Editorial

«Por um País livre da submissão aos interesses financeiros, soberano, de progresso social e desenvolvimento»

GRANDE MARCHA<br>PELO FUTURO

Continua num bom ambiente e a um bom ritmo a mobilização e organização da marcha nacional «A força do povo», todos à rua por um Portugal com futuro, prioridade absoluta da acção dos militantes e organizações do PCP, que depois de amanhã vai ter lugar em Lisboa. Uma grandiosa marcha que afirmará a força, a vontade, a confiança, as possibilidades que os trabalhadores e o povo têm nas suas mãos para interromper este longo ciclo da política de direita. E, ao mesmo tempo, construir uma alternativa política ao serviço de Portugal e dos portugueses. Uma alternativa que lhes devolva o direito à plena realização das suas vidas e que promova a melhoria das suas condições de vida num País livre da submissão aos interesses financeiros, soberano, de progresso social e desenvolvimento. Uma poderosa jornada de luta que dará mais força ao PCP e à CDU e, alargando a sua influência política e eleitoral, abrirá caminho à concretização duma política alternativa patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril.

Tendo presentes os grandes objectivos e importância política desta Marcha, os militantes e organizações do PCP, os activistas da CDU, muitos democratas e patriotas independentes tudo continuarão a fazer para superar as últimas dificuldades, multiplicar os contactos e aproveitar todas as potencialidades desta acção. Marcha que vai trazer a Lisboa a expressão da força do povo como torrente capaz de dar a volta à situação difícil que vivemos, interromper este ciclo de política de direita e voltar a colocar Portugal nos caminhos do futuro.

Com a aproximação das eleições cresce também o ambiente pré-eleitoral. Por parte do PSD/CDS é visível o esforço para ocultar ou esbater a realidade económico-social que, em quatro anos de Governo, deixou um rasto de destruição e incontáveis dramas sociais.

O PS, por sua vez, continua a esforçar-se, com o visível apoio da comunicação social dominante, para se apresentar como alternativa, procurando, por diversos meios, esconder o seu comprometimento com a política de direita: dissimula as grandes semelhanças, nas questões essenciais, com o PSD e CDS e amplia as diferenças secundárias; apresenta como questões de fundo meras alterações de rostos e de estilos; procura desviar as atenções da acção do PCP e da CDU fazendo uma marcação cerrada à sua agenda.

Mas por mais malabarismos que façam, PS, PSD e CDS não conseguem esconder que estão unidos nas questões estruturais e decisivas e têm responsabilidades comuns nos efeitos desastrosos da política de direita. Uns (PSD/CDS) querem a privatização da TAP a 66 por cento, o outro (PS) quer fazê-lo a 49 por cento; PSD/CDS quer prolongar os cortes nos salários e pensões por quatro anos, o PS por dois anos; o PSD/CDS promete retirar a sobretaxa sobre o IRS em três anos, o PS em dois; uns (PSD/CDS) propõem novos cortes nas reformas de 600 milhões de euros já em 2016, o outro (PS) defende o seu congelamento por quatro anos, o que significa, por via da inflação, um corte nas pensões de cerca de 900 milhões de euros; ambos ambicionam alterar a legislação laboral e facilitar ainda mais os despedimentos.

O PCP e a CDU afirmam que é preciso dizer «basta!» a este rumo de exploração, empobrecimento e declínio nacional e aproveitar as eleições para concretizar a viragem necessária, com o reforço da CDU em votos e eleitos.

No dia 26 de Maio, o PCP fez a apresentação dos objectivos e eixos essenciais do seu programa eleitoral. Importante iniciativa que mostrou, mais uma vez, que o PCP e a CDU têm soluções para o País e para uma vida melhor. Soluções concretas, exequíveis e necessárias. Soluções construídas num processo que acolheu muitos contributos individuais e de diversas estruturas económicas, sociais e culturais.

Da intensa acção do PCP e da CDU cabe destacar as iniciativas realizadas no passado fim-de-semana, de grande significado político, com a participação do Secretário-geral do Partido, como foi o jantar da CDU em Dusseldorf e o almoço em Paris que contaram com a participação de dezenas de estruturas do movimento associativo dos emigrantes; o almoço da CDU em Mértola e a homenagem a Catarina Eufémia, «exemplo de luta, combatividade, abnegada coragem e dignidade – como referiu Jerónimo de Sousa na sua intervenção – que permanece como uma referência para os trabalhadores portugueses e para todos os que lutam por um mundo melhor, mais justo e mais fraterno».

Acção que contou também com a audição «defender a pequena e média agricultura, valorizar a produção e o mundo rural» da passada sexta-feira e a audição «O Estado para cumprir a Constituição», de anteontem.

Desenvolve-se a luta de massas. Merece registo a vitória conseguida pelos trabalhadores da Renault-Cacia, depois de três dias de greve e vários plenários sindicais, com um aumento salarial de 30 euros e a passagem de 45 trabalhadores precários a vínculo efectivo. Nos dias 4 e 5 de Junho, terá lugar a greve nacional dos enfermeiros; entre 15 e 19 de Junho, é a vez da acção envolvendo as empresas públicas de transportes contra a privatização, em defesa da contratação colectiva e do serviço público; e, a 20 de Junho, a manifestação nacional de professores.

Todos quantos aspiram a uma ruptura com a política de direita capaz de abrir caminho a uma política patriótica e de esquerda têm na Marcha Nacional do dia 6 de Junho um importante momento de afirmação e exigência. Todos à rua, por um Portugal com futuro!

 


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