Editorial

A CDU AVANÇA

Realizaram-se no passado domingo as eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.

Sobre os resultados, importa, antes de mais, assinalar a votação obtida pela CDU – 7082 votos e 5,54% - que traduzem um significativo aumento do número de votos, a maior expressão eleitoral de sempre e a eleição de mais um deputado, que lhe permite constituir grupo parlamentar, ficando à beira da eleição de um terceiro deputado o que, a acontecer, retiraria o 24.º deputado e a maioria absoluta ao PSD.

Resultado eleitoral que é tanto mais significativo quanto obtido num quadro muito complexo e exigente, que teve que vencer desalentos e conformismos perante a gravidade da situação social que vivemos, resistir a factores de dispersão perante um quadro de concorrência eleitoral pulverizado (11 candidaturas), a apelos populistas e demagógicos, à confusão de um símbolo similar no boletim de voto, ao tratamento discriminatório por parte de alguns órgãos da comunicação social. Resultado que reflecte o enraizamento popular da CDU e a sua identificação como força necessária e insubstituível na luta por uma vida melhor.

A acentuada perda de votos por parte do PSD (cerca de 15 mil) e do CDS (mais de oito mil) e o revés do PS (cuja coligação com outras três formações políticas perde, no conjunto, mais de metade dos votos e cinco deputados) traduzem a erosão da base social de apoio dos partidos responsáveis pela política de direita prosseguida nos últimos 38 anos.

Como o PCP reconheceu em declaração de Jerónimo de Sousa, na noite das eleições, «o resultado da CDU é um resultado que, expressando o reconhecimento do percurso de trabalho e coerente intervenção do PCP e da CDU se constitui como reforçada garantia de uma acção em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores e do povo nas muitas lutas que a partir de amanhã é necessário continuar a travar contra a ofensiva do governo e por uma política alternativa».

Um expressivo resultado que será, como sempre, usado pela CDU para fazer valer direitos, combater injustiças, construir um Portugal com futuro, desenvolvido e soberano.

No plano da luta de massas, assistimos à combativa manifestação da juventude trabalhadora do passado sábado, em Lisboa, que juntou alguns milhares de participantes, que quiseram, desta forma, assinalar em luta o Dia Internacional da Juventude. Igualmente grandiosa foi a manifestação dos agricultores promovida pela CNA em Braga na passada 5.ª feira e vai ser a luta dos reformados promovida pelo MURPI no próximo dia 11 de Abril. Como têm sido as lutas em muitas empresas e sectores, que acompanham a preparação das comemorações do 25 de Abril e do 1.º de Maio de que importa fazer uma grande jornada de festa e de luta à volta das reivindicações concretas e das organizações dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, de convergência para a derrota da política de direita e por uma verdadeira alternativa.

A iniciativa do Partido continua a desenvolver-se a um bom ritmo. Foi assim a sessão evocativa do centenário do nascimento do camarada António Dias Lourenço, com elevada participação e expressiva manifestação político-cultural; foi também assim, com a participação do Secretário-geral do PCP, a inauguração de uma rua em Santarém com o nome de Álvaro Cunhal e o comício do Partido naquela cidade; e foi também assim o diversificado conjunto de iniciativas de comemoração do aniversário do Partido e todo os trabalho que as organizações regionais vêm desenvolvendo na concretização da acção de contactos, na campanha de recrutamento de novos militantes, na dinamização da campanha nacional de fundos, na preparação e divulgação da Festa do Avante! e venda antecipada da EP e na preparação das eleições legislativas: elaboração do programa eleitoral, desenvolvimento de contactos, mobilização de apoios e organização da Marcha Nacional «A força do povo» - todos à rua por um Portugal com futuro, do dia 6 de Junho, a que é necessário dedicar, desde já, grande atenção com a tomada das medidas de direcção que se revelem necessárias.

Prossegue a linha de propaganda do Governo à volta da velha ideia da «luz ao fundo do túnel», em que se inserem as declarações da Ministra das Finanças sobre os «cofres cheios» e as afirmações de Passos Coelho no Japão a vender a imagem de competitividade do País assente num modelo de baixos salários e precariedade. Campanha a que se associou o Presidente da República num alinhamento que fere o estatuto de isenção e independência deste órgão de soberania. Campanha desmentida, no entanto, todos os dias pela gravidade da situação social e económica que vivemos, com a dívida a subir, o investimento público em queda livre, e, agora, os dados que o INE veio divulgar que reflectem o elevado nível de desemprego, a atingir em Fevereiro de 2015 os 14,1% (mais 0,3 pontos percentuais do que no mês anterior) e que, no caso dos jovens, se torna ainda mais preocupante com uma taxa a atingir os 35%.

Um governo e uma política de desastre nacional que exige a ruptura e a mudança que o PCP e a CDU, com o apoio de democratas e patriotas, propõem com soluções para o País. Mudança que não é compatível com as posições titubeantes daqueles que, como acontece com o PS, querem mudar o acessório para prosseguir o essencial da política de direita.

A CDU avança como ficou evidente nas eleições da Região Autónoma da Madeira. E com o seu avanço ganhou mais força a exigência de uma política patriótica e de esquerda, que a luta dos trabalhadores e do povo tornará possível e inevitável.

 


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