação actual impõe, as quais, para o serem de facto, terão que ter os valores de Abril como referência básica essencial. Trata-se de um objectivo difícil de alcançar, sem dúvida, tendo em conta os muitos obstáculos que se lhe opõem, mas um objectivo que, com a luta, será alcançado.

Tudo isto a mostrar a necessidade do prosseguimento, da intensificação e do alargamento da luta das massas trabalhadoras e populares – que é, como aqui tem sido repetidas vezes sublinhado, o único caminho capaz de conduzir à derrota deste Governo e desta política e à conquista da necessária alternativa patriótica e de esquerda.

Quer isto dizer que depois da greve geral a luta continua. Para os trabalhadores em geral; para as populações; para os reformados e pensionistas; para os jovens… – e obviamente para os militantes comunistas, que continuarão a dar o seu indispensável contributo para o fortalecimento da luta de massas e, simultaneamente, continuarão a responder «presente» às múltiplas tarefas decorrentes das exigências da actividade partidária. Uma dessas tarefas – e das mais importantes e trabalhosas – é a construção daquela que é a maior e a mais bela festa realizada no nosso País: a Festa do Avante!, cujas jornadas de trabalho têm início já no próximo fim-de-semana. E cujas Entradas Permanentes estão já à venda.


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