Bienal de Artes Plásticas
e Street Art na Festa do Avante!
Arte é factor de emancipação<br>e libertação

Como sempre sucede, em ano de Bienal há, por parte de muitos dos visitantes da Festa do Avante!, um renovado interesse pela visita ao espaço das Artes Plásticas, onde é possível conhecer o que de melhor fazem os artistas portugueses, novos e consagrados, nos campos da pintura, da escultura, da gravura, do desenho e da fotografia. Este ano, a arte de rua marcará também uma forte presença neste espaço, que reconhece assim esta forma de expressão artística que não tem parado de crescer e de se afirmar nos últimos anos. A visita ao espaço das Artes Plásticas é simplesmente obrigatória.

Dar oportunidade aos artistas portugueses de mostrarem a sua obra e, ao mesmo tempo, permitir aos milhares de pessoas que visitam a Festa do Avante! um conhecimento mais próximo do que de melhor se faz em Portugal ao nível da pintura, da escultura, da gravura e de outras disciplinas artísticas são inquestionavelmente duas das mais notáveis virtudes da Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante!, cuja 19.ª edição se realiza este ano. Como é apanágio dos comunistas portugueses, o apoio à criação e o estímulo à fruição da arte e da cultura andam sempre a par. E não é por acaso.

No seu Programa Uma Democracia Avançada – os Valores de Abril no Futuro de Portugal, o PCP propõe uma política cultural assente no «efectivo exercício dos direitos culturais, na criação de condições para o desenvolvimento integral do indivíduo e dos valores culturais da sociedade». A democracia cultural por que o PCP se bate, lê-se ainda no Programa, é indissociável das vertentes política, económica e social da democracia, e implica, para ser concretizada, da realização de um conjunto de condições: entre elas inclui-se a «generalização da fruição dos bens culturais e das actividades culturais» e a «criação das condições materiais e espirituais indispensáveis ao desenvolvimento da criação, produção, difusão e fruição culturais».

Esta componente da democracia constitui, para o Partido, «um dos factores de transformação da realidade». O exercício dos direitos culturais e a luta pela sua generalização e aprofundamento são, mesmo, «factores da democracia globalmente considerada». Assim, estas propostas de fundo não são meras declarações programáticas para o futuro. Elas constituem, sobretudo, um guia para a acção transformadora quotidiana do PCP.

No que respeita à cultura e à arte, o exemplo das autarquias em que os comunistas e os seus aliados têm responsabilidades executivas revela bem esta realidade. A Festa do Avante!, e em particular o espaço das Artes Plásticas, também.

Uma imensa galeria

Em declarações ao Avante!, António Rodrigues (membro do Comité Central e responsável pelo espaço das Artes Plásticas) e Francisco Palma (artista plástico e membro da comissão organizadora deste espaço) valorizaram a participação de perto de 100 artistas e 200 obras no concurso da Bienal, que terminou em Junho. Entretanto, o júri já seleccionou as cerca de 60 obras que estarão patentes na Bienal da Festa do Avante!, realizadas por meia centena de artistas.

Francisco Palma adiantou que, das obras escolhidas pelo júri, 15 são esculturas e instalações e 47 são fotografias, pinturas, gravuras, desenhos e técnicas mistas. Os artistas que participam nesta edição da Bienal vêm de todo o País (para além de dois da Galiza e um de São Paulo, no Brasil); alguns são já nomes consagrados no panorama artístico nacional enquanto que outros procuram ainda a sua afirmação. A selecção dos trabalhos a expor, garante Francisco Palma, tem como factor decisivo a sua qualidade.

António Rodrigues destacou ainda outro motivo de interesse desta edição da Bienal, o rol de artistas convidados que aceitaram expor os seus trabalhos: Acácio Carvalho, Agostinho Santos, Avelina Oliveira, Cabral Pinto, Henrique Silva, Henrique do Vale, Jaime Silva, João Vasco Paiva, José Rosinhas, Manuela Bronze e Margarida Leão. Outros podem ainda juntar-se, sublinhou o membro do Comité Central.

Com as suas limitações mas também com todas as suas múltiplas potencialidades, a Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante! constitui um importante contributo para a democratização da arte e da cultura – não só pela quantidade de pessoas que, apenas pagando a sua EP, podem tomar contacto com largas dezenas de obras de arte de diferentes autores e disciplinas, como pelo que significa de estímulo à própria produção e criação artística, pela oportunidade que dá aos criadores de mostrarem o seu trabalho a um público muito vasto. Haverá, no País, outra «galeria» desta dimensão?

 

Arte de rua na Festa

Dizia o maestro, compositor e militante comunista Fernando Lopes-Graça que «a arte não é adorno da boa sociedade, mas expressão fremente da vida». Se isto é verdade para qualquer expressão artística (da música clássica à escultura, passando pela pintura e fotografia), por mais erudita que seja a forma como é apresentada, sê-lo-á porventura ainda mais para aquela arte que nasceu nas ruas, a chamada Street Art (arte de rua) – de que o grafiti é a mais famosa expressão, mas não a única. O britânico Bansky e o português Vihls são alguns dos seus mais famosos protagonistas. Mas todos os dias surgem novos artistas, com diferentes formas de expressão, técnicas e suportes.

Este ano, o espaço das Artes Plásticas da Festa do Avante! tem uma parte dedicada precisamente à Street Art, mostrando trabalhos de muitos dos mais conhecidos protagonistas nacionais destas lides: André «Trafic» Silva, David Jae, Gordo Letters, Ricardo Romero, Sen Silva e Majojojo. A mostra permitirá aos visitantes da Festa conhecerem o talento destes artistas, as suas diferentes expressões e as causas que abraçam com a sua arte.

Para além das obras expostas, haverá duas intervenções de arte urbana no espaço das Artes Plásticas: uma no interior e outra no exterior, a ser realizada durante a própria Festa.

Surgida nas ruas, assumindo desde o início um carácter transgressor, a Street Art (nunca perdendo por completo esta sua natureza) tem vindo a transpor barreiras e a afirmar-se como disciplina artística de corpo inteiro. Hoje, muitos dos artistas de rua têm agentes e expõem os seus trabalhos em galerias de arte.

Em muitos locais do País, são as próprias autarquias a aproveitar e potenciar o talento dos street artists para requalificar bairros e elevar a qualidade de vida das suas populações. Exemplo mais notável é o do Bairro da Quinta do Mocho, em Loures, transformado numa autêntica galeria de arte ao ar livre: em muitos edifícios de habitação, as empenas estão transformadas de verdadeiras obras de arte. Muitas delas, para além da sua qualidade estética, afirmam identidades, valores, sonhos, ideais.

 



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