No mundo há 1600 detentores de fortunas exorbitantes
Multimilionários duplicaram fortunas
em quatro anos
Espiral de desigualdade

O fosso entre ricos e pobres alarga-se de dia para dia. Apenas 85 dos maiores magnatas possuem uma riqueza igual à que dispõe metade da população do planeta.

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Um relatório da organização não-governamental Oxfam, divulgado dia 29, vem relembrar o aprofundamento das desigualdades extremas no planeta. Apesar da crise económica, que tem flagelado muitos países, os mais ricos (cerca de 1600 afortunados) conseguiram nos últimos quatro anos aumentar o seu património em 124 por cento, refere o estudo citando dados da revista Forbes.

E mesmo as 85 maiores fortunas mundiais não pararam de progredir, acumulando no último ano mais 244 mil milhões de dólares, ou seja, ou aumento de 14 por cento.

De maneira mais expressiva, o estudo salienta que estas fortunas aumentaram 668 milhões de dólares por dia, o que equivale a um ganho de cerca de meio milhão de dólares por minuto.

A organização conclui ainda que as grandes fortunas cresceram em média 5,3 por cento, superando o ritmo de crescimento da economia mundial que foi de 2,5 por cento, segundo indica o Fundo Monetário Internacional.

O relatório, intitulado «Iguais: Acabemos com a desigualdade extrema», conta com o apoio de conhecidas personalidades públicas internacionais, onde estão por exemplo Graça Machel, Kofi Annan e Joseph Stiglitz.

Os seus autores consideram que as desigualdades extremas constituem um obstáculo ao bem-estar da maioria da população e lembram que existem milhões de pessoas que carecem de serviços de saúde e crianças que não tem meios para frequentar a escola.

Defendendo a necessidade de aplicar medidas rigorosas contra a evasão fiscal das multinacionais e das grandes fortunas, o relatório afirma que um imposto de 1,5 por cento sobre os patrimónios multimilionários geraria receitas suficientes para escolarizar todas as crianças do planeta e assegurar cuidados de saúde universais nos países mais pobres.

Serviços públicos e igualdade

Para reduzir o fosso entre ricos e pobres, o relatório considera essencial o investimento em serviços públicos gratuitos. Isto porque, a cada ano, 100 milhões de pessoas são lançadas na pobreza devido a encargos com saúde.

Ora, bastaria aplicar o imposto de 1,5 por cento sobre as fortunas superiores a mil milhões de dólares para se obter uma receita de 74 mil milhões de dólares. Como a Unesco estima em 26 mil milhões de dólares a verba necessária para assegurar a educação de base universal e cerca de 37 mil milhões de dólares para oferecer cuidados básicos de saúde, nos países onde não existe, concluiu-se que a pequena taxa sobre os grandes patrimónios permitiria resolver estes dois problemas da humanidade.

Fortunas inesgotáveis

A dimensão colossal das três maiores fortunas do mundo é ilustrada pelo tempo necessário para as gastar.

Assim, o mexicano Carlos Slim, que dispõe de 80 mil milhões de dólares, precisaria de mais de duas vidas (220 anos) para gastar o seu património, despendendo um milhão de dólares por dia.

Outro caso é o do norte-americano Bill Gates, cuja fortuna ascende a 79 mil milhões de dólares. Se gastasse um milhão de dólares por dia, precisaria de 218 anos para esgotar as suas reservas.

Também o espanhol Amancio Ortega, com a sua fortuna de 64 mil milhões de euros, poderia gastar um milhão de dólares por dia durante 172 anos.




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