Editorial

«Uma CDU mais forte é um importante factor para a intensificação da luta pela alternativa necessária»

CDU mais forte para a luta

O Comité Central do PCP reuniu na passada terça-feira e procedeu à análise das eleições para o Parlamento Europeu e das ilações delas resultantes; avaliou os aspectos mais relevantes da situação económica e social do País e as consequências decorrentes da política da troika e procedeu a uma avaliação sobre a luta dos trabalhadores e do povo e sobre as perspectivas do seu desenvolvimento; fixou as principais linhas de trabalho do Partido quer quanto à iniciativa política e à luta pela concretização de uma política alternativa patriótica e de esquerda, quer quanto ao reforço da sua organização.

As eleições do passado domingo deram expressão a um importante resultado da CDU. A subida de dois pontos percentuais (12,7%), de mais de 35 000 votos (ultrapassando os 416 000) e a eleição do terceiro deputado (que é tanto mais significativa quanto se dá num quadro de redução do número total dos deputados portugueses no PE de 22 para 21 e que já não se atingia desde 1994, altura em que o número de deputados portugueses ainda era de 24) fazem destes resultados um verdadeiro êxito eleitoral, o mais expressivo dos últimos 25 anos, «vitória da confiança e da esperança sobre a desistência e o fatalismo», como refere o comunicado do Comité Central, «uma vitória da verdade sobre a mentira, uma clara afirmação da vontade popular e da sua força para tomar nas mãos a construção de um futuro melhor e mais digno». Resultado tanto mais significativo quanto se insere num processo de avanço eleitoral da CDU em sucessivos actos eleitorais e traduz uma crescente confiança no seu projecto de ruptura e alternativa política. Confirmaram, por outro lado, o enorme isolamento político e social do Governo PSD/CDS, que é indissociável da luta do povo português e da intervenção coerente e decisiva do PCP e dos seus aliados da CDU. Derrota histórica evidenciada pelo facto de os dois partidos em conjunto perderem quase 520 000 votos, descerem 12,4 pontos percentuais, perderem três deputados e apresentarem o pior resultado de sempre. Derrota que traduz a inequívoca condenação pelo povo português de uma política de exploração, empobrecimento e injustiças sociais.

Estes resultados eleitorais traduzem também a derrota dos partidos da troika no seu conjunto (PS, PSD e CDS), que cada vez mais o povo português identifica como responsáveis pela política de direita que lhe tem infernizado a vida. No seu conjunto, os três partidos passaram de 66% da sua votação em 2009 para 59,1%, perdendo mais de 400 000 votos. Quanto ao PS, partido maioritário por escassa diferença (31,5%), responsável pelos PEC e corresponsável pelo pacto de agressão da troika, pelo Tratado Orçamental, pela adesão ao euro, pela União Económica e Monetária e tantos outros instrumentos desta construção europeia neoliberal, federalista e militarista só conseguiu recuperar um dos cinco deputados e 86 000 dos mais de 500 000 votos perdidos em 2009. Procurou apagar da memória do povo português as suas pesadas responsabilidades por esta política e tudo fez para bipolarizar o eleitorado, mas não o conseguiu.

Honrando compromissos, o reforço da CDU no Parlamento Europeu vai agora ser usado para intensificar a acção em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, contra as imposições do grande capital, do euro e da União Europeia.

Mas vai também reflectir-se no reforço da acção do PCP e da CDU pela derrota do Governo, agora mais fragilizado, pela convocação de eleições legislativas antecipadas, pela ruptura com a política de direita e pela alternativa, que, como estas eleições também evidenciaram, mobiliza o apoio de um número cada vez maior de portugueses que não se deixaram iludir pela propaganda enganosa do Governo e pelas falsas promessas de «mudança» do PS.

Neste sentido, o PCP apresentou já na Assembleia da República uma moção de censura ao Governo, que amanhã vai ser discutida e votada. E vai realizar um programa de acções e iniciativas nos próximos tempos que dêem concretização à ruptura com a política de direita e à criação de um «forte e amplo movimento por uma alternativa patriótica e de esquerda»: desfiles e comícios (hoje na Baixa de Lisboa, sábado em Oeiras e domingo em Almada), acções de resistência e combate à ofensiva em curso designadamente na denúncia dos objectivos do DEO, da chamada «Reforma do Estado», no combate às alterações à legislação laboral, em defesa dos serviços públicos e pela renegociação da dívida, a preparação da 38.ª edição da festa do Avante! e a campanha pelo reforço do Partido.

No plano da acção de massas, a luta dos trabalhadores e do povo, cujo papel é central e decisivo, vai continuar a desenvolver-se em defesa dos seus interesses e direitos, contra a exploração e o empobrecimento, pela demissão do Governo e a derrota da política de direita, por uma «política de esquerda e soberana». Estão na linha deste objectivo as acções marcadas pela CGTP-IN esta semana pelo aumento dos salários e, em particular, pela aplicação imediata do aumento do SMN para os 515 euros e as grandes manifestações a 14 de Junho no Porto e a 21 de Junho em Lisboa, para que urge fazer a máxima mobilização.

As eleições, em si mesmas, não resolveram os grandes problemas que temos pela frente. Mas a luta trazida ao voto contribuiu para o reforço da CDU. E uma CDU mais forte é um importante factor para a intensificação da luta pela alternativa necessária.



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