Editorial

«Tarefa central dos comunistas, a Festa do Avante! será este ano, ainda com mais força, a festa dos valores de Abril, a festa do futuro»

FESTA, LUTA<br> E INICIATIVA

A continuada acção destrutiva da política de direita vem empurrando o País para uma situação de desastre nacional. Depois dos dados sobre o emprego revelados na semana passada, a estimativa rápida sobre o PIB, em clara divergência com as previsões do Governo, vem agora revelar abrandamento económico.

A par destes maus indicadores, o Governo vai somando derrotas e procurando saídas, na tentativa de escapar ileso ao seu impacto: a decisão do Tribunal Constitucional sobre salários e pensões (em que pesou certamente a luta dos trabalhadores) vem contrariar a intenção do Governo, avalizada pelo Presidente da República, de transformar medidas lesivas dos interesses e direitos dos trabalhadores e reformados, de provisórias em definitivas. Governo fora-de-lei que, porque teima em governar contra a CRP, há muito devia ter sido demitido.

O discurso de Passos Coelho na Festa do Pontal reafirma a intenção de levar até ao fim a sua sanha destruidora dos direitos, ao ameaçar retomar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) como forma de contornar o acórdão do TC. Sanha destruidora igualmente visível no anunciado corte de 14 milhões no ensino superior que, a concretizar-se, vai ter repercussões profundamente negativas no seu funcionamento, no próximo ano.

No mesmo plano, se coloca também a anunciada intenção de encerrar novos serviços públicos, num esforço de reconfiguração do Estado, em que se procura envolver as autarquias locais.

Por outro lado, o processo BES/GES está muito longe de se poder considerar terminado. Não se trata de um fenómeno isolado ou isolável. Resulta da evolução da restauração do capitalismo monopolista, desmantelado pela revolução de Abril, em que se inserem as centenas de privatizações conduzidas por PS, PSD e CDS, ao longo dos últimos 38 anos. Política que é também responsável pela situação de domínio do poder económico sobre o poder político que hoje, de novo, estamos a viver. Obviamente têm que ser apuradas a verdade e as responsabilidades – e o PCP foi o Partido que tomou a iniciativa de requerer a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para esse apuramento – mas o Governo não se pode escudar nas entidades reguladoras ou nos administradores do BES. O Governo é corresponsável directo pela política de direita que gera estes monstros.

Política destruidora que conta também com o apoio do PS, partido que, fugindo a qualquer ideia de ruptura, se procura apresentar como alternativa, para que, no essencial, tudo possa continuar na mesma. De facto, através do embuste que montou da escolha do candidato a primeiro-ministro, procura fazer passar a ideia de que a escolha entre os dois candidatos na corrida, com ligeiras diferenças de cosmética e idênticos projectos e soluções, significaria encontrar resposta para os reais problemas do País.

Contra esta situação, a luta continua a ser o factor determinante. É necessário dinamizar a luta a partir das empresas e locais de trabalho em torno da acção reivindicativa. É, por isso, de grande importância a greve de 24 horas dos profissionais da saúde do Algarve, convocada pelos sindicatos da saúde e da função pública para o dia 22 de Agosto e a tribuna pública que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses promove junto à Administração Regional de Saúde do Algarve às 17.00 horas do mesmo dia. São também de grande significado o plenário de rendeiros da Herdade dos Machados e as diversas lutas travadas pelas populações em defesa dos serviços públicos.

No plano do Partido, registe-se o bom ambiente que se vive no desenvolvimento de um diversificado conjunto de actividades e tarefas de que foi expressiva manifestação a grande participação nas iniciativas do passado fim-de-semana em Vila Real de Santo António, Silves e Lagos, com a participação do Secretário-geral do Partido, camarada Jerónimo de Sousa.

São igualmente significativas a conferência de imprensa que os deputados do PCP no Parlamento Europeu vão realizar no próximo dia 28 ou a acção de contacto e esclarecimento junto dos trabalhadores do BES/GES que reflecte a preocupação do PCP com a defesa dos seus interesses e direitos, nomeadamente, dos seus salários e postos de trabalho.

E, perante situações como a do BES/GES ganham nova força as propostas do PCP de renegociação da dívida, de recuperação para o Estado do sector financeiro e outras empresas e sectores estratégicos, como componentes de uma política patriótica e de esquerda, que coloque como imperativa exigência a necessidade de derrotar o Governo e romper com esta política.

A preparação da Festa do Avante!, o maior acontecimento político-cultural do Portugal de Abril, é, neste momento, a prioridade política das organizações do Partido. São ainda muitas as tarefas que é preciso levar a cabo, em particular, ao nível da implantação, divulgação e venda antecipada da EP.

Faltam sensivelmente quinze dias para a Festa. Não há tempo a perder. Mas, a experiência acumulada nas suas 37 edições anteriores mostra-nos que este grande colectivo partidário, sem o qual esta Festa não seria possível, sempre soube mobilizar e coordenar as energias e o esforço militante para que, à hora marcada (neste caso, às 18h00 do dia 5 de Setembro), a Festa possa abrir as suas portas aos milhares de visitantes.

Mas, em 2014, em que comemoramos os 40 anos da Revolução de Abril, a Festa do Avante! reveste-se de um significado especial. Tarefa central dos comunistas, a Festa do Avante! será, este ano, ainda com mais força, a festa dos valores de Abril, a festa do futuro.

 


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