Editorial

«Tudo isto sem esquecer essa tarefa de todos os momentos que é o reforço do Partido»

AS TAREFAS DOS COMUNISTAS

A luta continua: eis a palavra de ordem crucial para as massas trabalhadoras e populares, no momento que vivemos.

É isso: lutar sempre, com determinação e confiança, e para já reafirmando o objectivo de pôr termo a este Governo e a esta política de desastre nacional que todos os dias flagela brutalmente os interesses e direitos da imensa maioria dos portugueses e maltrata impiedosamente a independência e a soberania nacional.

O ano que passou foi rico em experiências de luta: em todo o País, nas empresas e locais de trabalho, tanto no sector público como no privado, os trabalhadores portugueses levaram por diante importantes e diversificadas acções em defesa dos seus direitos, contra a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda – numa luta que muitas vezes assumiu notável expressão de massas, designadamente com a realização de greves gerais caracterizadas por significativas adesões e de gigantescas manifestações de rua.

E assim será no ano que agora começa, em que se deseja (e é necessário) que a participação dos trabalhadores seja ainda maior e mais determinada e convicta – sendo certo que, para que tal aconteça, há que trabalhar muito, esclarecer muito, mobilizar muito. Há que dar firme combate à ofensiva ideológica através da qual os propagandistas do grande capital, por via do seu exército mediático, pregam a resignação, o conformismo, a aceitação passiva das inevitabilidades. Há que responder com a luta às manobras intimidatórias e chantagistas do grande capital. Há que demonstrar que os trabalhadores, o povo e o País não estão condenados a sofrer eternamente a política de direita e os que, numa alternância predadora, a vêm executando. Há que, empunhando a Constituição da República Portuguesa, dar combate e derrotar os que a desrespeitam e fazem dos valores de Abril alvos a abater. Há que demonstrar que há uma alternativa à política das troikas: a alternativa que, necessariamente patriótica e de esquerda e inspirada nos valores de Abril, é protagonizada pelo PCP – e que essa alternativa será conquistada com a intensificação e o alargamento da luta das massas trabalhadoras e populares.

 

Estamos a pouco mais de uma semana do «Dia Nacional de Luta contra a Exploração e o Empobrecimento», convocado pela CGTP-IN para 1 de Fevereiro. Para essa jornada – a primeira de grandes dimensões a realizar este ano – estão previstas manifestações, concentrações, protestos, exigências, em todos os distritos do País. E para que ela tenha o êxito desejado e necessário, impõe-se, daqui até lá, um intenso e amplo trabalho de mobilização a levar a cabo por dirigentes, delegados, activistas sindicais, em acções de agitação de rua e nas empresas e locais de trabalho, a partir de reivindicações sentidas pela generalidade dos trabalhadores e tendo sempre como referência essencial a exigência da demissão do Governo – sendo certo, também neste caso, que essa mobilização será tanto mais conseguida quanto mais claro ficar para os trabalhadores que é na luta e atraindo a ela um número crescente dos que são vítimas da política das troikas que está o caminho que conduzirá à resolução dos muitos e graves problemas gerados por essa política e pelos governos seus executantes.

Se é preciso – e é! – travar o passo à política de saque dos trabalhadores, do povo e do País, então, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa no comício que, na Marinha Grande, assinalou essa heróica jornada de luta que foi o 18 de Janeiro de 1934, impõe-se seguir a única via capaz de atingir esse objectivo: «a intensificação e o alargamento da luta, de todas as lutas, pequenas e grandes, nas empresas, nos locais de trabalho e na rua, e lá onde os interesses das populações são postos em causa»; e impõe-se fazer do dia 1 de Fevereiro uma grande jornada de luta – objectivo para o qual contribuirão de forma decisiva os militantes comunistas.

 

Para além da sua intervenção visando o fortalecimento da luta de massas para a derrota do pacto das troikas, a demissão do Governo e a ruptura com a política de direita, o colectivo partidário comunista tem à sua frente, nos meses que aí vêm, todo o vasto conjunto de tarefas definido pelo Comité Central na sua última reunião e de que se destaca o desenvolvimento de uma acção nacional centrada na projecção dos valores de Abril e na afirmação da política patriótica e de esquerda. Trata-se de uma acção integrada e articulada com a preparação das eleições para o Parlamento Europeu e com as comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril – no primeiro caso, levando por diante uma campanha eleitoral que, assente no contacto directo com os trabalhadores e o povo, conduza ao reforço da CDU e do número dos seus deputados no Parlamento Europeu; no segundo caso, concretizando o significativo conjunto de iniciativas que assinalam esse aniversário, orientadas para a afirmação e defesa das conquistas e dos valores de Abril e para a sua projecção enquanto referências estruturantes para um Portugal de progresso, desenvolvido e soberano.

Tudo isto sem esquecer essa tarefa de todos os momentos que é o reforço do Partido – reforço orgânico, interventivo, ideológico, financeiro – tarefa cujo êxito a realidade mostra estar ao nosso alcance e que exige toda a dedicação e empenho do nosso grande colectivo partidário.

Nesse sentido, é da maior importância a concretização das linhas de trabalho definidas pelo Comité Central, visando construir um Partido ainda mais forte: com mais militantes e mais militância, mais influente junto da classe operária, dos trabalhadores e do povo, com acrescida capacidade de intervenção.


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