Editorial

«Esta é a Festa das comemorações dos 40 anos da Revolução de Abril»

FESTA DOS VALORES DE ABRIL

O clima político que se vive é já o da Festa do Avante!. Às 18h00 de amanhã abrirá as suas portas aos milhares de visitantes «esta festa do nosso glorioso Avante!, do nosso glorioso Partido, (…) a maior, a mais extraordinária, a mais fraterna e humana jamais realizada no nosso País», como afirmava o camarada Álvaro Cunhal no comício da sua primeira edição, em 1976.

No passado sábado, em visita à Quinta da Atalaia, o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, dirigiu uma saudação aos construtores da Festa que em dezenas de milhares de horas de trabalho militante a ergueram, decoraram, embelezaram e que com os muitos milhares que a visitam vão fazer dela uma festa ímpar pelo seu clima de humanismo e fraternidade e pelos seus conteúdos político-culturais e de solidariedade internacionalista e luta pela paz.

Festa do Avante! cuja preparação não pode ainda ser dada por terminada. Esta continua a ser a prioridade do Partido neste momento e na qual é necessário concentrar todos os esforços, no plano da direcção, para assegurar a concretização das suas diversas componentes. Há milhares de pequenas tarefas a realizar no domínio do arranjo dos espaços, da decoração, da higiene e segurança alimentar, da organização e funcionamento, que é necessário levar a cabo. Até ao último momento, deve continuar a merecer uma grande atenção a sua divulgação, organização dos transportes, mobilização de camaradas e amigos e a venda da EP.

São muitas as razões para marcarmos presença nesta Festa. Esta é a Festa das comemorações dos 40 anos da Revolução de Abril. Ímpar, também por isso, ela marcará um momento histórico no conjunto das suas 38 edições (25 das quais na Quinta da Atalaia). Num tempo de exploração e empobrecimento causado pela política de direita, ela será a expressão da determinação e confiança dos que lutam pela ruptura com esta política e por uma alternativa política patriótica e de esquerda. Ela vai ser a festa da luta por uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, parte integrante da luta pelo socialismo e o comunismo.

Continuam a fazer-se sentir os impactos da política de direita de que o Governo se mostra diligente executante (com o apoio do PR e a cumplicidade do PS): novo mapa judiciário com o encerramento de 20 tribunais e a desgraduação de mais 23; encerramento de escolas e serviços de saúde ou redução drástica dos seus profissionais (milhares de professores por colocar, falta de profissionais de saúde); nova ofensiva contra os direitos laborais e sociais e contra os serviços públicos, via Orçamento Rectificativo – cortes nos salários da AP, continuação da aplicação da CES aos reformados, desregulação dos horários de trabalho, aumento encapotado dos impostos, cortes nos subsídios de doença e de desemprego.

Tudo isto num contexto de degradação da situação económica e social: crescimento económico em baixa, exportações a desacelerar, produção nacional a baixar, desemprego a alastrar, apesar da manobra de manipulação estatística do Governo procurando fazer passar por criação de emprego os quase 200 000 portugueses colocados em estágio ou em cursos de formação sem qualquer futuro ou omitindo os 350 000 portugueses que emigraram nos últimos três anos. Aliás, no mesmo sentido desta propaganda enganosa vão as manobras em torno do aumento do salário mínimo nacional para 500 euros que o Governo procura ligar a um suposto aumento da produtividade. Os trabalhadores e as suas organizações de classe reclamam, isso sim, a reposição do poder de compra perdido, o aumento dos salários (e, em particular, o aumento do SMN), a defesa dos seus horários de trabalho e direitos laborais e, com esses objectivos, vêm desenvolvendo uma intensa acção reivindicativa nas empresas e sectores, nomeadamente nos sectores dos transportes e da Administração Pública.

O PCP prossegue a sua acção em todos os planos: estimulando a luta de massas, intervindo nas instituições, reforçando o Partido, lutando pela unidade e convergência dos democratas e patriotas tendo em vista a alternativa política à actual situação de desastre nacional. O jantar-convívio e o regresso do PCP ao recinto da Feira de Agosto, com a participação do Secretário-geral, em Grândola, (depois de 12 anos de exclusão daquele espaço pelo anterior executivo do PS) consequência da luta travada e a provar, mais uma vez, que a luta vale sempre a pena, foi um acontecimento de grande significado político. Na AR prepara-se para o combate às medidas lesivas dos trabalhadores e das populações que o Governo quer aprovar no âmbito do Orçamento Rectificativo. Prepara-se para entregar a proposta relativa à Comissão de Inquérito ao BES; para denunciar as condições em que este Ano Lectivo vai abrir; para agendar iniciativas parlamentares de grande alcance social (reorganização hospitalar, renegociação da dívida, defesa das empresas públicas de transportes). Por sua vez, os deputados do PCP no Parlamento Europeu, em conferência de imprensa realizada na passada 6.ª feira deram a conhecer, em vésperas da abertura da nova legislatura, um conjunto de 10 temas, em que vai incidir a sua acção, nos próximos meses, em defesa dos trabalhadores, do povo português e do interesse nacional.

Esta é a diferença entre os que encaram a política como instrumento para servir os trabalhadores, o povo e o País e os que se servem dela, por mais embustes, mistificações ou descaradas mentiras que usem, para prosseguir o processo de concentração e restauração do capitalismo monopolista, responsável pelo crescimento do empobrecimento, exploração e injustiças e o rumo de desastre nacional à vista.

 


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